BrasãoCâmara Municipal de Itajubá

LEI COMPLEMENTAR Nº 8, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2003

 

(Vide Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

“Institui o Plano Diretor de Desenvolvimento do Município de Itajubá e dá outras providências”.

 

José Francisco Marques Ribeiro, Prefeito do Município de Itajubá, Estado de Minas Gerais, usando das atribuições que lhe são conferidas por Lei, faz saber que a Câmara Municipal aprovou e ele sanciona a seguinte Lei:

 

TÍTULO I
Dos Princípios Gerais

 

Art. 1º  A promoção do desenvolvimento do Município de Itajubá tem como princípio fundamental o cumprimento das funções sociais da cidade, nos termos da Lei Orgânica e em conformidade com o art. 182 da Constituição Federal, assegurando:

 

I - gestão democrática e participativa;

 

II - promoção da qualidade de vida;

 

III - preservação ambiental;

 

IV - preservação da memória e da identidade cultural;

 

V - inclusão social;

 

VI - integração das ações públicas e privadas;

 

VII - integração e completariedade entre as atividades urbanas e rurais;

 

VIII - integração regional.

 

Art. 2º  O Plano Diretor de Desenvolvimento do Município de Itajubá é o instrumento básico definidor das diretrizes norteadoras desse desenvolvimento, sustentado nos princípios de bem-estar e justiça social com qualidade ambiental, elemento condutor das diretrizes e do ordenamento físico-territorial.

 

TÍTULO II
Do Processo Permanente de Planejamento Municipal

 

CAPÍTULO I
Das Diretrizes Perenes

 

Art. 3º  Constituem diretrizes perenes do Planejamento Municipal:

 

I - planejar o desenvolvimento do Município e de sua população através de um sistema participativo e democrático, visando obter soluções voltadas à qualidade de vida e ao crescimento contínuo do ser humano em harmonia com a região vizinha;

 

II - ampliar a coesão e a eqüidade político-sociais;

 

III - observar, com rigor e persistência, o princípio da economia ecológica sustentável. Respeitar e manter a visão de longo prazo;

 

IV - desenvolver o sistema econômico através da co-participação e parcerias das iniciativas pública e privada;

 

V - considerar que o desenvolver origina-se e nutre-se da educação e capacitação da população;

 

VI - distribuir as oportunidades de desenvolvimento econômico com toda a sociedade;

 

VII - ampliar a igualdade social, através do crescimento das habilidades, conhecimentos e aprendizado, formação de redes, agregação de sabedoria, valores e tecnologia, em processo cooperativo comunitário;

 

VIII - construir o desenvolvimento sustentável sobre as condições diferenciais da cidade, da região e do país;

 

IX - estimular os sistemas de poupança pública e privada e promover ações para que investimentos sejam realizados no Município, de maneira contínua e nas quantidades e taxas requeridas.

 

CAPÍTULO II

 Dos Objetivos

 

Art. 4º  O Planejamento Municipal tem por objetivos:

 

I - auxiliar a criar as condições para assegurar a inclusão social de toda a comunidade e para desenvolver os segmentos sociais de vanguarda, intermediar e moderar a divisão entre vanguarda e retaguarda e sustentar as práticas do aprendizado coletivo que tornam a riqueza possível e a liberdade real;

 

II - constituir e manter a representação do sistema social da cidade, seus valores, mitos e símbolos, o imaginário, suas expectativas e sentimentos;

 

III - constituir planos e programas de desenvolvimento sustentável para o Município, consolidando e contrapondo soluções ao conjunto das necessidades priorizadas, identificadas e trabalhadas com a participação comunitária;

 

IV - identificar projetos, empreendimentos e ações que viabilizem a atração de capitais e oportunidades de investimentos para o desenvolvimento sustentável da cidade como uma “Tecnópolis”, por sua tradição, pelas condições diferenciais que exercita e desenvolve e pelo reconhecimento e vontade expressa de sua população;

 

V - promover as condições para a organização e articulação das ações municipais, de modo integrado e em sinergia;

 

VI - desenvolver planos e programas de Comunicação e Mobilização Social para viabilizar as relações e interlocuções do Município com as sociedades interna e externa, e para contribuir para a construção e afirmação de sua identidade;

 

VII - formular estratégias de implementação e criar as condições de viabilização dos planos e programas propostos, definindo-se as alternativas para o seu desenvolvimento e as fontes de recursos a serem utilizados.

 

CAPÍTULO III

Dos Programas

 

Art. 5º  As alternativas criativas de desenvolvimento, construídas para suportarem os planos de desenvolvimento de Itajubá, serão estruturadas em programas institucionais e em alianças sociais.

 

§ 1º  Os programas institucionais e as alianças sociais de que trata o “caput” deste Artigo assumirão dois momentos consecutivos:

 

I - Momento inicial, voltado para o atendimento das questões e dificuldades mais significativas dos maiores contingentes da população do Município, ao mesmo tempo em que estimulará a abertura da sociedade à inovação institucional e à continuidade da expansão das suas relações em sua inserção global;

 

II - Momento avançado, direcionado para preencher o espaço entre os segmentos produtivos de vanguarda e de retaguarda, acelerando o exercício de práticas inovadoras tanto no que diz respeito ao repertório de idéias, quanto no que se refere às estruturas institucionais que regulam a sua vida social.

 

§ 2º  Para se atribuir viabilidade aos programas mencionados no parágrafo anterior, o planejamento deverá considerar como condições essenciais ao seu sucesso:

 

I - a elevação do nível de poupança pública e privada;

 

II - os mecanismos de direcionamento que transformem a poupança em realização de investimentos produtivos;

 

III - a associação cooperativa entre governo e empreendedores, ou entre empresas e instituições públicas e privadas, para a produção e para o desenvolvimento do potencial produtivo e da capacidade crítica das pessoas.

 

§ 3º  Para o atendimento do desenvolvimento das pessoas, os programas assumirão a elevação prioritária do nível de investimento social em educação, considerando a educação de crianças e jovens e a educação continuada de adultos, com o compromisso de dotarem crianças e jovens dos instrumentos de resistência às circunstâncias históricas e sociais, e de fortalecer, na sociedade, a idéia da grandeza de homens e mulheres comuns e a grandeza da humanidade.

 

Art. 6º  Em cada período de planejamento municipal, os programas do momento inicial estarão voltados para a criação do bem estar e da prosperidade, do acesso e da igualdade de oportunidades, da crescente participação dos salários na geração da renda pública, do investimento social elevado, prioritário, segundo uma economia política antidualista, reduzindo os espaços entre os extremos, mobilizando a sociedade para se dispor a co-operar, a aceitar a inovação e a envolver-se, como comunidade, na formulação e implementação dos direitos sociais, estabelecendo uma coordenação descentralizada e parcerias estratégicas para a distribuição compensatória de ônus e benefícios, enquanto os programas do momento avançado concentrar-se-ão no desenvolvimento redistributivo, na transformação da escala para sua versão emancipatória com o aumento da participação independente, política e cidadã, da comunidade, bem como na produção da pluralidade e diversidade como elementos de formação da riqueza e da cultura.

 

CAPÍTULO IV

Das Diretrizes e Objetivos

 

Art. 7º  O Plano Diretor de Desenvolvimento de Itajubá estabelece e institui os processos de desenvolvimento, seus programas, projetos e empreendimentos e orienta as ações dos agentes públicos e privados para a promoção da sustentabilidade de seu desenvolvimento.

 

§ 1º  O programa de receitas e fontes e o orçamento plurianual, objetos da Lei de Diretrizes Orçamentárias do Município, deverão estar sempre em compatibilidade e congruentes com o dispositivo no Plano Diretor de Desenvolvimento e com as prioridades e significados dos programas e ações dele decorrentes.

 

§ 2º  O Plano Diretor de Desenvolvimento se desdobra e incorpora outros planos, específicos ou cobrindo assuntos e temas ou objetos preestabelecidos, ou mesmo detalhando e explodindo o referido Plano Diretor de Desenvolvimento, o conjunto devendo manter uma rigorosa observância das suas diretrizes e de seus objetivos permanentes.

 

§ 3º  O Plano Diretor de Desenvolvimento de Itajubá deverá ser atualizado e revisado periodicamente, em intervalos de cinco anos, período este que poderá ser ajustado de acordo com as taxas de ocorrência de mudanças.

 

Art. 8º  Constituem o Plano Diretor de Desenvolvimento de Itajubá, as políticas e diretrizes persistentes e a instrumentalização no sentido de viabilizá-las, contidas nesta lei.

 

Art. 9º  Os Planos de Desenvolvimento do Município de Itajubá terão sempre uma perspectiva de longo prazo, com programas associados com conotação plurianual, com abrangência igual ou maior a três anos à frente e devem ser constituídos, sistemática e regularmente, com ampla participação democrática comunitária.

 

Art. 10.  Cabe ao Executivo Municipal a implementação do Plano Diretor de Desenvolvimento de Itajubá.

 

Parágrafo único.  Para suportar todas as ações relacionadas ao Plano, desde o início de sua elaboração até a sua efetiva implantação, o Executivo Municipal contará com o apoio da Secretaria Municipal de Planejamento e da Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis.

 

Art. 11.  Compete a Secretaria Municipal de Planejamento como organismo responsável pela condução do planejamento e desenvolvimento urbano da cidade e de sua integração espacial com as regiões circunvizinhas e remotas:

 

I - coordenar a concepção, definição de diretrizes, à formulação e a implementação das políticas, planos e programas diversos que dizem respeito à política urbana, ao ordenamento do território, às zonas especiais de interesse, ao sistema municipal de habitação, de saneamento e meio ambiente, infra-estrutura e serviços, dentre outros, assim como todos os sistemas correlatos e de suporte  necessários à realização dessas atribuições; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

II - preparar e/ou acompanhar a elaboração de leis que regulem ou que suportem os assuntos supra-relacionados; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

III - promover a mais ampla articulação interna e externa com vistas à viabilidade e viabilização do Plano Diretor de Desenvolvimento de Itajubá nos assuntos de sua competência;

 

IV - desenvolver a qualificação institucional da Municipalidade;

 

V - pesquisar, incentivar inovações, compilar experiências, realizar estudos, investigações, intercâmbios, projetos, empreendimentos que resultem no conhecimento do tratamento das questões do desenvolvimento urbano em todas as suas manifestações atuais e projetadas para futuro visível, organizando arquivos depositários consolidados, formulando propostas de soluções para a cidade e respondendo pela disseminação desse conhecimento a toda a população e interessados;

 

VI - desenvolver ações e os projetos de captação de recursos financeiros destinados a dar viabilidade aos programas de desenvolvimento urbano de Itajubá;

 

VII - gerir o Sistema Municipal de Habitação, os serviços concedidos, delegados e terceirizados; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

VIII - acompanhar e monitorar a implementação dos planos e programas sob sua responsabilidade, avaliando o seu desempenho, propondo correções, revisões ou alternativas em sua trajetória, ou no seu conteúdo ou no “modus operandi” no sentido de garantir a consecução de sua execução, como planejado.

 

IX - implantar e manter atualizado o Plano Diretor de Desenvolvimento  de Itajubá.

 

Parágrafo único.  O processo permanente de planejamento do desenvolvimento urbano será suportado por um sistema de informações urbanas, incluindo as bases de dados cadastrais relativas à infra-estrutura, uso e ocupação do solo, terrenos e edificações municipais, serviços concedidos, e outros que se fizerem necessários, a cartografia geo-referenciada, mapas de valores do Município, as condições definidas para as concessões municipais, critérios e delimitação de zonas de tributação diferenciada, e outros instrumentos de tecnologia, com gerência integral pela Secretaria Municipal de Planejamento.

 

Art. 12.  Compete à Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis como organismo responsável pelo planejamento e condução do processo de desenvolvimento sócio-econômico e tecnológico do Município:

 

I - coordenar a concepção, definição de diretrizes, a formulação e a implementação das políticas, planos e programas diversos, assim como todos os sistemas correlatos e de suporte necessários à realização dessas atribuições, que dizem respeito:

 

a) a defesa, preservação e conservação do meio ambiente e a promoção do desenvolvimento sustentável;

 

b) ao desenvolvimento econômico referente à atividade rural agropecuária e agroindustrial, às atividades comerciais, industriais e serviços, ao turismo e aos empreendimentos educacionais;

 

c) ao desenvolvimento tecnológico, ciência e tecnologia, pesquisa e desenvolvimento;

 

d) à política do trabalho;

 

e) à política de integração regional;

 

f) a implantação do Parque Tecnológico de Itajubá, de condomínios de empreendimentos e empresas de base tecnológica, a estação ciência e outras formas de desenvolvimento que venham a ser escolhidas para o município, inclusive através da promoção de concursos de planos de negócios;

 

g) atração de capitais de risco, de financiamentos e capitais próprios, fundos de fomento e outros meios de capitalização, para promoção de investimentos nas atividades econômicas, sociais e tecnológicas.

 

II - preparar e/ou acompanhar a elaboração de leis municipais que regulem ou que suportem os assuntos relacionados no inciso anterior;

 

III - promover ampla articulação interna e externa com vistas à viabilidade e viabilização do Plano Diretor de Desenvolvimento de Itajubá nos assuntos de sua competência;

 

IV - pesquisar, promover trabalhos inovadores, realizar estudos, investigações, intercâmbios, projetos que expandam e atualizem o seu conhecimento em planejamento e gestão de processos de desenvolvimento sócio-econômico e tecnológico, constituindo os arquivos depositários desse conhecimento, utilizando-os para a criação de soluções em benefício do desenvolvimento do Município e promovendo a sua disponibilização para toda a população e interessados;

 

V - desenvolver ações de captação de recursos financeiros destinados a dar viabilidade aos programas de desenvolvimento sócio-econômicos e tecnológicos de Itajubá;

 

VI - desenvolver, continuadamente, programas de aumento do nível da poupança, dos meios e instrumentos para transformá-la em produção, de ampliação da oferta de trabalho, de atração de investimentos e/ou empreendimentos, de crescimento e mudança de patamar da atividade econômica do Município, de geração de empreendimentos de base tecnológica, seja através da incubação ou da criação de níveis de tecnologia de produtos e serviços superiores aos existentes e de outras ações que contribuam para a dinâmica do sucesso do processo de desenvolvimento sustentável de Itajubá;

 

VII - acompanhar e monitorar a implementação dos planos e programas sob sua responsabilidade, avaliando o seu desempenho, propondo correções, revisões ou alternativas em sua trajetória, ou no seu conteúdo ou no “modus operandi” no sentido de garantir a consecução de sua execução como planejado.

 

Art. 13.  Compete a Secretaria Municipal de Planejamento e à Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis, como organismos de suporte técnico e financeiro de intermediação entre o governo e empresas, responsáveis, em conjunto, pelo planejamento e condução do processo de desenvolvimento do Município:

 

I - a integração dos agentes setoriais de planejamento e de execução da Administração Municipal e dos órgãos e entidades estaduais, federais, de outras municipalidades, de organizações não governamentais, dos agentes privados e a população para a produção e aplicação das diretrizes e políticas, dos planos e programas e outros dispositivos previstos nesta lei;

 

II - a coordenação das negociações e entendimentos entre a Municipalidade e o setor privado e não governamental, para a efetivação do Plano Diretor e de seus produtos derivados de interesse do desenvolvimento da cidade;

 

III - a articulação do Município com seus vizinhos, parceiros ou aliados e associados;

 

IV - o acompanhamento e a avaliação de resultados da implementação do Plano Diretor de Desenvolvimento de Itajubá, se reportando ao Conselho Municipal de Desenvolvimento da Itajubá Tecnópolis – CODIT.

 

Art. 14.  Compete ao Conselho Municipal de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis – CODIT:

 

I - contribuir, participar cooperativamente da elaboração, propor e sugerir alternativas de desenvolvimento a serem consideradas na formulação do Plano Diretor de Desenvolvimento;

 

II - acompanhar a sua implementação, o desenvolvimento de seus programas e as decisões que deles emanam, orientando sobre as questões e proposições apresentadas pelos representantes da Secretaria Municipal de Planejamento ou órgão que venha a substituir, e pela Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis;

 

III - avaliar anualmente o desempenho da implementação do Plano, programas e outros instrumentos de execução de decorrentes, propondo recomendações;

 

SUBTÍTULO

Do Processo Permanente de Comunicação e Mobilização Comunitária

 

CAPÍTULO V

Das Diretrizes, Objetivos e do Processo de Gestão

 

Art. 15.  A Mobilização Comunitária constitui um processo permanente do sistema econômico-social, que inclui a mobilização propriamente dita e a comunicação, dentro do princípio do desenvolvimento sustentável, devendo ser objeto de planejamento e gestão próprios, em relação às principais formas em que se consubstanciam, quais sejam:

 

I - Comunicação Interna:

 

a) entre os órgãos ou instituições da Administração Municipal;

 

b) entre a Administração Municipal e a população;

 

c) no ambiente comunitário;

 

II - Comunicação Externa:

 

a) institucional, ou seja, com entidades de governo, serviços públicos, representantes estrangeiros, e outras instituições públicas;

 

b) com a mídia nacional e internacional;

 

c) com a iniciativa privada nacional;

 

d) com organizações não governamentais;

 

e) com outras populações e instituições externas ao Município;

 

III - Comunicação Sistemas Físicos:

 

a) meios públicos e privados existentes e necessários;

 

b) redes;

 

c) sistemas dedicados de processos;

 

d) sistema emergencial;

 

IV - “Marketing” da Identidade da Cidade: Itajubá Tecnópolis;

 

V - Mobilização Social-Comunitária:

 

a) em condições de regime ou normais;

 

b) em condições especiais como eventos, feriados, campanhas, eleições, pesquisas de opinião, promoções, intervenções participativas da população;

 

c) em programas educacionais e preventivos relativos a, entre outros, segurança pública, trânsito, incêndios, cadastramentos, execução de obras públicas, saúde  comunitária, vacinações, preservação ambiental;

 

d) em contingências como racionamentos, defesa civil, enchente, e outras condições de exceção.

 

Art. 16.  Os principais objetivos do Plano de Desenvolvimento de Comunicação e Mobilização Comunitária são:

 

I - constituir e operacionalizar o Sistema de Comunicação do Município compreendendo a comunicação interna e externa bem como os sistemas físicos de comunicação;

 

II - desenvolver o marketing da cidade, constituído em torno de sua identidade;

 

III - estruturar e promover a mobilização social-comunitária, em caráter contínuo, permanente, que assegure a mais ampla e ativa participação da comunidade no processo de desenvolvimento do Município e da Região, legitimando-a como expressão da prática de uma democracia aprofundada, com manifestações voluntárias do coletivo e do individual que compõem a sua população.

 

§ 1º  Entende-se por aprofundamento da democracia ao processo pelo qual, através de mudanças e invenções institucionais cumulativas, é ampliado o alcance e multiplicadas as oportunidades para a expansão das organizações e dos interesses organizados, no sentido deles atuarem como agentes e beneficiários da política econômica, gerando progresso material e a emancipação cumulativa das pessoas em relação às hierarquias sociais estratificadas.

 

§ 2º  No âmbito da comunicação e da mobilização social-comunitária, serão destaque especial os programas educacionais e preventivos, os programas para fazer frente a contingências, assim como os sistemas físicos que lhes dão operacionalidade, o conjunto respondendo por ações indispensáveis para antecipar e prevenir situações de alto risco para a população e para sua qualidade de vida.

 

Art. 17.  Na elaboração do Plano de Desenvolvimento de Comunicação e Mobilização Comunitária deverão ser observados os seguintes princípios:

 

I - livre participação de todos, com a prática do próprio paradigma da comunidade espontaneamente mobilizada, contribuindo para a escolha do direcionamento que melhor lhe convém e para a construção das melhores soluções viáveis e executáveis;

 

II - esforço contínuo no sentido de estender a participação dos segmentos sociais de vanguarda para os segmentos sociais de retaguarda, promovendo uma inclusão democrática, pelo suporte de suas manifestações e pontos de vista para, em seguida, dar ensejo à sua inclusão social no contexto do processo de desenvolvimento pleno da cidadania;

 

III - livre direito de expressão, preservados os princípios do respeito, da dignidade, da ética, da isonomia com que animidade e do respeito às reservas individuais dos cidadãos;

 

IV - transparência e visibilidade, fluência pelo significado e compreensão, em todo o processo de comunicação e mobilização comunitária;

 

V - cuidado especial com a qualidade das informações, com a adeqüacidade da sua disseminação e com avaliação dos modos de reação que podem provocar;

 

VI - união e alinhamento de todos na divulgação da identidade da cidade, promovendo-a por seus valores efetivos;

 

VII - criação de um estado de mobilização e solidariedade permanente da comunidade, o que propicia mantê-la pronta para responder a quaisquer chamamentos com um sentido profundo de uma consciência comunitária, construída em coordenações de ações vivenciadas em repetidas ocasiões;

 

VIII - transmissão da visão e dos objetivos do Plano Diretor de Desenvolvimento de Itajubá, transformando-os em vetores do processo de desenvolvimento;

 

IX - construção de uma rede de relações que garanta a inserção do Município nos cenários regional, nacional e internacional, projetando-o como um nódulo da economia global, ou seja, um espaço de transações, intercâmbios e geração de soluções úteis à sua população e as outras populações externas, não importam onde estejam situadas;

 

Parágrafo único.  A Municipalidade e a comunidade, em conjunto, deverão constituir uma Câmara de Arbitragem composta por três personalidades de reconhecida competência e neutras em relação aos segmentos da comunicação e mobilização comunitária, a qual funcionará como instância de recorrência, com poder de regência a ela atribuído pela população, com a função de esclarecer dúvidas, dirimir pendências e solucionar conflitos quanto à prática dos princípios e a emergência de questões nos assuntos da Comunicação e Mobilização Comunitária no Município.

 

Art. 18.  O Plano de Desenvolvimento de Comunicação e Mobilização Comunitária conterá o conjunto de diretrizes básicas, que compõem a Política de Comunicação e Mobilização Comunitária, e o conjunto de estratégias e programas ou projetos destinados a trazer as diretrizes ao plano das realidades incorporando todos os elementos e conteúdos descritos nos Artigos anteriores, todas as demandas específicas e orientações provenientes dos segmentos de atividades que compõem o Plano Diretor de Desenvolvimento de Itajubá, consolidando-se o conjunto em uma estrutura unitária orgânica que passe a constituir o sistema de relações, na linguagem, do Município.

 

Art. 19.  Integram o Sistema Municipal de Comunicação e Mobilização Comunitária:

 

I - Conselho Municipal de Desenvolvimento da Itajubá Tecnópolis;

 

II - Conferência Municipal de Comunicação e Conferência Municipal de Mobilização Comunitária;

 

III - Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis;

 

IV - Assessoria de Comunicação da Municipalidade.

 

§ 1º  A Conferência Municipal de Comunicação será uma reunião com a participação de todas as instituições públicas, privadas e não governamentais de comunicação escrita, falada, televisiva, redes, documentais, de regulação e outras que atuam no Município, coordenadas pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento e terá por função desenvolver a formulação das estratégias que definam a Política Municipal de Comunicação, a ser adotada para um período de 4 (quatro) anos, com subseqüentes revisões.

 

§ 2º  A Conferência Municipal de Mobilização Comunitária será uma reunião com a participação das instituições de Segurança Pública e Nacional, Defesa Civil e Meio Ambiente, representações do Poder Judiciário e Secretarias Municipais, organizações não governamentais comunitárias, associações de bairros, do Rio Sapucaí e outras similares, empresas e entidades de prestação de serviços públicos, coordenada pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento da Itajubá Tecnópolis e terá por função a formulação das diretrizes e estratégias que definam a Política Municipal de Mobilização Comunitária, a ser aplicada por um período de 4 (quatro) anos, com subseqüentes revisões.

 

§ 3º  Ambas as conferências serão convocadas pelo Executivo Municipal, nos primeiros 30 (trinta) dias de governo e reunir-se-á cada uma delas, separadamente, tendo como Secretaria Executiva, encarregados de elaborar o documento contendo a Política Municipal de Comunicação e de Mobilização Comunitária, representantes da Assessoria de Comunicação da Municipalidade e, da Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis

 

§ 4º  As Políticas Municipais de Comunicação e de Mobilização Comunitária serão preparadas e aprovadas em 45 (quarenta e cinco) dias após a realização das Conferências.

 

Art. 20.  As Políticas Municipais de Comunicação e de Mobilização Comunitária darão origem ao Plano de Desenvolvimento da Comunicação e Mobilização Comunitária a ser elaborado em conjunto pela Assessoria de Comunicação e pela Agência de Desenvolvimento da Itajubá Tecnópolis, cabendo a ambas promover sua implementação.

 

SUBTÍTULO II
Dos Índices de Avaliação da Administração Municipal

 

CAPÍTULO VI

Da Conceituação Geral

 

Art. 21.  A Secretaria Municipal de Planejamento e a Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis desenvolverão e aplicarão mecanismos de monitoramento e avaliação da administração municipal, através de regulamentação específica pelo Executivo, contemplando:

 

I - criação do Sistema de Avaliação de Desempenho da Gestão Municipal, integrado ao sistema de informações municipais governamentais e não governamentais, utilizando a tecnologia da informação, inclusive as informações produzidas do geoprocessamento;

 

II - a construção e consolidação de um elenco de Indicadores de Desempenho e Qualidade para cada Política e Plano ou Programa públicos, a ser utilizado pelos setores técnicos competentes por sua execução, baseados em reconhecimento de padrões de comportamento, nacionais e internacionais, a partir do processamento sistemático de dados e informações;

 

III - divulgação trimestral, regular, dos Indicadores de Desempenho e Qualidade apurados através dos canais de comunicação com a sociedade, para sua informação, orientação e acompanhamento participativo;

 

IV - a garantia da participação cidadã e da comunicação entre as autoridades e a comunidade e, ainda, o acompanhamento citado no inciso anterior, através de canal adequado, institucionalmente constituído.

 

Art. 22.  Os Indicadores de Desempenho e Qualidade propiciarão o gerenciamento e a integração das ações de implementação necessárias à plena realização do processo de desenvolvimento do Município e realimentarão as revisões e adequações das condições e dos pressupostos assumidos na formulação dos seus planos, programas e empreendimentos, dos processos associados para sua efetivação e da legislação e regulamentação pertinentes, visando a melhoria da sua qualidade em benefício da maior efetividade e transparência da gestão pública.

 

Parágrafo único.  Os indicadores referidos no “caput” deste artigo serão constituídos tendo como embasamento as metas estipuladas para cada política, plano e programa públicos, refletindo, com rigor e precisão:

 

I - os objetivos;

 

II - os pressupostos;

 

III - os prazos;

 

IV - os beneficiários, enquanto benefício e enquanto participação;

 

V - os produtos e resultados;

 

VI - as medidas corretivas ou de ajuste, as revisões ou o plano de contingências.

 

TÍTULO III

Da Política Urbana

 

CAPÍTULO I

Dos Objetivos

 

Art. 23.  São objetivos da política urbana no município:

 

I - a promoção da estruturação do espaço da cidade e do município através da distribuição adequada da população, das atividades sócio-econômicas, da infra-estrutura básica e dos equipamentos urbanos e comunitários;

 

II - a integração e complementariedade das atividades urbanas e rurais;

 

III - a garantia de que a propriedade urbana cumpra a sua função social;

 

IV - a requalificação dos espaços públicos;

 

V - a recuperação e a preservação ambiental;

 

VI - a ampliação da mobilidade e acessibilidade;

 

VII - reforço da identidade cultural do município;

 

VIII - a prevenção de cheias.

 

Art. 24.  São estratégias para a consecução dos objetivos citados:

 

I - ordenamento físico-territorial visando o equilíbrio entre a ocupação e o uso do solo e a capacidade de suporte do ambiente natural e da infra-estrutura disponível;

 

II - a definição do sistema viário básico visando a articulação dos espaços, sua acessibilidade e a integração entre as áreas ocupadas e as áreas de expansão;

 

III - a utilização adequada dos vazios urbanos e das áreas de expansão da cidade;

 

IV - a estruturação de novos centros qualificados, orientando a expansão da cidade, valorizando os recursos naturais e dinamizando as atividades científico-culturais e econômicas.

 

CAPÍTULO II

Da Função Social da Propriedade

 

Art. 25.  A função social da propriedade se expressa através dos fundamentos deste Plano Diretor de Desenvolvimento municipal e de sua regulamentação e legislação complementares.

 

Parágrafo único.  O direito de propriedade não pressupõe o direito de construir, sendo que este último se subordina ao estabelecido na legislação municipal pertinente.

 

Art. 26.  A regulação aqui estabelecida sobre a ocupação e o uso da propriedade visa, primordialmente, o desenvolvimento humano em uma cidade socialmente mais justa e ecologicamente equilibrada.

 

CAPÍTULO III

Dos Instrumentos

 

Art. 27.  São instrumentos para a aplicação da política urbana, sem prejuízo de outros previstos nas legislações municipal, estadual e federal:

 

I - Transferência de Potencial Construtivo;

 

II - Direito de Preempção;

 

III - Operações Urbanas;

 

IV - Urbanização Consorciada;

 

V - Legislações urbanísticas complementares;

 

VI - Tributações e incentivos.

 

Art. 28.  Define-se como Transferência de Potencial Construtivo a possibilidade do município autorizar a transferência do potencial construtivo dos imóveis objeto de restrições à ocupação por motivo de preservação ambiental, cultural e histórico e implantação de projetos especiais de interesse público.

 

§ 1º  O potencial construtivo a transferir corresponde à diferença entre a área já construída e aquela possível de ser construída na zona onde se insere o imóvel ou conjunto de imóveis objeto de restrição.

 

§ 2º  São passíveis de recepção da transferência do potencial construtivo os imóveis situados:

 

I - na Zona Central, até a altura máxima de 15 (quinze) pavimentos, exclusive pilotis;

 

II - nas áreas indicadas por lei específica, destinadas a projetos urbanísticos especiais.

 

Art. 29.  Será mantido registro mediante escritura pública, das transferências do potencial construtivo, constando os imóveis transmissores e receptores, bem como os respectivos potenciais construtivos transferidos e recebidos.

 

Parágrafo único.  O potencial construtivo transferido fica vinculado ao imóvel receptor, vedada nova transferência.

 

Art. 30.  Os valores para a transferência do potencial construtivo observarão equivalência entre os valores do metro quadrado dos imóveis de origem e receptor, de acordo com a Planta Genérica de Valores utilizada para o cálculo do Imposto sobre Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis – ITBI.

 

Art. 31.  Define-se como Direito de Preempção a prioridade do município na aquisição de imóveis para implantação de planos, programas e projetos de interesse público para:

 

I - regularização fundiária;

 

II - execução de programas e projetos habitacionais de interesse social;

 

III - constituição de reserva fundiária;

 

IV - ordenamento e direcionamento da expansão urbana;

 

V - implantação de equipamentos urbanos e comunitários;

 

VI - criação de espaços públicos de lazer e áreas verdes;

 

VII - criação de unidades de conservação ou proteção de outras áreas de interesse ambiental;

 

VIII - proteção de áreas de interesse histórico, cultural ou paisagístico.

 

Parágrafo único.  Deverão ser previstas em leis específicas as áreas em que incidirá o direito de preempção e fixará prazo de vigência, não superior a 5 (cinco) anos, renovável a partir de um ano após o decurso do prazo inicial de vigência.

 

Art. 32.  Define-se como Operações Urbanas o conjunto de intervenções coordenadas pelo Executivo e com a participação de incorporadores, entidades da iniciativa privada e proprietários, objetivando projetos urbanísticos especiais em áreas previamente delimitadas. (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

§ 1º   A operação urbana pode ser proposta ao Executivo por qualquer cidadão ou entidade que nela tenha interesse.

 

§ 2º  As  operações urbanas poderão envolver intervenções como:

 

I - tratamento de áreas públicas;

 

II - melhorias no sistema viário;

 

III - implantação de programa habitacional de interesse público;

 

IV - implantação de equipamentos públicos;

 

V - recuperação do patrimônio natural e cultural;

 

VI - reurbanização;

 

VII - regularização.

 

Art. 33.  As operações urbanas deverão ser previstas em leis específicas, estabelecendo:

 

I - perímetro da área de intervenção;

 

II - a finalidade da intervenção;

 

III - Plano urbanístico proposto;

 

IV - os procedimentos de natureza econômica, administrativa e urbanística necessários ao cumprimento das finalidades pretendidas;

 

V - os parâmetros urbanísticos para o projeto;

 

VI - os incentivos fiscais e mecanismos compensatórios previstos em lei para os participantes da operação urbana ou para aqueles que por ela sejam prejudicados;

 

Parágrafo único.  Os projetos de lei referentes às operações urbanas poderão prever a remuneração de obras executadas por empresas da iniciativa privada através da concessão para exploração econômica do serviço implantado.

 

Art. 34.  Os recursos levantados para a realização das operações urbanas somente poderão ser aplicados em aspectos relacionados às mesmas.

 

Art. 35.  Define-se como Urbanização Consorciada a cooperação entre o município e o setor privado ou associações comunitárias, objetivando a implantação de infra-estrutura básica, de equipamentos públicos ou de empreendimentos de interesse social, em terrenos de propriedade pública ou privada, segundo condições estabelecidas por lei específica. (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

CAPÍTULO IV

Do Ordenamento do Território

 

Art. 36.  Constituem princípios básicos do ordenamento do território municipal de Itajubá:

 

I - expressar graficamente as diretrizes de desenvolvimento do município;

 

II - estimular a ocupação e o uso do solo de acordo com as especificidades das diferentes porções do território municipal;

 

III - estabelecer relações de complementariedade entre a área urbana e a área rural;

 

IV - manter a diversidade e a dinâmica dos espaços urbanos;

 

V - racionalizar a intensificação da ocupação e do uso do solo e os custos de produção da cidade;

 

VI - destacar o interesse público e social; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

VII - valorizar o patrimônio cultural e ambiental; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

VIII - permitir a participação cidadã na sua configuração.

 

Seção I

Das Macrozonas

 

Art. 37.  O território municipal divide-se em duas macrozonas denominadas Zona Urbana e Zona Rural.

 

Art. 38.  A linha divisória entre as macrozonas é o perímetro urbano, que define como Zona Urbana as áreas urbanizadas e as áreas de expansão urbana destinadas ao crescimento futuro da cidade, e como Zona Rural as áreas compreendidas entre o perímetro urbano e o limite municipal, destinadas aos usos rurais, conforme Anexo II.II.

 

Art. 39.  Na Zona Rural não será permitida a aprovação de loteamentos ou condomínios urbanos, sendo a área resultante de qualquer parcelamento ou desmembramento aquela equivalente, no mínimo, ao módulo rural estabelecido pelo INCRA, e sua infraestrutura básica será de responsabilidade exclusiva do empreendedor/proprietário, respeitando-se sempre a legislação ambiental vigente.

 

Art. 40.  Na Zona Rural, serão permitidas atividades destinadas à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal e mineral, agroindustrial e ecoturismo.

 

Parágrafo único.  As atividades de que trata o “caput” deste artigo somente serão permitidas após licenciamento ambiental.

 

Seção II

Do Zoneamento

(Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

Art. 41.  A ocupação e o uso do solo na Zona Urbana do município de Itajubá ficam estabelecidos pela definição e delimitação das seguintes zonas, considerando-se a disponibilidade de infra-estrutura, o meio físico, a capacidade de adensamento e o grau de incômodo e poluição causados ao ambiente urbano, conforme Anexo II. III e I.II.

 

I - Zona Central – ZCE – corresponde às áreas do centro tradicional da cidade, onde se concentram atividades de comércio e serviços de atendimento geral, sem excluir o uso residencial e as pequenas industrias não poluentes, e que, pela infraestrutura instalada, apresenta possibilidade de maior verticalização;

 

II - Zona de Adensamento – ZAD – corresponde às áreas que apresentam condições favoráveis ao adensamento controlado, com uso residencial multifamiliar e usos diversificados, desde que compatíveis com o uso residencial; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

III - Zona Predominantemente Residencial – ZPR – corresponde às áreas com predominância de uso residencial multifamiliar, com possibilidade de usos locais de comércio e serviços;

 

IV - Zona Residencial Unifamiliar – ZRU – corresponde às áreas com predominância de uso residencial unifamiliar, com possibilidade de usos locais de comércio e serviços;

 

V - Zona de Empreendimentos de Impacto – ZEI – corresponde às áreas onde é permitida a instalação dos usos comercial, de serviços, industrial ou institucional que ocasionem incomodidades incompatíveis com o uso residencial;

 

VI - Zona de Concentração de Atividades Econômicas – ZAE – corresponde às áreas adequadas à localização preferencial de usos diversificados de médio e grande porte, sem exclusão daqueles de pequeno porte;

 

VII - Zona de Expansão Urbana – ZEU – corresponde às áreas não parceladas pertencentes ao perímetro urbano e adequadas à ocupação urbana, de acordo com diretrizes expedidas pelo setor competente, observados os parâmetros estabelecidos nesta lei, permitindo o uso residencial uni e multifamiliar e os usos diversificados compatíveis com o uso residencial, como comércio, serviços e indústrias não poluentes, incluindo-se as indústrias de alta tecnologia, sendo que a Zona de Expansão Urbana se divide, de acordo com os Anexos II. III:

 

a) ZEU I – corresponde às áreas passíveis de expansão através de módulos mínimos de parcelamento de 200 m² (duzentos metros quadrados), nas regiões próximas aos acessos à cidade, ao Bairro Santa Rosa, ao Rebourgeon, Capetinga, Novo Horizonte e Açude;

 

b) ZEU II – corresponde às áreas passíveis de expansão através de módulos mínimos de parcelamento de 360 m² (trezentos e sessenta metros quadrados), nas regiões próximas ao “campus” universitário, aos bairros da:  Varginha, Medicina e à Piedade;

 

c) ZEU III – corresponde às áreas passíveis de expansão através de módulos mínimos de parcelamento de 1.000 m² (um mil metros quadrados), nas regiões do entorno do Parque Tecnológico e nos vales do Rio Sapucaí a montante e jussante e dos Ribeirões: da Estância, Anhumas, Piranguçu e Piranguinho.

 

§ 1º   Na Zona Urbana ocupada somente será permitida a criação de animais domésticos que não causem transtornos e desconfortos à população.

 

§ 2º  A ocupação da Zona de Expansão Urbana obedecerá aos limites estabelecidos pela faixa compreendida entre as cotas 845 (oitocentos e quarenta e cinco), no mínimo, e 950 (novecentos e cinqüenta), no máximo, para proteção das várzeas e dos topos.

 

§ 3º  Abaixo da cota 845 (oitocentos e quarenta e cinco), as áreas destinam-se a projetos especiais de proteção ambiental e à implantação de equipamentos de interesse público (ex.: avenidas, praças e parques, praças de esporte e àreas de lazer)

 

§ 4º  Acima da cota 950 (novecentos e cinqüenta), a instalação de qualquer uso ou equipamento dependerá de análise individual e aprovação pelas instâncias previstas nesta lei, com ratificação pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento da Itajubá Tecnópolis - CODIT.

 

§ 5º  São consideradas transtornos e desconfortos à população, a geração de impactos sobre o sistema viário e os meios de transportes, a geração de efluentes poluidores e de ruídos excessivos conforme legislação em vigor, ou que envolvam riscos à segurança de trabalhadores e munícipes.

 

§ 6º  Não será permitido o uso residencial na Zona de Empreendimentos de Impactos.

 

§ 7º  A ocupação da Zona de Empreendimentos de Impactos se dará através de análise individual e licenciamento ambiental, de acordo com os critérios estabelecidos pelos órgãos competentes.

 

Art. 42.  Além das zonas descritas, integram ainda o zoneamento do município de Itajubá as seguintes Áreas de Interesse Especial, as quais, por suas especificidades, deverão ter diretrizes que prevalecerão sobre as demais zonas:

 

I - Áreas de Interesse Social – AIS

 

II - Áreas de Interesse Urbanístico – AIU

 

III - Áreas de Interesse Cultural – AIC

 

IV - Áreas de Interesse Ambiental – AIA

 

V - Áreas de Interesse Tecnológico – AIT

 

VI - Áreas de Interesse Aeroportuário - AIP

 

§ 1º  O município poderá criar, em qualquer momento e através de lei específica, novas Áreas de Interesse Especial.

 

§ 2º  Se sobre uma mesma área incidir mais de uma classificação de Áreas de Interesse Especial, prevalecerão os parâmetros mais restritivos.

 

Art. 43.  As Áreas de Interesse Social - AIS - correspondem às áreas destinadas à manutenção e à instalação de moradias de interesse social, compreendendo duas categorias:

 

I - Áreas de Interesse Social I – AIS I – áreas destinadas à instalação de parcelamentos ou ocupação de interesse social;

 

II - Áreas de Interesse Social II – AIS II – áreas onde se faz necessária a regularização e/ou a recuperação de assentamentos humanos de interesse social.

 

§ 1º  Não serão passíveis de regularização urbanística e fundiária os assentamentos situados:

 

I - sob pontes, viadutos e redes de alta tensão ou sobre redes de água, esgotos, drenagem pluvial;

 

II - em áreas de preservação permanente ou inundáveis;

 

III - em áreas que apresentem riscos para a segurança de seus moradores;

 

IV - em áreas destinadas à implantação de obras ou planos urbanísticos de interesse coletivo;

 

V - em áreas formadas há menos de 12 (doze) meses da aprovação desta lei.

 

§ 2º  No caso de regularização de assentamentos irregulares localizados nas áreas de Interesse Social II - AIS - II, serão aceitos parâmetros urbanísticos diversos do que esta lei estabelece, desde que comprovadamente justificáveis, a serem definidos caso a caso por regulamentação específica, desde que não promovam descumprimento da legislação ambiental pertinente.

 

Art. 44.  As Áreas de Interesse Urbanístico – AIU – correspondem às áreas destinadas a intervenções específicas, visando a melhoria da estruturação urbana municipal, compreendendo duas categorias:

 

I - áreas de Interesse Urbanístico I – AIU I – Eixo Sapucaí – áreas destinadas à implantação do projeto de reurbanização das faixas ao longo do Rio Sapucaí, com a instalação de avenidas marginais e o reaproveitamento das áreas lindeiras conciliando a presença de usos diferenciados, tendo como objetivo:

 

- a recuperação ambiental das suas margens, mantendo áreas livres destinadas a parques para lazer, acomodação e escoamento de cheias;

 

- a produção de uma nova centralidade em um eixo linear nas áreas remanescentes, tendo o espaço público de qualidade como o elemento articulador e indutor das transformações e do dinamismo na cidade;

 

- a integração da malha viária, produzindo coesão urbana e articulação das diversas regiões da cidade.

 

II - Áreas de Interesse Urbanístico II – AIU II – áreas destinadas à implantação de equipamentos urbanos e instalação de centros de serviços e comércio de atendimento regional;

 

III - Áreas de Interesse Urbanístico III – AIU III – áreas destinadas à implantação de equipamentos institucionais e de serviços incompatíveis com os usos urbanos.

 

Parágrafo único.  Até que seja definido o projeto de reurbanização que trata o inciso I, os imóveis pertencentes à AIU I – Eixo Sapucaí, deverão permanecer com o uso atual, não podendo receber ampliações, sendo admitidas apenas as obras de manutenção, nem tampouco poderão ser ocupadas as áreas vagas nas faixas não edificáveis previstas em lei nas margens do Rio Sapucaí, assim como não serão emitidos novos alvarás de funcionamento para estabelecimentos comerciais, industriais ou de serviços.

 

Art. 45.  As Áreas de Interesse Cultural – AIC – correspondem às áreas pertencentes ao conjunto do centro tradicional da cidade, onde se encontram edificações e espaços representativos da memória e da identidade cultural da sua sociedade, os quais devem ser protegidos.

 

Parágrafo único.  Na AIC, o número máximo de pavimentos será limitado a 4(quatro), correspondendo a térreo e mais 3 (três) pavimentos, sendo que a verticalização nos índices adotados na Zona Central só será permitida a partir de um levantamento da estrutura fundiária, cadastro das edificações de valor representativo da memória da cidade e definição dos parâmetros para a sua ocupação, trabalho a ser desenvolvido pela Comissão de Acompanhamento e Implementação do Plano Diretor de Desenvolvimento e ratificado pelo Conselho de Desenvolvimento da Itajubá Tecnópolis e pelo Conselho de Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico do Município.

 

Art. 46.  As Áreas de Interesse Ambiental – AIA – correspondem às áreas necessárias à proteção de recursos naturais ou paisagísticos, compreendendo seis categorias:

 

I - Áreas de Interesse Ambiental I – AIA I – áreas destinadas à proteção das margens dos cursos d’água, obedecendo às seguintes larguras mínimas, medidas a partir da crista do talude do curso d’água:

 

a) dentro do perímetro urbano, 50 m (cinqüenta metros) no mínimo para o Rio Sapucaí e 30 m (trinta metros) para os seus afluentes, sendo, em ambos os casos, 15 m (quinze metros) para efeito de desapropriações;

 

b) fora do perímetro urbano, 50 m (cinqüenta metros) para o Rio Sapucaí e 30 m (trinta metros) para os seus afluentes, de acordo com o art. 92, Capítulo IX – Das Diretrizes para Parcelamento do Solo.

 

II - Áreas de Interesse Ambiental II – AIA II – áreas destinadas ao tratamento das margens ocupadas, de acordo com projetos específicos;

 

III - Áreas de Interesse Ambiental III – AIA III – áreas destinadas à conservação de praças e jardins públicos e clubes;

 

IV - Áreas de Interesse Ambiental IV – AIA IV – áreas destinadas à implantação de atividades e equipamentos de lazer e entretenimento;

 

V - Áreas de Interesse Ambiental V – AIA V – áreas destinadas à conservação da cobertura vegetal, conciliando essa conservação aos interesses públicos e privados;

 

VI - Áreas de Interesse Ambiental VI – AIA VI – áreas pertencentes ao Horto Florestal.

 

Parágrafo único.  As áreas de que trata o inciso V poderão ter sua utilização viabilizada através dos instrumentos de aplicação da política urbana de acordo com o Capítulo III – Dos Instrumentos, neste Título.

 

Art. 47.  As Áreas de Interesse Tecnológico – AIT – correspondem às áreas destinadas à implantação do Parque Tecnológico, a nordeste da cidade, ao longo do Ribeirão José Pereira, conforme Anexo II.IV , região de localização estratégica pela proximidade com o centro já consolidado, pela acessibilidade, pela disponibilidade de terrenos e pela paisagem, tendo como objetivos:

 

I - a ampliação do parque universitário, com a implantação de novas unidades de ensino superior e técnico, além de instituições ligadas à pesquisa e tecnologia;

 

II - a atração de indústrias e centros de serviços de alta tecnologia e mão-de-obra especializada;

 

III - a produção de uma nova centralidade em um espaço de alta qualidade ambiental voltado para a promoção do encontro social e da qualidade de vida;

 

IV - incremento a incubadoras de empresas, centros de pesquisa e desenvolvimento, e condomínios industriais, apoiados por serviços complementares tais como centro de convenções, conjuntos comerciais e hotéis de negócios.

 

V - a integração com as áreas urbanas já ocupadas através de  parques temáticos (ex.: estação ciência), constituindo-se as áreas de preservação em parques urbanos sob a responsabilidade do órgão gestor do Parque Tecnológico.

 

§ 1º  A ocupação dos terrenos do Parque Tecnológico deverá obedecer aos seguintes critérios:

 

I - diversificação, complementariedade e integração dos usos residencial, comercial, de serviços, industrial e institucional, buscando sua distribuição equilibrada durante as etapas de ocupação de suas áreas;

 

II - implantação de parques públicos e áreas de proteção ambiental ao longo dos cursos d’água e nas áreas de cobertura vegetal significativa, para atividades de lazer e convívio social;

 

III - ocupação verticalizada para ampliação das áreas verdes disponíveis e preservação da paisagem natural, sem prejuízo das densidades mínimas necessárias para a viabilização dos empreendimentos;

 

IV - Taxa de Ocupação máxima de 40% (quarenta por cento) e Coeficiente de Aproveitamento máximo de 6,0 (seis);

 

V - estacionamentos na proporção de 2 (duas) vagas por unidade para edificações residenciais, com 20% (vinte por cento) de vagas adicionais para visitantes; 1 (uma) vaga por empregado para edificações industriais, comerciais e de serviços; e 1 (uma) vaga por aluno nas instalações educacionais, além das demais exigências desta lei, no que diz respeito às faixas de acumulação;

 

VI - preservação das edificações históricas existentes, recuperando-as e definindo usos para sua revitalização;

 

VII - desenvolvimento do sistema viário em curvas de nível, sendo que o sistema troncal deverá respeitar os princípios do “calming traffic”;

 

VIII - implantação de um sistema de ciclovias em todo o Parque Tecnológico;

 

IX - implantação de um sistema de transporte público circular para atendimento dos seus usuários, conectado ao sistema de transporte público da cidade;

 

§ 2º  A ocupação prevista no parágrafo primeiro será definida por Lei Complementar.

 

Art. 48.  As áreas de interesse aeroportuário – AIP- correspondentes às áreas destinadas à implantação do aeroporto de Itajubá, a oeste da cidade, situadas entre a Av. Poços de Caldas, Ribeirão Anhumas até a avenida de interligação do Bairro da piedade e Rebourgeon, o final da Várzea do Ribeirão Anhumas a direita até a Av. Poços de Caldas.

 

Parágrafo único.  A ocupação prevista neste artigo será definida por Lei Complementar.

 

Art. 49.  Complementa o zoneamento da cidade a indicação dos Centros Sociais de Referência da Cidadania, de acordo com o estabelecido no Subtítulo V – Da Política Municipal de Assistência Social, Capítulo XIII – Dos Princípios e Objetivos, art. 211, § 1º.

 

Art. 50.  A Comissão de Acompanhamento e Implementação do Plano Diretor de Desenvolvimento deverá proceder às descrições perimétricas detalhadas que se fizerem necessárias à representação do zoneamento aqui expresso.

 

Seção III

Da Ocupação e Uso do Solo

 

Art. 51.  A ocupação e uso do solo em cada zona estão relacionados no Anexo I.II.

 

Art. 52.  São as seguintes as categorias de uso:

 

I - Residencial Unifamiliar e Multifamiliar;

 

II - Comercial e Serviços, que se subdivide em:

 

a) atendimento local: atividades com área construída máxima de 200 m2 (duzentos metros quadrados), que se destinam ao atendimento das necessidades cotidianas da população e que não produzam poluição sonora, atmosférica ou ambiental de qualquer natureza;

 

b) atendimento geral: atividades com área construída acima de 200 m2 (duzentos metros quadrados) e atacadistas de pequeno porte com área construída de até 500 m2 (quinhentos metros quadrados) e cujos impactos sobre o espaço urbano sejam mitigados através de dispositivos de controle da poluição sonora e atmosférica e da emissão de efluentes diversos, exceto aqueles relacionados como Serviços Especiais.

 

III - Misto, que compreende a implantação em um mesmo imóvel de duas ou mais categorias de usos aqui previstas;

 

IV - Institucional ou Serviço de Uso Coletivo, que compreende os espaços e instalações destinados à administração pública e às atividades de educação, cultura, saúde, assistência social, religião e lazer, se subdividindo em:

 

a) atendimento local: asilos, creches, associações, postos de saúde, escolas, correios, postos policiais, postos telefônicos e similares ;

 

b) atendimento geral: atividades não previstas na alínea anterior, com especial atenção na sua implantação quanto aos aspectos da segurança de seus usuários, exceto aqueles relacionados como Serviços Especiais.

 

V - Industrial, que se subdivide em:

 

a) não impactante: estabelecimentos cujo processo produtivo seja compatível com as atividades do meio urbano, não ocasionando, independentemente de uso de métodos especiais de controle da poluição, qualquer dano à saúde, ao bem-estar e à segurança das populações vizinhas;

 

b) impactante: estabelecimentos que, independentemente de seu porte, causem poluição atmosférica, hídrica ou sonora, e representam incômodo para as populações vizinhas, exigindo, no seu processo produtivo, instalação de métodos adequados de controle e tratamento de seus efluentes.

 

§ 1º  Pequenas indústrias não poluentes, não produtoras de ruídos, odores ou rejeitos poluentes, com área construída máxima de 200 m2 (duzentos metros quadrados), são permitidas em todas as zonas, desde que apresentem licenciamento ambiental aprovado pelos órgãos municipais competentes, de acordo com a legislação ambiental vigente e a Vigilância Sanitária.

 

§ 2º  Bares, restaurantes e similares, hipermercados e supermercados, açougues e peixarias ficam sujeitos a licenciamento especial para funcionamento, devendo apresentar projeto de instalação de acordo com as normas vigentes da Vigilância Sanitária e normas ambientais.

 

Art. 53.  Conforme os impactos que causam no ambiente urbano, pela atração de pessoas ou demanda de área de estacionamento e pela necessidade de movimento de veículos para carga e descarga, serão adotados os seguintes critérios que visam a redução desses impactos:

 

I - Para atividades atratoras de veículos leves:

 

a) reserva de área para embarque e desembarque dentro dos limites do próprio terreno, excetuando-se o recuo frontal, se houver;

 

b) previsão de acréscimo de 10%(dez por cento) no número de vagas de estacionamento previstas;

 

c) recuo do acesso de veículo à edificação, com faixa de acumulação de veículos se necessário, conforme Anexo I.V;

 

d) implantação de sinalização e equipamento de controle de tráfego;

 

II - Para atividades atratoras de veículos pesados:

 

a) reserva de área para carga e descarga dentro dos limites do próprio terreno, excetuando-se o recuo frontal, se houver;

 

b) previsão de área adicional para estacionamento em 15% (quinze por cento);

 

c) atendimento às alíneas c) e b) anteriores;

 

d) definição de trajeto de acesso dos veículos pesados de forma a compatibilizar a circulação com o sistema viário existente.

 

III - Para atividades atratoras de pessoas, reserva de área interna e coberta para filas.

 

IV - Para atividades que geram riscos de segurança:

 

a) aprovação de projeto específico de prevenção e combate a incêndio;

 

b) implantação de sistemas de alarme e segurança;

 

c) projeto de evacuação, inclusive quanto a deficientes físicos.

 

V - Para atividades geradoras de efluentes poluidores, odores, gases, ou radiações ionizantes:

 

a) tratamento da fonte poluidora por meio de equipamentos e materiais;

 

b) implantação de programa de monitoramento.

 

VI - Para atividades geradoras de ruídos e vibrações, implantação de sistemas de isolamento acústico e de vibrações.

 

Art. 54.  As atividades econômicas e de prestação de serviços de atendimento geral se localizarão nas vias coletoras e arteriais, respeitadas as limitações das zonas em que se situam e as medidas mitigadoras de impactos, de maneira que sua ocupação não prejudique o escoamento do fluxo de tráfego e a articulação viária.

 

Art. 55.  A instalação, a construção, a ampliação e o funcionamento de indústrias e de quaisquer empreendimentos que venham a sobrecarregar a infra-estrutura urbana ou repercutir significativamente no meio ambiente e no espaço urbano ficam sujeitos a licenciamento ambiental e avaliação de impacto urbanístico pelos órgãos municipais competentes, sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis.

 

Parágrafo único.  Deverá ser exigida para esse licenciamento a elaboração de Estudo de Impacto Ambiental - EIA e respectivo Relatório de Impacto Ambiental - RIMA, ou de Relatório de Controle Ambiental - RCA e Plano de Controle Ambiental - PCA, de acordo com a legislação ambiental vigente.

 

Art. 56.  Ficam classificados como Serviços Especiais aqueles serviços causadores de impactos ao meio ambiente urbano, sendo sua implantação objeto de projeto e licenciamento específicos aprovados pelos órgãos competentes:

 

I - empreendimentos não-residenciais com mais de 60 (sessenta) vagas de estacionamento;

 

II - empreendimentos residenciais com mais de 100 (cem) unidades;

 

III - estações e subestações de concessionárias de serviço público;

 

IV - serviços governamentais;

 

V - estabelecimentos de ensino de 1º, 2º e 3º graus;

 

VI - hospitais, clínicas, maternidades e sanatórios;

 

VII - hotéis e similares;

 

VIII - atividades com horário de funcionamento noturno, após as 22:00h (vinte e duas horas);

 

IX - conjuntos habitacionais de interesse social; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

X - comercialização de combustíveis, explosivos, fogos de artifício e gás liquefeito;

 

XI - aterros sanitários e usinas de reciclagem de resíduos sólidos;

 

XII - cemitérios e necrotérios;

 

XIII - matadouros e abatedouros;

 

XIV - centros de convenções;

 

XV - terminais aéreo, ferroviário e rodoviário;

 

XVI - terminais de carga;

 

XVII - autódromos, hipódromos e estádios esportivos;

 

XVIII - presídios;

 

XIX - quartéis e corpo de bombeiros;

 

XXI - jardim zoológico;

 

XXII - jardim botânico.

 

Art. 57.  As atividades de extração de minerais da Classe II (areia, cascalho e argila) obedecerão, quanto ao licenciamento específico, ao estabelecido na legislação sobre minerais e quanto ao Licenciamento Ambiental, às normas dos órgãos competentes Federais, Estaduais e Municipais.

 

Art. 58.  As atividades de mineração e garimpeira obedecerão ao estabelecido pelos órgãos competentes Federais, Estaduais e Municipais.

 

Art. 59.  A ocupação e o uso já existentes à época da aprovação do Plano Diretor e que se situam em áreas impróprias ou que não se enquadram nas definições estabelecidas, podem permanecer no local como uso não conforme, adotando medidas que amenizem os impactos causados e sendo vedada sua expansão, permitindo-se apenas as obras necessárias à manutenção das construções existentes.

 

CAPÍTULO V

Das Diretrizes de Adensamento

 

  Seção I

Dos Parâmetros Urbanísticos

 

Art. 60.  O controle do adensamento populacional de cada zona será feito através do tamanho mínimo do lote, da quota mínima de terreno por unidade habitacional, da taxa de ocupação e dos coeficientes máximos de aproveitamento dos terrenos, de forma a preservar a qualidade de vida urbana, conforme Anexo I.III.

 

§ 1º  O aproveitamento dos lotes será resultado da análise conjunta de todos os parâmetros, nenhum deles podendo ser empregado isoladamente.

 

§ 2º  Para edificações em terreno voltado para mais de um logradouro público, prevalecerão os critérios urbanísticos estabelecidos no zoneamento considerando-se a maior testada do terreno.

 

Art. 61.  A minimização dos efeitos das enchentes será dada através da adoção dos pilotis nas edificações verticais, de acordo com o inciso I do art. 64.

 

Parágrafo único.  Será permitida uma altura máxima de 3 (três) pavimentos além dos pilotis sem o uso de elevadores, com um pé-direito mínimo de 2,75m (dois metros e setenta e cinco centímetros).

 

Art. 62.  Quota mínima de terreno por unidade habitacional é o instrumento que controla a densidade nas edificações destinadas ao uso residencial ou na parte residencial das edificações de uso misto.

 

Art. 63.  Taxa de Ocupação - TO é a relação entre a área de projeção horizontal da edificação e a área do terreno.

 

Art. 64.  O potencial construtivo é calculado mediante a multiplicação da área total do terreno pelo Coeficiente de Aproveitamento - CA da zona em que se situa.

 

Art. 65.  Não são computados, para efeito de cálculo do CA:

 

I - os pilotis em edificações verticais, desde que destinados a estacionamento de veículos vinculado às unidades a que atendem, e destinados a acessos, portarias e lazer e recreação comunitários, podendo ter área fechada em até 30% (trinta por cento);

 

II - a área de circulação vertical coletiva;

 

III - a área de circulação horizontal coletiva até 2 (duas) vezes a área da caixa dos elevadores;

 

IV - a caixa d’água, a casa de máquinas e a subestação;

 

V - a guarita de até 6 m2 (seis metros quadrados);

 

VI - a zeladoria de até 15 m² (quinze metros quadrados), desde que dotada de instalação sanitária;

 

VII - a antecâmara, se exigida em projeto de prevenção e combate a incêndio e o cômodo para lixo, se exigido em projeto específico;

 

VIII - subsolo, quando destinado a estacionamento de veículos, sem limite de vagas, desde que sua laje de cobertura não se situe em nível superior ao ponto mais alto do alinhamento e as vagas sejam vinculadas às unidades a que atendem.

 

IX - as áreas destinadas a estacionamento de veículos acima do solo, no caso de não ser possível ou recomendável o uso do subsolo, sempre vinculadas às unidades a que atendem, de acordo com:

 

a) em edificações residenciais, até o limite de 4 (quatro) vagas por unidade residencial;

 

b) em edificações não-residenciais, até o limite de 1 (uma) vaga por unidade.

 

X - as áreas destinadas a estacionamento de veículos em edifícios-garagem até o limite da área do terreno onde se situa;

 

XI - as áreas abertas destinadas a sacadas, varandas ou balcões, com área até 10% (dez por cento) da área total do pavimento onde se localizam.

 

§ 1º  Os compartimentos cujo pé-direito exceder a 4,50m (quatro metros e cinqüenta centímetros) terão sua área calculada para efeito do CA da seguinte forma:

 

I - pé-direito superior a 4,50 m (quatro metros e cinqüenta centímetros) e inferior a 5,80 m (cinco metros e oitenta centímetros), a área será multiplicada por 1,5 (um e meio).

 

II - pé-direito superior a 5,80 m (cinco metros e oitenta centímetros), a área será multiplicada por 2 (dois).

 

§ 2º  A critério do setor responsável pela aprovação de projetos, poderá ser aceito pé-direito superior a 4,5m (quatro metros e meio) quando este for essencial ao funcionamento da atividade ali prevista como: cinemas, teatros, centros de convenções, templos e galpões industriais cujo processo produtivo e maquinários assim exigirem.

 

§ 3º  Legislação específica regulamentará os padrões construtivos das edificações;

 

Seção II

Da Permeabilidade

 

Art. 66.  Será garantida a permeabilidade mínima do solo em 10% da área do lote em toda edificação situada em qualquer das zonas do perímetro urbano aqui definidas, para todos os usos.

 

Parágrafo único.  A área permeável será de uso comum e não poderá coincidir com áreas de circulação ou estacionamento de veículos.

 

Seção III

Dos Recuos e Afastamentos

 

Art. 67.  Para garantir a ventilação e a insolação das unidades, nas edificações até 2 (dois) pavimentos os recuos laterais e de fundos, se existirem, serão de, no mínimo, 1,50m (um metro e cinqüenta centímetros), e nas edificações acima de 2(dois) e até 4(quatro) pavimentos, inclusive, os recuos laterais e de fundos serão de, no mínimo, 2,00m (dois metros).

 

Parágrafo único.  Para edificações acima de 4 (quatro) pavimentos, os recuos laterais e de fundos obedecerão ao Anexo I.VI.

 

Art. 68.  Em lotes para habitação de interesse social, que atendam as famílias de renda abaixo de 03 (três) salários mínimos mensais, os afastamentos e recuos poderão ser exigidos somente para cada terço das divisas, a TO será de 60% (sessenta por cento) e o CA de 1,2 (um e dois décimos). (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

Art. 69.  Os espaços externos ou internos (poço de iluminação) criados no volume das edificações acima de 02(dois) pavimentos para iluminar e ventilar os compartimentos são áreas descobertas classificadas como:

 

I - Áreas abertas - são aquelas formadas por recortes no volume das edificações, constituindo-se, em planta, em uma figura poligonal aberta, devendo obedecer ao seguinte dimensionamento mínimo:

 

a) permitir a inscrição de um círculo com diâmetro mínimo de 1,50m (um metro e cinqüenta centímetros);

 

b) permitir, a partir do primeiro pavimento acima do térreo, a inscrição de um círculo cujo diâmetro D, em metros, seja dado pela fórmula D = H / 8 + 2,00m onde H é a distância, em metros, do piso deste pavimento ao piso do último pavimento da edificação iluminado e ventilado pela área.

 

II - Áreas fechadas - são aquelas formadas por recortes nos volumes das edificações, constituindo-se, em planta, em uma figura poligonal fechada, interna ao volume da edificação, devendo obedecer ao seguinte dimensionamento mínimo:

 

a) área de projeção em planta mínima de 10,00m2 (dez metros quadrados);

 

b) permitir a inscrição de um círculo com diâmetro mínimo de 2,00m (dois metros);

 

c) permitir, a partir do primeiro pavimento acima do térreo, a inscrição de um círculo cujo diâmetro D, em metros, seja dado pela fórmula D = H / 5 + 2,00m onde H é a distância, em metros, do piso deste pavimento ao piso do último pavimento da edificação iluminado e ventilado pela área.

 

Parágrafo único. Os compartimentos de permanência prolongada somente poderão ser iluminados e ventilados através de área aberta.

 

Art. 70. Em edificações de uso diverso do residencial unifamiliar acima de 2 (dois) pavimentos o afastamento frontal mínimo será de 3,00m (três metros) para lotes até 500 m2 (quinhentos metros quadrados) e de 5,00m (cinco metros) para lotes iguais ou maiores que 500 m2 (quinhentos metros quadrados).

 

§ 1º  O recuo frontal será incorporado ao passeio, não sendo permitidos elementos construtivos nesses espaços.

 

§ 2º  Os níveis de subsolo poderão chegar no alinhamento do lote desde que sejam cumpridas as exigências quanto à permeabilidade.

 

§ 2º  Nas ZAD e ZPR o afastamento frontal será de no mínimo 2,00m (dois metros). (Redação dada pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

§ 3º  No caso de recuo frontal por exigência de futura ampliação do sistema viário, os lotes que tiverem sua área reduzida terão redução equivalente no valor do IPTU - Imposto Predial e Territorial Urbano.

 

Art. 71.  Em lotes situados em esquina, nenhum elemento construtivo poderá avançar no espaço definido pela projeção horizontal de um triângulo isósceles cujos lados iguais terão 1,50 m (um metro e cinqüenta centímetros) a partir do vértice comum que é coincidente com a esquina, até a altura mínima de 4 m (quatro metros).

 

Art. 72.  A altura máxima na divisa em edificações sem recuo será de 12,00 m (doze metros), não sendo permitidas aberturas nestes casos.

 

Seção IV

Das Vagas para Estacionamento

 

Art. 73.  O número mínimo de vagas para estacionamento de veículos será calculado de acordo com o Anexo I.IV.

 

§ 1º  Ficam excluídas dessa exigência as habitações unifamiliares.

 

§ 2º  O rebaixamento do meio-fio para acesso dos veículos às edificações terá no máximo, 2,50m (dois metros e cinqüenta centímetros) de largura em cada acesso;

 

§ 3º  Cada vaga de estacionamento terá largura mínima de 2,30m (dois metros e trinta centímetros) e comprimento mínimo de 4,50m (quatro metros e cinqüenta centímetros);

 

§ 4º  O corredor de circulação dos veículos terá largura mínima de 3,00m (três metros), 3,50m (três metros e cinqüenta centímetros) ou 5,00m (cinco metros), quando as vagas de estacionamento formarem, em relação ao mesmo, ângulos de 30o (trinta graus), 45o(quarenta e cinco graus) ou 90º (noventa graus) respectivamente.

 

Art. 74.  O Poder Executivo poderá reduzir ou suprimir a exigência de vagas obrigatórias para estacionamento de veículos na Área de Interesse Cultural – AIC, visando:

 

I - a viabilização da revitalização da edificação existente;

 

II - impedimento do agravamento das condições de circulação viária e de pedestres, desde que não ocorra prejuízo à funcionalidade da atividade.

 

Seção V

Dos Condomínios

 

Art. 75.  Para condomínios, as condições de ocupação e uso serão as seguintes:

 

I - ser constituído por unidades habitacionais isoladas, agrupadas, geminadas ou superpostas, em regime condominial;

 

II - área para implantação igual ou inferior a 10.000 m2 (dez mil metros quadrados);

 

III - cota de terreno por unidade habitacional mínima de 40 m2 (quarenta metros quadrados);

 

IV - Taxa de Ocupação e Coeficiente de Aproveitamento da zona em que se situa o terreno ou, em caso de Zona de Expansão, segundo diretrizes expedidas pelos setores competentes;

 

V - obrigatoriedade de uma área de estacionamento equivalente a 1(uma) vaga por unidade;

 

VI - recuos e permeabilidade obedecerão ao estabelecido nesta lei, assim como condições de iluminação e ventilação;

 

VII - a manutenção dos espaços comuns é de responsabilidade do próprio condomínio;

 

VIII - apresentar uma guarita de, pelo menos, 4 m2 (quatro metros quadrados) na entrada do condomínio;

 

VIII - Apresentar uma guarita de, pelo menos, 4 m² (quatro metros quadrados) na entrada do condomínio, excetuando o caso de unidade habitacional multifamiliar geminada; (Redação dada pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

§ 1º  Consideram-se residências geminadas 2 (duas) unidades de moradia contíguas, que possuam uma parede comum. (Incluído pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

§ 2º  Será permitida, em cada lote, a edificação de, no máximo 2 (duas) unidades autônomas, desde que satisfaçam às seguintes condições: (Incluído pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

I - constituírem, especialmente no seu aspecto estético, uma unidade arquitetônica definida; (Incluído pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

II - observarem condições de ocupação fixadas pela Lei de Zoneamento; (Incluído pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

III - a parede comum às residências deverá ser de alvenaria, com espessura mínima de 0,25 m (vinte e cinco centímetros), alcançando o ponto mais alto de cobertura; (Incluído pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

IV - cada uma das unidades deverá obedecer às demais normas estabelecidas nesta lei; (Incluído pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

V - seja indicada no projeto a fração ideal de terreno de cada unidade, que não poderá ser inferior a 100, 00 m² (cem metros quadrados). (Incluído pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

CAPÍTULO VI

Das Diretrizes Básicas de Sistema Viário

 

Art. 76.  São diretrizes referentes ao sistema viário:

 

I - a racionalização, simplificação e explicitação da lógica ordenadora do  sistema viário da Zona Urbana, visando melhoria do sistema de orientação e tráfego na cidade;

 

II - a efetiva integração dos bairros de Itajubá, através da extensão, conexão, ordenação e hierarquização de suas vias, através de um Sistema de Articulação dos Vales;

 

III - a melhoria das condições de tráfego na Zona Central – ZCE, com redução de sua importância como principal articuladora do sistema viário, através de um Sistema de Articulação da ZCE, onde será permitida e incentivada a construção de estacionamentos.

 

IV - a disponibilização de condições adequadas de acesso de todos os cidadão aos serviços públicos, privados, locais de trabalho, equipamentos de lazer e áreas centrais da cidade;

 

V - a disponibilização de maior oferta de oportunidades de encontro social e apropriação do espaço público pelos cidadãos de Itajubá;

 

VI - a redução ao mínimo do conflito entre veículos e pedestres através da disponibilização de condições adequadas de conforto e segurança para a circulação e permanência de pedestres nos espaços públicos, em especial na Zona Central;

 

VII - a disponibilização de condições adequadas de conforto e segurança para usuários de bicicletas e outros veículos não motorizados, através de um Sistema de Ciclovias;

 

VIII - o aprimoramento da sinalização de orientação e segurança;

 

IX - a disponibilização de condições para o incremento da arborização na Zona Urbana, de acordo com projetos específicos, integrados às políticas ambientais;

 

X - a mitigação de impactos causados pela impermeabilização do solo através do incremento de áreas permeáveis em passeios e canteiros centrais, além da utilização de calçamento permeável nas vias locais e ciclovias;

 

XI - a proteção ambiental, a preservação das várzeas, da qualidade e quantidade das águas que nascem e correm no município, através do respeito às faixas de domínio prescritas pela legislação ambiental e da garantia de condições técnicas para instalação de interceptores de esgoto junto aos corpos d’água;

 

XII - a redução dos impactos causados pelas enchentes na cidade através da implementação integrada de barragens para controle de cheias (bacias de retenção), segundo projetos específicos a serem desenvolvidos pelas instituições competentes, junto às novas vias planejadas, conforme Anexo II, VI;

 

XIII - a integração planejada do sistema de transporte público e sistema viário através de obras para adequação e atendimento prioritário ao transporte coletivo;

 

XIV - a adequada articulação das vias urbanas com as rodovias existentes no município, com o desvio do tráfego pesado para a Rodovia de Contorno Perimetral Norte proposta;

 

XV - o reforço e consolidação do zoneamento e demais diretrizes deste Plano Diretor.

 

Art. 77.  Para feito desta Lei, as vias de circulação do município de Itajubá classificam-se em Principais e Secundárias, conforme a função que desempenham na articulação do seu território.

 

§ 1º  O Sistema Viário Principal é composto pelas rodovias federais, estaduais e municipais, pela Rodovia de Contorno Perimetral Norte, pelas Vias Arteriais, pelo Sistema de Articulação da ZCE, pelo Sistema de Articulação dos Vales e pelo Sistema de Ciclovias.

 

§ 2º  O Sistema Viário Secundário é composto pelas Vias Coletoras, pelas Vias Locais e pelas Vias de Pedestres, essas últimas a serem definidas em projetos específicos integrados à revitalização das áreas culturais e de comércio e serviços.

 

Art. 78.  Para a classificação das vias e emissão de diretrizes para o parcelamento do solo, ficam definidas como:

 

I - Vias Arteriais – vias principais de ligação entre bairros e entre os bairros e o centro, permitida a entrada de veículos nas vias apenas em locais bem sinalizados e o estacionamento em locais determinados de forma a favorecer a localização do comércio, serviços e outras atividades;

 

II - Vias Coletoras – vias auxiliares das vias arteriais, cumprindo o duplo papel de coletar e direcionar o tráfego local para as vias arteriais e de coletar e direcionar o tráfego das vias arteriais para as vias locais, de forma a minimizar impactos negativos, permitido o estacionamento em locais determinados para favorecer a localização do comércio, serviços e outras atividades de interesse do Município;

 

III - Vias Locais - vias destinadas predominantemente a promover acesso imediato às unidades de habitação, permitido o estacionamento de veículos;

 

IV - Vias de Pedestres – vias destinadas preferencialmente à circulação de pedestres em condições especiais de conforto e segurança, sendo permitido o tráfego eventual de veículos para acesso às unidades de habitação, para serviços públicos e privados e para segurança pública;

 

V - Ciclovias – vias destinadas ao uso exclusivo de bicicletas e veículos não motorizados, excluídos aqueles movidos por tração animal, com diferenciação de pisos para circulação de pedestres, não sendo permitido o estacionamento de veículos motorizados;

 

§ 1º  As novas vias planejadas deverão ser  implementadas de forma a preservar ao máximo as condições naturais de nascentes e cursos d’água do Município;

 

§ 2º  As novas Vias Arteriais propostas em várzeas e fundos de vale serão implementadas obedecendo às faixas de domínio determinadas pela legislação ambiental, com pistas de mão única em cada lado do vale, implementadas, sempre que possível, sobre aterros em cotas superiores às de enchentes com recorrência de 50 (cinqüenta) anos;

 

§ 3º As Vias Coletoras se caracterizarão, preferencialmente, como vias de mão única.

 

§ 4º  Todas as vias da Zona Central ou que cruzarem a mesma receberão tratamento diferenciado com sistema de intervenções físicas e de sinalização preferencial para segurança prioritária de pedestres;

 

§ 5º  O Anexo I.VI contém, além do mapa do sistema viário do Município, a caracterização geométrica das vias, com tabelas e desenhos que explicitam parâmetros mínimos de conformação de cada tipo.

 

Art. 79.  Deverão ser elaborados, em complementação a esta lei, os Planos Municipais de Classificação Viária, Transporte Público, de Pavimentação e Manutenção do Sistema Viário, de Segurança de Tráfego e Segurança de Pedestres.

 

§ 1º  O Executivo Municipal elaborará, no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses após a publicação desta lei os Planos Municipais citados no “caput” deste artigo.

 

§ 2º  Deverão ser tomadas as medidas necessárias para a integração do Município ao Sistema Nacional de Trânsito, nos termos da legislação vigente.

 

Art. 80.  Nas faixas marginais às rodovias federais, estaduais e/ou vicinais e nas faixas marginais da Rodovia de Contorno Perimetral Norte, não se instalarão atividades com acesso pelas mesmas, mas sim através de um sistema viário paralelo, definido em diretriz para as áreas a serem ocupadas, não sendo permitido o assentamento residencial nessas vias marginais.

 

CAPÍTULO VII

Da Requalificação dos Espaços Públicos

 

Art. 81.  Os espaços públicos serão objeto de tratamento para sua recuperação e/ou requalificação, através de projetos específicos elaborados pela comunidade, escolhidos através de concurso público, considerando:

 

I - a consolidação do centro da cidade como local de encontro;

 

II - a instalação de mobiliário urbano, banheiros públicos e equipamentos de tecnologia da informação para utilização dos cidadãos quanto a informações e serviços públicos e acesso às redes de informação em geral;

 

III - a dinamização das atividades culturais e de comércio e serviços, inclusive nos bairros;

 

IV - a ampliação da segurança urbana, com atenção para os idosos, as crianças e os deficientes físicos;

 

V - a garantia de acesso aos espaços e edificações para o deficiente físico;

 

VI - a democratização dos espaços públicos;

 

VII - a integração dos meios de transportes, privilegiando o pedestre e garantindo o direito de ir e vir;

 

VIII - a recuperação ambiental através de programas de arborização e paisagismo e a instalação de sistemas coletores de resíduos;

 

IX - a qualidade das praças e parques públicos;

 

X - a intervenção organizada das comunidades locais.

 

CAPÍTULO VIII

Dos Bairros Rurais

 

Art. 82.  Os núcleos de ocupação na Zona Rural, identificados como bairros rurais, serão objeto de planos, programas e projetos específicos, visando sua estruturação e desenvolvimento, considerando:

 

I - a manutenção permanente da acessibilidade e da articulação entre os bairros e entre os bairros e a sede municipal, através da manutenção adequada do sistema viário vicinal;

 

II - a implantação e/ou a complementação da infra-estrutura básica, do saneamento e dos equipamentos sociais e educacionais;

 

III - a busca de alternativas de geração de emprego e renda associadas às vocações locais;

 

IV - a recuperação e preservação do seu patrimônio histórico, cultural e ambiental;

 

V - estabelecimento de parcerias entre os organismos públicos e privados e a comunidade local para a gestão do seu desenvolvimento, através do manejo adequado do uso do solo, adoção de medidas mitigadoras de impactos e identificação de fontes de financiamento;

 

VI - a implantação de mecanismos de capacitação e participação da população local nos processos relativos ao seu desenvolvimento;

 

CAPÍTULO IX

Das Diretrizes para Parcelamento do Solo

 

Art. 83.  Sem prejuízo do estabelecido nas legislações municipal, estadual e federal vigentes, especialmente na Lei Federal 6.766, de 19 de dezembro de 1.979, na Lei Federal 9.785, de 29 de janeiro de 1.999 e na lei Federal 10.257 de 10 de julho de 2.001, o parcelamento do solo no município de Itajubá deverá obedecer também às diretrizes aqui estabelecidas, especialmente neste título e no Título IV – Da Política Municipal de Meio Ambiente e de Saneamento Básico

 

Art. 84.  Os parcelamentos do solo com área igual ou superior a 25 ha (vinte e cinco hectares) somente serão aprovados mediante licenciamento ambiental pelo Conselho Estadual de Política Ambiental – COPAM.

 

§ 1º  Os loteamentos com área até 25 ha (vinte e cinco hectares) sujeitam-se à gestão ambiental por parte do órgão responsável pelo meio ambiente no município, atendendo aos critérios estabelecidos, com aprovação pelo Conselho Municipal de Conservação, Defesa e Desenvolvimento do Meio Ambiente – CODEMA.

 

§ 2º  Para efetivação do controle ambiental, deverão ser apresentados os seguintes documentos:

 

I - relatório de Controle Ambiental – RCA e Plano de Controle Ambiental – PCA, constituído por diagnóstico sucinto da área e seu entorno, identificação dos impactos e proposta de medidas mitigadoras e/ou compensatórias;

 

II - laudo geotécnico assinado por profissional habilitado, comprovando a capacidade de suporte do solo;

 

III - anuência prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, relativa à intervenção em áreas de preservação permanente;

 

IV - parecer do Instituto Estadual de Florestas – IEF, relativo ao meio biótico.

 

Art. 85.  Os empreendimentos de parcelamento do solo, na parcela que lhes compete, deverão ter na sua concepção a permanência das condições hidrológicas originais da bacia, através de alternativas de amortecimento da vazão pluvial, respeitando diretrizes determinadas pelos setores competentes.

 

Art. 86.  Não será permitido o parcelamento do solo de áreas:

 

I - alagadiças ou sujeitas à inundação;

 

II - alagadiças ou contínuas a mananciais, cursos d’água, represas e demais recursos hídricos sem a prévia manifestação das autoridades competentes;

 

III - necessárias à preservação ambiental, como as áreas de cobertura vegetal significativa, topos dos morros e matas ciliares, à defesa do interesse cultural e/ou paisagístico, como as Áreas de Interesse Ambiental definidas pelo zoneamento;

 

IV - necessárias à implantação de planos, programas e projetos essenciais ao desenvolvimento do município;

 

V - sem condições de acesso e/ou atendimento por infraestrutura básica adequada;

 

VI - cujas condições geológicas e hidrológicas não aconselhem a edificação;

 

VII - cuja declividade natural seja igual ou superior a 30% (trinta por cento) ressalvadas a permissão e exigências elencadas no § 1º.

 

VIII - que tenham sido aterradas com material nocivo à saúde pública, antes de serem saneadas;

 

IX - que apresentem condições sanitárias inadequadas devido à poluição, até a correção do problema.

 

§ 1º  O parcelamento de áreas com declividade entre 30% (trinta por cento) e 35% (trinta e cinco por cento) somente será admitido se oferecer segurança técnica de estabilidade do solo, confirmada através de apresentação de laudo geotécnico e projetos de contenção acompanhados de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – CREA-MG.

 

§ 2º  Nas áreas referidas no parágrafo anterior, as vias deverão se desenvolver em curvas de nível, prioritariamente.

 

§ 3º  As áreas não parceláveis deverão sempre se limitar com vias públicas.

 

§ 4º  Fica excluída da proibição constante do inciso I a área adjacente ao Ribeirão Piranguçu, no Distrito Industrial, transformada por esta Lei Complementar em ZEI. (Incluído pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

§ 5º  A exceção prevista no § 4º, fica condicionada à tomada de providências para assegurar o escoamento das águas e à aprovação dos órgãos ambientais competentes. (Incluído pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

Art. 87.  Será considerado como uso urbano o parcelamento ou desmembramento ocorridos fora do perímetro urbano, para fins de chacreamento, abaixo do módulo rural admitido pelo INCRA, submetendo-se às legislações urbana e tributária municipais.

 

Parágrafo único.  A modificação do uso de propriedade rural para fins urbanos fica condicionada à prévia autorização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA e da Prefeitura Municipal.

 

Art. 88.  O Cartório de Registro de Imóveis comunicará à Prefeitura Municipal os pedidos de registro de parcelamento e condomínios, além da necessária publicação na imprensa, não sendo permitido o registro de frações ideais de condomínios não aprovados pela Prefeitura Municipal ou registro de frações ideais de terreno com localização, numeração ou metragem, caracterizando parcelamento do solo.

 

Art. 89.  É obrigatória a transferência ao Município de, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) da gleba a ser parcelada, para instalação de equipamentos urbanos e comunitários, sistema de circulação e espaços livres de uso público.

 

§ 1º  Para efeito do “caput” deste artigo, são definidos como:

 

I - equipamentos urbanos são as instalações públicas destinadas a abastecimento de água, serviço de esgoto, energia elétrica, coleta de águas pluviais, rede telefônica e gás canalizado.

 

II - equipamentos comunitários são as instalações públicas destinadas a educação, saúde, cultura, lazer, segurança e similares;

 

III - sistema de circulação são as vias necessárias ao tráfego de veículos e pedestres;

 

IV - espaços livres de uso público são as áreas verdes, de praças e similares.

 

§ 2º  O percentual a ser destinado a equipamentos urbanos e comunitários e a espaços livres de uso público será de, no mínimo, 15% (quinze por cento) da gleba a ser parcelada, sendo que 5% (cinco por cento) deverão apresentar declividade natural do terreno menor ou igual a 15% (quinze por cento).

 

§ 3º  Será determinada pelo Poder Executivo, com fundamento em parecer técnico, a localização das vias principais, das áreas destinadas a equipamentos urbanos e comunitários e dos espaços livres de uso público.

 

§ 4º  Não serão aceitas no cálculo de terrenos a serem transferidos as áreas:

 

I - definidas como não parceláveis pela legislação vigente;

 

II - relativas às faixas de servidão ao longo das linhas de transmissão de energia elétrica.

 

§ 5º  As áreas de que trata o inciso I do parágrafo anterior poderão ser transferidas caso haja justificado interesse público de ordem ambiental, sendo computada, para efeito do cálculo do percentual, apenas metade da área.

 

§ 6º  Não serão computados como áreas verdes os canteiros centrais ao longo das vias e os rotores.

 

§ 7º  As áreas transferidas ao Município terão, no mínimo, 12 m (doze metros) de frente para logradouro público.

 

§ 8º  As áreas destinadas a equipamentos urbanos e comunitários, a sistema de circulação e a espaços livres de uso público deverão constar no projeto de loteamento e no memorial descritivo.

 

Art. 90.  Nos parcelamentos destinados exclusivamente ao uso industrial, com lotes iguais ou superiores a 10.000m² (dez mil metros quadrados), aplicam-se os seguintes requisitos:

 

I - as áreas destinadas ao uso público somarão, no mínimo, 15% (quinze por cento) da área total da gleba;

 

II - das áreas mencionadas no inciso anterior, 5% (cinco por cento) serão destinados aos equipamentos urbanos e comunitários e a espaços livres de uso público;

 

Art. 91.  Para a ocupação das áreas de expansão urbana, os lotes atenderão aos seguintes requisitos:

 

I - possuírem frente para via pública, definida de acordo com os parâmetros geométricos das vias aqui estabelecidas, excetuando-se a via de pedestre;

 

II - não pertencerem a mais de um loteamento;

 

III - possuírem área mínima de 500 m² (quinhentos metros quadrados) quando lindeiros a vias arteriais e /ou de ligação regional;

 

IV - atenderem ao Anexo I.VIII em função de sua declividade;

 

V - integrarem quadras com extensão máxima de 250 m (duzentos e cinqüenta metros), entre vias, concordadas nas esquinas por um arco circular mínimo de 5 m (cinco metros).

 

Art. 92.  Os parcelamentos respeitarão faixas não edificáveis com larguras mínimas definidas de acordo com os seguintes critérios:

 

I - Ao longo de águas correntes e dormentes segundo o Decreto Estadual nº 33.944, de 18 de novembro de 1992, que regulamenta a Lei Estadual nº 10.561, de 27 de dezembro de 1991, a qual dispõe sobre a Política Florestal no Estado de Minas Gerais, dentro e fora do perímetro urbano: 50 m (cinqüenta metros) para o Rio Sapucaí e 30 m (trinta metros) para os seus afluentes, medidos a partir da crista do talude do curso d’água.

 

II - Ao longo das faixas de domínio das rodovias, ferrovias, dutos e cursos d'água canalizados, 15 m (quinze metros) de cada lado, sendo permitida a instalação de vias marginais.

 

Art. 93.  Os parcelamentos somente serão aprovados se inseridos nas diretrizes do planejamento municipal, permitindo o desenvolvimento urbano sustentável e atendidos os requisitos básicos das legislações pertinentes, inclusive quanto à documentação necessária, obrigatoriedade de infra-estrutura básica e respeito ao consumidor.

 

Parágrafo único.  Os parcelamentos de que trata o “caput” deste artigo deverão ser articulados por um sistema de vias coletoras integradas ao sistema arterial existente e/ou proposto e precedidos de emissão de diretrizes pelo órgão municipal competente.

 

Art. 94.  A incorporação de novas áreas de ocupação para atendimento ao Sistema Municipal de Habitação poderá ser feita observando-se os critérios de urbanização das áreas contíguas já ocupadas, se as condições assim o exigirem. (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

Seção I

Dos Loteamentos em Condomínios

 

Art. 95.  A instalação de loteamento em condomínios destina-se a abrigar edificações residenciais assentadas em um terreno sob regime de co-propriedade, sendo objeto de alvará e licenciamento ambiental por parte do Município, considerando as normas urbanísticas e ambientais vigentes.

 

Art. 96.  Os loteamentos em condomínios atenderão aos seguintes requisitos:

 

I - não impedir a continuidade do sistema viário existente ou projetado;

 

II - não impedir o acesso público a bens de domínio da União, Estado ou Município;

 

III - prever um espaço de lazer comum para os condôminos;

 

IV - instalar e manter infra-estrutura básica, os espaços comuns e o seu próprio sistema viário;

 

V - apresentar uma convenção de condomínio registrada no Cartório de Registro da Comarca;

 

VI - obedecer ao estabelecido na Seção V – Dos Condomínios, do Capítulo V – Das Diretrizes de Adensamento, neste Título;

 

VII - transferir ao município 15% (quinze por cento) da gleba para uso público, fora dos limites condominiais.

 

CAPÍTULO X

Da Gestão da Ocupação e Uso do Solo

 

Art. 97.  Será criada, por decreto do Executivo, a Comissão de Acompanhamento e Implementação do Plano Diretor de Desenvolvimento do Município de Itajubá – CAI, composta por técnicos da Prefeitura Municipal, com o objetivo de:

 

I - coordenar as ações necessárias à implantação e monitoramento do Plano Diretor;

 

II - analisar os casos omissos e/ou aqueles que necessitarem de avaliações específicas;

 

III - revisar e atualizar o Plano Diretor;

 

IV - revisar e atualizar a legislação urbanística complementar, especialmente as leis de perímetro urbano, parcelamento, ocupação e uso do solo e código de edificações, à luz do que aqui é estabelecido, em um prazo de 120 (cento e vinte) dias, após a aprovação deste Plano Diretor; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

V - acompanhar e deliberar sobre a aprovação de empreendimentos de impacto;

 

VI - acompanhar e deliberar sobre a revisão e atualização tanto do Plano Diretor como das legislações urbanísticas complementares

 

Parágrafo único.  Qualquer secretaria municipal deverá ter a sua participação nas decisões da comissão citada no “caput” deste artigo naquilo que julgue afeto às políticas setoriais de sua responsabilidade.

 

Art. 98.  As ações da comissão citada no artigo anterior serão submetidas à apreciação do Conselho Municipal de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis - CODIT.

 

TÍTULO IV

Da Política Municipal de Meio Ambiente e de Saneamento Básico

 

CAPITULO I

Das Disposições Preliminares

 

Art. 99.  A Política Municipal de Meio Ambiente e Saneamento Básico visa:

 

I - a conscientização da população quanto aos valores ambientais e à necessidade de recuperação, conservação e utilização adequada dos recursos naturais;

 

II - o controle para minimização e eliminação gradativa de impacto ambiental no solo, nas águas, no ar, na fauna e na flora, decorrentes do processo de urbanização;

 

III - o controle para minimização e eliminação gradativa de impacto ambiental no solo, nas águas, no ar, na fauna e na flora, decorrentes da ocupação e uso do solo rural;

 

IV - o controle para minimização e eliminação gradativa de impacto ambiental no solo, nas águas, no ar, na fauna e na flora, das áreas de preservação permanente e das reservas biológicas;

 

V - o equilíbrio entre o meio ambiente, o desenvolvimento econômico e as condições de vida da população;

 

VI - a criação e implantação de áreas de proteção ambiental e reservas biológica e/ou ecológica, no interesse maior de proteção do meio ambiente e seus ecossistemas, em observação às legislações federal, estadual e municipal;

 

VII - o desenvolvimento de programas setoriais no sentido da recuperação ambiental das áreas urbana, rural, e controle de cheias do sistema hídrico do município, em especial no que se refere ao Rio Sapucaí, em consórcio, convênio ou associação com agências federais, agências estaduais, municípios da bacia, segmentos acadêmicos, segmentos econômicos e segmentos de representação social do município e de outros;

 

VIII - a promoção da universalização dos serviços de saneamento básico segundo os princípios de equidade, qualidade, regularidade e confiabilidade, ao menor custo possível;

 

IX - a articulação com as agências federais e estaduais nas ações que visem o alcance dos objetivos descritos nos incisos anteriores;

 

X - a articulação com os municípios da região nas ações que visem o alcance dos objetivos descritos nos incisos anteriores e de interesse comum;

 

XI - a articulação com as agências não governamentais e/ou representações comunitárias, nas ações que visem o alcance dos objetivos descritos nos incisos anteriores;

 

XII - a integração dos diversos segmentos da Administração Municipal na gestão ambiental e de saneamento básico urbano/rural;

 

XIII - a implantação do Sistema de Licenciamento Ambiental Municipal, definindo condições estruturais e organizacionais para o seu correto funcionamento;

 

XIV - a implantação e manutenção de um sistema eficiente de fiscalização dos processos impactantes do meio ambiente, em sincronia com a Vigilância Sanitária e Defesa Civil, definindo condições estruturais e organizacionais para o seu correto funcionamento.

 

CAPITULO II

Do Meio Ambiente

 

Art. 100.  A gestão ambiental compreende, em especial:

 

I - sistema hidrográfico superficial e subterrâneo, garantindo seu uso racional e adequado;

 

II - o relevo e o solo, considerando as restrições à urbanização e ao uso agro-pastoril;

 

III - o ar, considerando sua qualidade;

 

IV - a vegetação, considerando sua importância para a paisagem, para a biota, para a preservação do solo e para a manutenção do ciclo hidrológico;

 

V - os espaços públicos e privados, considerando a poluição visual, do solo, hídrica, sonora, do ar, e o lançamento inadequado de resíduos sólidos, líquidos e gasosos.

 

Art. 101.  Para consecução dos objetivos visados nesta Lei, compete ao Poder Público Municipal:

 

I - promover a educação ambiental multidisciplinar nas escolas existentes no Município e disseminar as informações necessárias ao desenvolvimento da consciência crítica da população para a preservação e recuperação do meio ambiente;

 

II - assegurar o livre acesso às informações ambientais básicas e divulgar, sistematicamente, os níveis de qualidade do meio ambiente do Município;

 

III - prevenir e controlar a poluição, o desmatamento, a erosão, o assoreamento e outras formas de degradação ambiental e recuperar as áreas já comprometidas;

 

IV - preservar e recuperar as florestas, a fauna, a flora, monitorar e controlar, em ação conjunta com os órgãos federal e estadual, a extração, captura, produção, comercialização, transporte e consumo de seus espécimes e subprodutos, impedir as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem extinção ou submetem os animais à crueldade;

 

V - Criar parques, reservas biológicas e/ou ecológicas, áreas de preservação permanente, e outras unidades de conservação, mantê-los sob especial proteção e dotá-los da infra-estrutura indispensável às suas finalidades, incluindo as turísticas;

 

VI - estimular e promover o reflorestamento com espécimes nativas, objetivando especialmente a proteção de encostas, de taludes das obras civis, inclusive os taludes da calha dos rios, ribeirões e córregos;

 

VII - estimular e promover o reflorestamento, com espécimes nativas, das várzeas, das encostas e dos topos das montanhas ou morros;

 

VIII - estimular e promover a revitalização, com espécimes nativos, das matas ciliares, das nascentes e dos talvegues;

 

IX - fiscalizar a produção, a comercialização, o emprego de técnicas e/ou métodos, de substâncias que importem riscos para a vida, para a qualidade de vida e para o meio ambiente, bem como o transporte e o armazenamento dessas substâncias no território municipal;

 

X - registrar, acompanhar, e fiscalizar as concessões de direito de pesquisa e exploração de recursos biológicos, hídricos e minerais;

 

XI - anuir, através do órgão municipal de controle e política ambiental, o licenciamento para início, ampliação e desenvolvimento de quaisquer atividades, ou seja, construção, reforma ou parcelamento do solo, capazes de causar a degradação do meio ambiente, sem prejuízo de outras exigências legais;

 

XII - estimular a pesquisa, o desenvolvimento e a utilização de fontes de energia alternativa não poluentes, bem como da utilização de tecnologias poupadoras de energia;

 

XIII - implantar e manter hortos florestais que visem à recomposição da flora nativa e à produção de espécimes destinados à arborização dos logradouros públicos e à distribuição de mudas;

 

XIV - promover arborização dos logradouros públicos da área urbana, bem como a reposição dos espécimes em processo de deterioração ou extinção.

 

§ 1º  O licenciamento de que se trata o inciso XI, dependerá, no caso de atividade ou obra potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, de prévia avaliação ambiental pelo órgão competente, seguido de audiências públicas para informação e discussão sobre o projeto.

 

§ 2º  Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado, desde o início da atividade, a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com a solução técnica previamente anuída e/ou aprovada pelo órgão municipal de controle e política ambiental.

 

§ 3º  O ato lesivo ou de degradação ao meio ambiente sujeitará ao infrator, pessoa física ou jurídica, a interdição temporária ou definitiva das atividades, sem prejuízo das demais sanções administrativas e penais, bem como da obrigação de reparar os danos causados, sob orientação de especialista e devidamente anuído e/ou aprovado pelo órgão competente municipal;

 

Art. 102.  São vedados no território municipal:

 

I - a produção de aerossóis que contenham o clorofluorcarbono;

 

II - o armazenamento e a eliminação inadequada de resíduo tóxico ou de risco;

 

III - a caça profissional, amadora e esportiva e a pesca profissional;

 

IV - a instalação e operação de dragas de areia no perímetro urbano do Município;

 

V - o transporte, através do território do Município, de cargas consideradas perigosas e/ou tóxicas, sem o prévio licenciamento do órgão municipal competente;

 

Art. 103.  É vedada a Administração Pública Municipal, contratar e conceder privilégios fiscais, a quem estiver infringindo as legislações e normas de proteção ambiental, bem como a renovação de concessão ou permissões de serviços públicos municipais.

 

Parágrafo único.  Para os fins previstos neste artigo, competirá ao órgão municipal controlador de meio ambiente, realizar a devida autuação e de acordo com o devido processo legal.

 

Art. 104.  Entre as medidas de preservação do meio ambiente, o Poder Público Municipal, através de seus órgãos e entidades competentes, promoverá as seguintes políticas:

 

I - reduzir o máximo possível, a aquisição e utilização de material não reciclável e não biodegradável, além de divulgar os malefícios desses materiais para o meio ambiente;

 

II - controlar a emissão de poluentes por veículos automotores, e estimular a implantação de medidas e uso de tecnologias que venham a minimizar seus impactos;

 

III - implantar medidas preventivas e corretivas para a recuperação e preservação dos recursos hídricos;

 

IV - estimular à adoção de alternativas de pavimentação, como forma de garantir menor impacto devido à impermeabilização do solo;

 

V - incentivar a criação, manutenção e preservação de áreas verdes públicas dentro do perímetro urbano, em caráter permanente e em proporção nunca inferior a 12 m² (doze metros quadrados) por habitante;

 

VI - adequar o perfil industrial do Município, incentivando a implantação de indústrias de menor impacto ambiental, ou de controle tecnológico de poluição reconhecidamente eficaz;

 

VII - adequar seus próprios projetos e obras aos requisitos ambientais solicitados a todos os outros atores da sociedade.

 

Art. 105.  Ficam criadas as Áreas de Preservação Ambiental denominadas Área de Preservação Ambiental Lourenço Velho, Reserva Biológica Serra dos Toledos e Área de Preservação Ambiental Sul, delineadas no Anexo II.II desta lei.

 

Parágrafo único.  O Poder Executivo, através de seus órgãos competentes, deverá estabelecer regulamentação para a utilização dessas áreas através dos seus respectivos planos de manejo, visando sua preservação e recuperação constantes e priorizando atividades de pesquisa científica e turismo ecológico.

 

Seção I

Dos Instrumentos

 

Art. 106.  A política municipal de Meio Ambiente observará, no que couber, a legislação e demais normas expedidas pela União, Estado, Município, e pelo Conselho Municipal de Conservação, Defesa e Desenvolvimento do Meio Ambiente – CODEMA, assim como:

 

I - Plano Diretor da Bacia do Rio Sapucaí e de seus afluentes;

 

II - Programa Municipal de Meio Ambiente;

 

III - Banco de Dados Ambientais;

 

IV - Programa Municipal de Drenagem Urbana e Rural;

 

V - Programa Municipal de Limpeza Urbana e Rural;

 

VI - Código Municipal de Postura Ambiental;

 

VII - Código Municipal de Arborização;

 

VIII - Código Municipal de Higiene e Saúde;

 

IX - Código Municipal de Posturas;

 

X - Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental.

 

§ 1º  O Poder Executivo Municipal adotará medidas, nos termos da legislação pertinente, para a criação do Fundo Municipal do Meio Ambiente, destinado a captar e utilizar recursos gerados pelos licenciamentos ambientais, ICMS Ecológico, infrações e demais fontes, para utilização prioritária nas atividades fins.

 

§ 2º  O Poder Executivo Municipal adotará medidas, quando julgar necessárias e nos termos da legislação pertinente, para formação de associação, e/ou celebração de convênio, e/ou estabelecimento de consócio, e/ou criação de uma Agência e/ou Empresa Municipal, com os objetivos de administrar, fundamentar tecnicamente os projetos e executar obras de saneamento, visando solucionar as causas e efeitos das inundações provocadas pelo Rio Sapucaí e seus afluentes.

 

§ 3º  O Poder Executivo Municipal deverá, nos termos da legislação pertinente, modificar e ampliar a estrutura física, administrativa e técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura, ou órgão que a venha substituir,  para que sejam alcançados os objetivos fixados nesta lei.

 

Seção II

Do Programa Municipal de Meio Ambiente

 

Art. 107.  O Executivo Municipal deverá elaborar o Programa Municipal de Meio Ambiente, submetendo-o à apreciação do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente – CODEMA, preliminarmente à aprovação da Câmara Municipal.

 

Art. 108.  O Programa Municipal de Meio Ambiente deverá regulamentar:

 

I - os padrões ambientais que assegurem a redução progressiva e no tempo, dos índices de poluição do solo, do ar, da água, sonora e visual;

 

II - os parâmetros para a elaboração dos Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental;

 

III - os padrões, parâmetros, comportamentos e procedimentos ambientais e penalidades do Código Municipal de Postura Ambiental;

 

IV - a integração do Município às políticas regional, estadual e federal de recuperação ambiental;

 

Art. 109.  O Programa Municipal de Meio Ambiente deverá priorizar os seguintes temas:

 

I - controle de cheias e inundações do Rio Sapucaí e de seus afluentes;

 

II - controle da poluição;

 

III - recuperação e conservação do ambiente urbano e rural;

 

IV - arborização urbana e paisagismo dos logradouros e espaços públicos;

 

V - educação ambiental.

 

§ 1º  São diretrizes para o controle de cheias e inundações do Rio Sapucaí e de seus afluentes:

 

I - recuperar a capacidade de escoamento das calhas dos rios, ribeirões, córregos de que compõem o sistema;

 

II - recuperar o nível de permeabilidade da bacia;

 

III - proteger as cabeceiras e margens de rios, ribeirões e córregos;

 

IV - instituir o sistema de alerta, para eliminar ou amenizar as conseqüências das chuvas;

 

V - criar um sistema de drenagem eficiente, capaz de suportar as demandas de máxima cheia;

 

VI - promover a apropriação das propostas efetuadas pelo Comitê e pelo Plano Diretor da Bacia do Rio Sapucaí;

 

VII - promover a apropriação das propostas dos estudos técnicos realizados pelas agências governamentais;

 

VIII - promover a apropriação das propostas contidas no Programa Municipal de Drenagem Urbana e Rural;

 

IX - estabelecer os contextos estratégico e técnico para o programa de educação ambiental e organização comunitária para os problemas das cheias;

 

X - promover a instalação da rede de monitoramento e controle de cheias na bacia (Pluviométrica, Fluviométrica, Linimétrica, Batimétrica).

 

§ 2º  São diretrizes para o controle da poluição:

 

I - promover o cadastramento hospitalar e de atividades afins, o cadastramento industrial e de outras atividades consideradas impactantes existentes no município, denominando, classificando e quantificando os agentes poluentes;

 

II - promover a instalação de rede de monitoramento da poluição sonora, do ar, do solo e subsolo, das águas superficiais e subterrâneas;

 

III - promover ações de monitoramento e fiscalização do Município, integradas às dos órgãos federais, estaduais, no controle de poluição hídrica, do solo, do ar e sonora, dando conhecimento público de seus resultados.

 

§ 3º  São diretrizes para a recuperação e conservação do meio ambiente urbano e rural:

 

I - promover a recuperação ambiental das áreas degradadas existentes, através de reposição, revitalização da vegetação, recomposição de erosões do solo, e controle das áreas susceptíveis a ações eólica, fluvial e pluvial, responsabilizando o causador da degradação;

 

II - promover a proteção, revitalização da flora e da fauna existentes na Reserva Biológica da Serra dos Toledos, através de projetos de caráter científico especializados;

 

III - promover a proteção e revitalização das matas ciliares e das nascentes;

 

IV - promover a proteção e revitalização das matas de transição e de topo;

 

V - promover a consolidação institucional e demarcação das áreas de proteção ambiental propostas no Plano Diretor;

 

VI - promover a elaboração de um Plano de Manejo Integrado para as Sub-bacias, em consonância com as diretrizes do Plano Diretor Municipal, do Comitê e Plano Diretor da Bacia do Rio Sapucaí.

 

§ 4º  São diretrizes para a arborização urbana e paisagismo dos logradouros e espaços públicos:

 

I - promover o inventário quali-quantitativo da arborização dos espaços públicos da cidade;

 

II - promover o cadastramento das espécies referenciadas pelo bairro, logradouro e residência;

 

III - promover a substituição ou supressão de espécies naqueles casos em que a espécie plantada estabelece conflitos irreversíveis com as estruturas de serviços e ordenamentos urbanos;

 

IV - promover a arborização dos logradouros nos quais arborização é inexistente ou insuficiente, inclusive nos novos loteamentos ou empreendimentos que envolvem o parcelamento do solo, em consonância com as diretrizes do sistema viário;

 

V - estabelecer o monitoramento e fiscalização tanto das mudas como das arvores adultas;

 

VI - promover a manutenção das espécies que inclua alem das praticas agronômicas necessárias, a proteção física das mudas até o ponto em que elas estejam susceptíveis ao vandalismo;

 

VII - promover a revigoramento do paisagismo das praças públicas, bem como consolidação das propostas contidas na nova ordenação territorial do Plano Diretor;

 

VIII - reativar e manter o horto florestal direcionado a produção de mudas para arborização urbana;

 

IX - criar o Código Municipal de Arborização, estabelecendo normas, padrões, especificações e penalidades.

 

§ 5º  São diretrizes para a educação ambiental:

 

I - divulgar os dados ambientais, promovendo o conhecimento e participação pública na hierarquização dos problemas e na definição de prioridades, com vistas a um trabalho de apoio ao programa de recuperação e conservação ambiental;

 

II - promover campanhas educativas e de conscientização ambiental, dando ênfase aos aspectos locais de conservação e recuperação do meio ambiente, junto às associações de bairro e outras;

 

III - apoiar sistematicamente às disciplinas de Educação Ambiental implantadas ou a serem implantadas na rede de ensino existente no Município;

 

IV - estabelecer convênios de cooperação técnica para o desenvolvimento de projetos de pesquisa e educação ambiental;

 

V - utilizar os equipamentos públicos disponíveis, tais como, Reservas Ecológicas, Áreas de Preservação Ambiental, Parques, Praças e Hortos, em projetos de educação ambiental.

 

Seção III

Do Banco de Dados Ambientais

 

Art. 110.  O Executivo Municipal, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura, ou órgão que a venha a substituir, deverá implantar um banco dados ambientais, integrado ao sistema municipal de informações geo-referenciadas, contendo, entre outras, as seguintes informações:

 

I - planos, programas, sub-programas, relatórios, projetos e outros documentos existentes para a Bacia do Rio Sapucaí;

 

II - ações institucionais na área de meio ambiente e de saneamento básico, em estudo e em andamento;

 

III - processos de licenciamento de empreendimentos, efetivo ou potencialmente impactantes, com respectivos estudos e relatório de impacto;

 

IV - atividades de monitoramento ambiental;

 

V - inventário, classificação e cadastramento do patrimônio natural do Município, atualizado periodicamente;

 

VI - cadastro com mapeamento das áreas degradadas urbanas, rural, e classificação dos impactos ambientais existentes;

 

VII - cadastro industrial e de outras atividade econômica com potencial poluidor hídrico, do solo, atmosférico e sonoro;

 

VIII - cadastro hospitalar e de atividades afins, com potencial poluidor hídrico, do solo, e atmosférico;

 

IX - cadastro classificatório das fontes de poluição sonora e atmosférica;

 

X - cadastro com mapeamento dos focos de doenças de veiculação animal;

 

XI - cadastro com mapeamento dos focos de doenças de veiculação hídrica;

 

XII - estudos e ações para controle de vetores;

 

XIII - organizações governamentais Federais e Estadual, que atuam na área ambiental;

 

XIV - organizações não governamentais do Município que atuam na área ambiental;

 

XV - legislações ambientais existentes, a nível Federal, Estadual e Municipal;

 

XVI - controle de contratos, de convênios e de outros instrumentos;

 

XVII - controle de infratores ambientais e dos débitos ambientais.

 

CAPITULO III

Do Saneamento Urbano

 

Art. 111.  O Saneamento Urbano compreende os seguintes serviços:

 

I - abastecimento de água potável;

 

II - esgotamento sanitário doméstico e industrial;

 

III - drenagem de águas pluviais;

 

IV - limpeza urbana;

 

V - controle de vetores.

 

Art. 112.  São objetivos da Política Municipal Saneamento Básico:

 

I - garantir o abastecimento de água tratada para a adequada higiene e conforto, com quantidade e qualidade compatível com os padrões estabelecidos nas legislações e normas;

 

II - promover a coleta de esgotos sanitários doméstico e industrial, bem como a implantação de interceptores, de estações de tratamento, e a destinação final de subproduto e/ou efluente oriundo do processo, em condições ambientais aceitáveis;

 

III - estabelecer os parâmetros necessários no caso de concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, no que diz respeito a prazos de implantação, contrapartidas, benefícios oriundos da exploração da concessão e outros que se fizerem necessários;

 

IV - incentivar e/ou promover em parceria ou não, o tratamento de esgotos sanitários e outros efluentes produzidos na zona rural;

 

V - garantir a expansão e/ou implantação do sistema de drenagem de águas pluviais, conforme contextos técnicos estabelecidos no Programa Municipal de Drenagem Urbana e Rural;

 

VI - promover em parceria ou não, a implantação de obra ou conjunto de obras objetivando atenuar os efeitos das cheias, definidas pelo Comitê e/ou Plano Diretor da Bacia do Rio Sapucaí;Assegurar os serviços de Limpeza Urbana nas suas fases executivas, observando as diretrizes do Programa Municipal de Limpeza Urbana;

 

VII - assegurar os serviços de limpeza e conserva dos espaços públicos e de seus equipamentos, como varrição, capina, poda de arvores, limpeza de rede tubular e celular, limpeza de boca de lobo e caixa de passagem;

 

VIII - Assegurar os serviços de limpeza, conserva, remoção de matagal e entulhos das margens do Rio Sapucaí, Ribeirão José Pereira, Ribeirão Anhumas, Ribeirão Piranguinho, Ribeirão Piranguçu, Córrego Água Preta e demais cursos d’água;

 

IX - Assegurar os serviços de limpeza, conserva, remoção de matagal e entulhos das áreas urbanas privadas e lotes vagos, utilizando para isto os instrumentos legais disponíveis no Código Municipal de Postura Ambiental;

 

X - Assegurar a coleta e transporte de lixo domestico produzido nos locais de difícil acesso, no perímetro urbano;

 

XI - Incentivar e/ou promover o tratamento de lixo gerado na zona urbana e rural, inclusive reciclagem de matéria orgânica e destinação final de embalagens de produtos tóxicos;

 

XII - Efetivar o controle de vetores.

 

§ 1º  As ações pontuais de saneamento básico serão precedidas de planejamento, que incluirá campanhas educativas e atenderá aos critérios de avaliação do quadro sanitário da área que será beneficiada, objetivando a reversão e a melhoria do perfil epidemiológico.

 

§ 2º  O Poder Público desenvolverá mecanismos institucionais, que compatibilizem as ações de saneamento básico, habitação, desenvolvimento urbano, e preservação do meio ambiente.

 

§ 3º  O Poder Público poderá compor ou integrar com outros Municípios, nos casos em que se couberem ações conjuntas, principalmente na solução da destinação final de resíduos sólidos.

 

Art. 113.  O Município manterá o sistema de limpeza urbana como, coleta de lixo (domiciliar, hospitalar, clinica, laboratório, drogaria, farmácia, odontológico, veterinário, logradouro público), transporte e destinação final de forma que se preserve o equilíbrio ecológico e se previnam ações danosas à saúde;

 

§ 1º  A coleta de lixo deverá ser seletiva.

 

§ 2º  Os resíduos recicláveis deverão ser acondicionados de modo a serem reintroduzidos no ciclo do sistema ecológico.

 

§ 3º  Os resíduos não recicláveis deverão ser acondicionados de maneira a minimizar os impactos ambientais no solo, na água e no ar.

 

§ 4º  A apresentação para coleta do lixo doméstico, lixo hospitalar e outros, deverá ser padronizada em função de suas características físicas, químicas e de seu poder contaminante, atendendo as normas federais e estaduais existentes.

 

§ 5º  O lixo hospitalar e afins (odontológico, farmácia, drogaria, clinica, laboratório) deverão ser apresentados para coleta em embalagem lacrada especial, e o transporte deverá ser feito em caminhões ou caminhonetes dotados de baú hermeticamente fechado.

 

§ 6º  O lixo hospitalar contaminado e/ou de risco, terá destinação final em incinerador público.

 

§ 7º  As áreas resultantes desativadas de deposição de lixo, serão destinadas à parques e/ou áreas verdes.

 

§ 8º  A comercialização de materiais recicláveis, por meio de cooperativas de trabalho, será estimulada pelo Poder Público.

 

Art. 114.  As ações comunitárias de controle e de obras de saneamento básico, serão executadas diretamente ou por meio de concessão ou permissão, visando ao atendimento adequado à população.

 

Seção I

Do Abastecimento de Água Potável, Esgotamento Sanitário e Tratamento

 

Art. 115.  O Executivo Municipal, através do órgão competente, deverá promover junto à concessionária, quando for o caso, as ações de controle de quantidade, de qualidade da água tratada e servida, procurar garantir os padrões estabelecidos nas legislações e normas existentes, promover o uso racional da água, combater às perdas e ao desperdício, utilizando para tanto, instrumentos educativos, técnicos e tarifários.

 

Parágrafo único.  A Administração Municipal e a concessionária, quando houver, deverão promover as ações de controle e fiscalização de uso de agrotóxicos na área de influencia da Bacia do Rio Sapucaí, à montante da Estação de Captação D’água, da Estação de Captação da Serra dos Toledos, bem como a proteção física destas fontes.

 

Art. 116.  O Executivo Municipal, através de suas secretarias e da concessionária de serviços, quando for o caso, deverão prover as áreas urbanas de interceptores e tratamento de esgoto sanitário domiciliar e industrial, compatibilizando os projetos técnicos com a nova ordenação territorial do Plano Diretor do Município e diretrizes do Programa Municipal de Meio Ambiente.

 

Parágrafo único.  O tratamento de esgotos deverá ser feito de forma descentralizada e com tecnologias adequadas a seu pleno funcionamento.

 

Art. 117.  O Executivo Municipal, através do órgão responsável pelo controle urbanístico, deverá exigir tratamento primário e/ou secundário de esgoto sanitário em novos empreendimentos industriais e loteamentos, da forma que a lei vier a definir.

 

Art. 118.  O Executivo Municipal, através do órgão de controle ambiental e sanitário, poderá contratar, celebrar convênios com laboratório independente, de reconhecida capacidade técnica, para efetuar regularmente análises de controle da potabilidade da água distribuída à população e da qualidade do esgoto despejado nos rios, ribeirões e córregos, estabelecendo uma rotina de divulgação dos resultados através, entre outros meios, da imprensa local.

 

Seção II

Da Drenagem de Águas Pluviais

 

Art. 119.  O Poder Executivo deverá, através dos órgãos responsáveis, proceder à elaboração do Programa Municipal de Drenagem Urbana e Rural, em consonância com as diretrizes:

 

I - cadastrar e mapear o sistema de drenagem urbana e rural, as características técnicas e funcionais das galerias tubulares, celulares, dos aparelhos de drenagem, dos pontos de lançamento, dos bueiros, das pontes e outros;

 

II - cadastrar e mapear as micro-bacias de contribuição externa dos sistemas de drenagem existentes, bem como das micro-bacias potenciais, tendo em vista a nova ordenação territorial do Plano Diretor;

 

III - proceder ao levantamento dos pontos de estrangulamento dos cursos d’água, estabelecendo as intervenções necessárias, de forma a possibilitar a adequada drenagem;

 

IV - proceder ao levantamento dos pontos críticos da rede de drenagem existente, estabelecendo as intervenções necessárias à otimização da mesma;

 

V - mapear as faixas de proteção ambiental de todos os cursos d'água, considerando a calha necessária para as vazões máximas, o acesso para manutenção de rotina, preservação da vegetação marginal existente e recuperação das áreas degradadas;

 

VI - indicar as áreas onde se faça necessário revitalizar a vegetação, para garantia da eficácia do sistema de drenagem;

 

VII - prever as intervenções necessárias em cursos d’água canalizados;

 

VIII - definir os cursos d'água à serem canalizados;

 

IX - prever a construção de dissipadores de água ao longo dos cursos d'água, quando necessários;

 

X - efetivar os estudos necessários para definição dos envoltórios da máxima cheia dentro da zona urbana e das novas áreas de expansão urbana previstas no Plano Diretor;

 

XI - definir as áreas para implantação de lagos para amortecimento dos efeitos das máximas cheias, observando as proposta do Plano Diretor;

 

XII - elaborar o programa de manutenção e limpeza da rede de drenagem e de seus aparelhos;

 

XIII - normalizar e padronizar as exigências técnicas, parâmetros ou coeficientes, a serem adotados no dimensionamento de rede, sarjeta, boca de lobo, lançamento, detalhes técnicos construtivos dos aparelhos de drenagem, a serem cumpridas na apresentação de projetos de drenagem de novos loteamentos ou outros empreendimentos que envolvem os parcelamentos do solo;

 

XIV - implantar o cadastro técnico da rede de drenagem, mantendo-o permanentemente atualizado;

 

XV - definir o programa de capina, roçagem dos aparelhos de drenagem do sistema viário e dos cursos d’água;

 

XVI - definir programa de conscientização para informar à população dos perigos de se vazar entulho e lixo nas redes, nos aparelhos de drenagem e nos cursos d'água;

 

Parágrafo único.  O Programa Municipal de Drenagem Urbana e Rural deverá estabelecer faixas não edificáveis ao longo de todos os cursos d’água e das nascentes existentes no território do Município, definidas pelas legislações federal, estadual e municipal.

 

Art. 120.  O Executivo Municipal, através do órgão responsável pelo controle urbanístico, deverá exigir projetos e obras do sistema de drenagem pluvial para os loteamentos e empreendimentos que envolvam o parcelamento do solo, da forma que a lei vier a definir.

 

Seção III

Da Limpeza Urbana

 

Art. 121.  O Poder Executivo, através dos órgãos municipais responsáveis, deverá proceder a elaboração do Programa Municipal de Limpeza Urbana e Rural, observando as seguintes diretrizes:

 

I - garantir o funcionamento e manutenção do sistema de limpeza urbana em todas as fases do processo;

 

II - determinar a geração de resíduos sólidos no município, envolvendo quantificação, localização por área ou fonte de geração (industrial, hospitalar, farmácia, drogaria, clinica, laboratório, químico, radioativo, dos espaços públicos e outros), composição e classificação;

 

III - implantar o sistema não - convencional de coleta de lixo em núcleos urbanos, posses rurais e outros locais de difícil acesso;

 

IV - implantar gradativamente o sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos domiciliares urbanos, precedida de campanha educativa que o viabilize;

 

V - implantar o sistema intermediário de tratamento de resíduos sólidos, constituído de reciclagem para entulhos da construção civil, incinerador ou plasma térmico para lixo hospitalar, compostagem, mineralização ou equivalentes para o lixo domiciliar e/ou de feiras, e outros tratamentos seletivos para o lixo comercial e industrial, em complementação às operações de destinação final do lixo;

 

VI - estabelecer normas e procedimentos para manipulação adequada do lixo patogênico, tóxico ou reconhecido poder contaminante;

 

VII - desenvolver alternativas para o serviço de coleta e destinação final de entulho, com definição de nova área para vazadouro, se for o caso;

 

VIII - fundamentar e propor campanhas educativas quanto ao lançamento de resíduos sólidos nas margens e no leito dos rios, ribeirões e córregos, principalmente de materiais descartáveis;

 

IX - fundamentar o contexto técnico das campanhas educativas quanto a destinação final das embalagens de produtos tóxicos utilizados na zona rural;

 

X - fundamentar a integração com municípios vizinhos e/ou agências federal e estadual, no que concerne a destinação final de resíduos sólidos na região;

 

XI - promover a identificação de áreas para a instalação de destinação final dos resíduos, inclusive industriais, que deverão ser implantados conforme padrões estabelecidos pela FEAM;

 

XII - implantar programa, em conjunto com os órgãos ambientais municipais, para a recuperação das áreas degradadas por vazadouros de lixo.

 

Art. 122.  O Poder Executivo Municipal poderá, nos termos da legislação pertinente, celebrar convênios, estabelecer consócios e/ou associação com os municípios da região, objetivando soluções administrativa, técnica e operacional para destinação final de resíduo gerado no Município e na região, observando as recomendações do Programa Municipal de Limpeza Urbana.

 

Art. 123.  O Poder Executivo Municipal adotará medidas, quando julgar necessárias, para dotar o Município de Usinas de Reciclagem de Resíduo Sólido e/ou de outros processos intermediários de tratamento, observando as recomendações do Programa Municipal de Limpeza Urbana.

 

Seção IV

Do Controle de Vetores

 

Art. 124.  O Executivo Municipal, através da Secretaria Municipal de Saúde e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura, ou órgãos que as venham as substituir, quando for o caso, deverá atuar no controle de vetores segundo uma política que considere as seguintes diretrizes:

 

I - estabelecer campanhas educativas junto à população, principalmente junto aos moradores de áreas carentes de serviços de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário e limpeza urbana;

 

II - desenvolver programas de conscientização, junto aos estabelecimentos que comercializem produtos que interfiram na saúde da população;

 

III - desenvolver programas de controle de doenças de veiculação hídrica e animal, bem como o efetuar o cadastramento dos focos existentes;

 

IV - promover articulação com as agências governamentais e não governamentais para melhorar a eficiência das ações;

 

V - criar o banco de dados integrado ao sistema de informações geo-referenciadas do Município.

 

CAPÍTULO IV

Das Disposições Gerais

 

Art. 125.  O Poder Executivo, através de seus órgãos competentes, procederá, num prazo de 12 (doze) meses, à elaboração dos instrumentos de política municipal de meio ambiente e saneamento básico, indicados na Seção I – Dos Instrumentos, do Capítulo II – Do Meio Ambiente, neste Título:

 

I - Programa Municipal de Meio Ambiente;

 

II - Banco de Dados Ambientais;

 

III - Programa Municipal de Drenagem Urbana e Rural;

 

IV - Programa Municipal de Limpeza Urbana e Rural;

 

V - Código Municipal de Postura Ambiental;

 

VI - Código Municipal de Arborização.

 

Art. 126.  O Poder Executivo, através de suas secretarias, procederá, num prazo de 18 (dezoito) meses, alterações no contexto legal, ou seja, composição, competência, procedimento e penalidade, quando for o caso, do CODEMA, do Código Municipal de Higiene e Saúde, do Código Municipal de Postura, adequando estas legislações a nova Política Municipal de Meio Ambiente e Saneamento Básico.

 

Art. 127.  O Poder Executivo Municipal adotará, nos termos da legislação pertinente, as medidas necessárias para que as áreas indicadas no Artigo 104 desta lei, sejam consolidadas sob aspecto legal e técnico, inclusive com demarcação e outras medidas visando garantir a integridade física, eco/biológica, num prazo de 24 (vinte e quatro ) meses.

 

§ 1º  O Município promoverá, a descrição técnica dos perímetros das áreas indicadas neste artigo.

 

§ 2º  Os prazos referidos no caput, são contados a partir da vigência desta Lei.

 

TÍTULO V

Da Política Municipal de Infra-estrutura e Serviços Urbanos

 

CAPÍTULO I

Das Diretrizes e Objetivos

 

Art. 128.  A Política Municipal de Infra-estrutura e Serviços Urbanos tem como diretriz norteadora a consolidação das estruturas básicas de apoio ao desenvolvimento do Município de Itajubá e ao atendimento amplo de seus cidadãos, em consonância com as demais diretrizes estabelecidas neste Plano Diretor, sempre dentro dos princípios do desenvolvimento humano sustentável, criando as condições necessárias para a sua implementação e viabilizando a Itajubá “Tecnópolis”.

 

Art. 129.  A Política Municipal de Infra-Estrutura e Serviços Urbanos tem como objetivos:

 

I - ampliar, progressivamente o atendimento de infra-estrutura e de serviços urbanos, de forma a promover sua utilização e acesso a todos os cidadãos;

 

II - estabelecer metas quantitativas e qualitativas para atendimento de infra-estrutura e de serviços urbanos;

 

III - romover a articulação dos organismos responsáveis pela infra-estrutura e pelos serviços urbanos;

 

IV - alavancar o desenvolvimento econômico e humano sustentável, atraindo novos negócios e empreendimentos.

 

Art. 130.  O Poder Executivo deverá articular-se com concessionárias, públicas ou privadas, nas várias esferas governamentais, tendo em vista a compatibilização e otimização de recursos e intervenções.

 

Art. 131.  O Poder Executivo deverá desenvolver estudos com objetivo de regulamentar a utilização do espaço aéreo, do solo e do subsolo das vias e logradouros públicos, inclusive obras de arte de domínio municipal, para implantação, instalação e passagem de redes e serviços de infra-estrutura, por entidades de direito público e privado, e sua respectiva cobrança.

 

§ 1º  As redes de infra-estrutura de que trata o “caput” deste artigo se referem a:

 

I - distribuição de energia elétrica e iluminação pública;

 

II - telecomunicações em geral;

 

III - saneamento, drenagem e limpeza pública;

 

IV - dutovias, como distribuição de gás, petróleo e derivados, produtos químicos;

 

V - infovias, para lançamento de cabos de fibras óticas.

 

§ 2º  Os serviços de infra-estrutura incluem armários, gabinetes, cabines, caixas de passagem, “containers” e antenas, entre outros.

 

Art.132.  Os projetos de implantação, instalação e passagem referidos no artigo anterior ficarão sujeitos a analise pelo setor responsável da Prefeitura Municipal, considerada a legislação vigente.

 

Parágrafo único.  Os projetos de que trata o “caput” deste artigo serão objeto de cadastro municipal específico, o qual deverá ser regulamentado pelo Poder Executivo, com vistas à cobrança de preço público.

 

CAPÍTULO II

Da infra-estrutura urbana

 

Art. 133.  A infra-estrutura urbana compreende os seguintes serviços:

 

I - iluminação pública e energia elétrica;

 

II - telefonia fixa e móvel;

 

III - pavimentação e manutenção de vias urbanas.

 

Seção I

Da Iluminação Pública e Energia Elétrica

 

Art.134.  São diretrizes relativas à iluminação pública e à energia elétrica:

 

I - assegurar a expansão das redes de iluminação pública e energia elétrica, tendo como critérios básicos a distribuição espacial da população e das atividades sócio-econômicas;

 

II - promover e difundir a captação e a utilização de formas alternativas de energia no que se refere a novas tecnologias e a custos acessíveis, visando atender às comunidades carentes;

 

III - promover campanhas educativas visando o uso racional da energia e evitando o desperdício;

 

IV - promover estudos específicos para a iluminação pública na Área de Interesse Cultural, de modo a conciliar os requisitos técnicos à preservação da sua identidade e ambiência.

 

Parágrafo único.  A concessionária de energia deverá atender aos preceitos e indicadores de eficiência de atendimento estabelecidos pelo órgão federal regulador da matéria.

 

Seção II

Da Telefonia

 

Art. 135.  São diretrizes relativas à telefonia:

 

I - assegurar a expansão dos serviços segundo a distribuição espacial da população e das atividades sócio-econômicas;

 

II - promover a ampliação da oferta de telefones públicos nos corredores de circulação, nos terminais de transporte, nos equipamentos comunitários, assim como a sua instalação em número adequado nos Centros Sociais de Referência da Cidadania, priorizando, nas regiões mais carentes, a instalação de telefones comunitários;

 

III - garantir a integração das telecomunicações no que se refere à telefonia básica, pública e celular, bem como a transmissão de dados e imagens, visando atender a demanda no tempo, no local e com a qualidade determinada pelo mercado.

 

Parágrafo único.  As concessionárias de telefonia fixa e móvel deverão atender aos preceitos e indicadores de eficiência de atendimento estabelecidos pelo órgão federal regulador da matéria.

 

Seção III
Da Pavimentação e Manutenção de Vias Urbanas

 

Art. 136.  São diretrizes relativas à pavimentação de vias urbanas:

 

I - promover a pavimentação de todas as vias do município e, em função de sua categoria e capacidade de tráfego, optar por soluções que ofereçam uma maior permeabilidade, sempre associada a um sistema de drenagem pluvial eficiente;

 

II - adequar a pavimentação das vias urbanas à circulação do transporte coletivo de maneira geral e, especificamente, possibilitar o seu acesso às áreas ocupadas por população de baixa renda;

 

III - contribuir para a melhoria da acessibilidade da população aos locais de emprego, de serviços e de equipamentos comunitários;

 

IV - determinar as áreas prioritárias para implantação da pavimentação urbana, bem como acompanhar a execução do serviço nos novos loteamentos.

 

V - estabelecer programa periódico de manutenção das vias urbanas e estradas vicinais.

 

CAPÍTULO III

Dos serviços urbanos

 

Art. 137.  Constituem-se em Serviços Urbanos para efeito desta Lei:

 

I - transporte coletivo urbano;

 

II - serviço funerário;

 

III - abastecimento de gêneros alimentícios;

 

IV - segurança pública.

 

Seção I

Do Transporte Coletivo Urbano

 

Art. 138.  São diretrizes relativas ao transporte coletivo urbano:

 

I - desenvolver um sistema de transporte coletivo prevalecente sobre o individual, associado à implementação do sistema viário estrutural, estimulando, inclusive, o modo de deslocamento a pé e por bicicleta, integrado à rede cicloviária;

 

II - assegurar a integração das áreas urbanas ocupadas, inclusive dos bairros rurais;

 

III - assegurar a acessibilidade da população aos centros de comércio e serviços, às áreas de concentração de empregos e aos equipamentos comunitários;

 

IV - ampliar a cobertura territorial e o nível dos serviços ofertados, compreendendo a segurança, a rapidez, o conforto e a regularidade;

 

V - promover a integração entre o transporte do município e o transporte intermunicipal;

 

VI - aperfeiçoar o gerenciamento dos serviços de forma a reduzir e controlar os custos, visando a redução de tarifa, mantendo a remuneração das operadoras de transporte coletivo de acordo com os custos reais;

 

VII - estabelecer programas e projetos de educação no trânsito e de proteção à circulação de pedestres e de grupos específicos, priorizando os idosos, os portadores de deficiência física e as crianças e facilitando o seu acesso ao sistema de transporte;

 

VIII - estruturar um sistema municipal de transporte de carga, compatibilizando-o ao transporte coletivo;

 

IX - promover estudos sobre a reestruturação e descentralização do terminal rodoviário, visando a sua adequação às políticas da Itajubá Tecnópolis;

 

X - reestruturar os trajetos de transporte coletivo, utilizando-os como indutores da ocupação das áreas de expansão;

 

Art.139.  Deverá ser criado, por decreto do Executivo, o Conselho Municipal de Transportes visando a participação de todos os setores representativos da sociedade nas diretrizes da política de transportes, sendo que suas competências e composição serão objeto de regulamentação específica.

 

Seção II

Do Serviço Funerário

 

Art. 140.  São diretrizes relativas ao serviço funerário:

 

I - garantir o atendimento da demanda futura face à expansão prevista neste Plano Diretor;

 

II - firmar convênios com entidades públicas e privadas, visando a eficiência do serviço prestado;

 

III - estimular empreendimentos públicos e privados para o atendimento aos incisos anteriores;

 

IV - regulamentar o serviço funerário e estabelecer critérios para a sua expansão, atendendo a requisitos ambientais e de facilidade de acesso;

 

V - proceder a estudos no sentido de verificar a viabilidade de alternativas para a prestação deste serviço.

 

Seção III

Do Abastecimento de Gêneros Alimentícios

 

Art. 141.  São diretrizes relativas ao abastecimento de gêneros alimentícios:

 

I - promover a estruturação de um sistema de abastecimento visando a ampliação das condições de abastecimento à população, em termos de qualidade, quantidade e preços de produtos de primeira necessidade, mediante políticas de apoio à produção e distribuição;

 

II - consolidar o sistema de abastecimento através da implantação de mini-mercados para o atendimento das necessidades cotidianas próximos aos locais de moradia, e postos de recepção e distribuição da produção de hortifrutigranjeiros e/ou de manufaturados no entorno do perímetro urbano, facilitando a sua comercialização por pequenos produtores sem acesso ao mercado convencional;

 

III - revitalizar as feiras livres;

 

IV - apoiar as associações e cooperativas existentes e incentivar a criação de novas, desenvolvendo programas de gestão compartilhada entre o Poder Público e os permissionários dos equipamentos públicos de abastecimento;

 

V - promover políticas sociais de abastecimento para a população carente;

 

VI - promover campanhas educativas para o aproveitamento integral dos alimentos, combate ao desperdício, reaproveitamento alimentar, composição nutricional, condições de armazenamento e transporte, entre outros.

 

Seção IV

Da Segurança Pública

 

Art. 142.  São diretrizes relativas à segurança pública:

 

I - integrar as políticas de segurança às políticas de inclusão social e combate à discriminação, objetivando assegurar a redução dos índices de criminalidade;

 

II - promover a participação da comunidade na discussão das questões de segurança, incentivando a criação de conselhos e organismos comunitários para o enfrentamento de situações de violência urbana e doméstica;

 

III - implementar ações destinadas à segurança urbana, garantindo que os munícipes de diferentes faixas etárias possam usufruir os espaços coletivos públicos e privados, inclusive quanto da realização de eventos cívicos, esportivos e culturais;

 

IV - promover convênios e parcerias com o Estado, com a iniciativa privada e com a sociedade civil, objetivando maior eficiência nos serviços prestados e o re-aparelhamento humano e material da polícia civil, da polícia militar, dos bombeiros e da defesa civil, com ênfase na qualificação profissional, na utilização de novas tecnologias e na responsabilidade compartilhada;

 

V - promover a implantação descentralizada dos equipamentos necessários à melhoria das condições de segurança pública, objetivando a redução dos índices de criminalidade e dos sinistros;

 

VI - delimitar e sinalizar as áreas de risco geológico e sujeitas a enchentes, bem como incluí-las na programação da defesa civil, objetivando o estabelecimento de medidas preventivas e corretivas;

 

VII - adotar sistema de comunicação de emergência com populações de áreas sujeitas a catástrofes, treinando-as quanto aos procedimentos a serem adotados em caso de acidentes;

 

VIII - promover programas de educação para a segurança pública e prevenção de incêndios, inclusive no âmbito das áreas não edificadas, e programas de capacitação de voluntários para atuar na orientação e tratamento da população-vítima;

 

IX - determinar locais para tráfego, pernoite e armazenamento de produtos perigosos;

 

X - implantar sistema de controle e proteção dos bens municipais;

 

XI - promover a implantação da Guarda Municipal, que será responsável pela segurança dos equipamentos urbanos municipais.

 

TÍTULO VI

Do sistema municipal de habitação

 

CAPÍTULO I

Dos objetivos

 

Art. 143.  O Sistema Municipal da Habitação consiste na articulação de organismos municipais governamentais e não governamentais e instrumentos de apoio, visando a integração de ações para a consecução dos seguintes objetivos:

 

I - promover a condição de habitação e a melhoria das condições de habitabilidade, compreendidas como acesso à moradia, à urbanização e ao saneamento básico, a um Centro Social de Referência da Cidadania, à educação, à saúde, ao esporte, lazer e entretenimento, ao transporte coletivo, aos equipamentos comunitários e, sempre que possível, ao trabalho;

 

II - estabelecer processo de gestão habitacional participativa;

 

III - promover o acesso à terra, para quem dela faz uso.

 

Parágrafo único.  As ações no âmbito do Sistema Municipal de Habitação darão prioridade ao atendimento da demanda da população correspondente à faixa de renda familiar de até 3 (três) salários mínimos, estendendo-se até famílias que percebam até 7 (sete) salários mínimos. (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

Art. 144.  Integram o Sistema Municipal de Habitação:

 

I - Conselho Municipal de Habitação Popular;

 

II - Secretaria Municipal de Planejamento ou órgão que venha a substituir;

 

III - Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis;

 

IV - Fundo Municipal de Habitação;

 

V - Secretaria Municipal de Assistência Social ou órgão que venha a substituir;

 

VI - Associação de Bairros das Comunidades Envolvidas;

 

VII - Cooperativas Habitacionais ou entidades equivalentes;

 

VIII - Setor de Serviços Públicos;

 

IX - Setor Imobiliário, Empreendedor e Incorporador e entidades técnicas, inclusive representantes de fabricantes de habitação popular, quando existente.

 

§ 1º  O Conselho Municipal da Habitação Popular constitui-se em fórum habilitado para tratar da análise, acompanhamento e avaliação da atuação do Sistema Municipal de Habitação.

 

§ 2º  A Secretaria Municipal de Planejamento será o organismo  responsável pela administração do Sistema Municipal da Habitação.

 

Art. 145.  O Sistema Municipal de Habitação contará, para a consecução  de seus  objetivos, com os  seguintes  instrumentos de apoio, dentre outros mencionados nesse Plano Diretor de Desenvolvimento, a saber:

 

I - áreas ou Zonas Especiais de Interesse Social, criadas e regulamentadas no Título "Do Ordenamento do Território";

 

II - Fundo Municipal de Habitação;

 

III - Programa Permanente de Habitação Popular;

 

IV - Banco Municipal de Terrenos;

 

V - Banco Municipal de Materiais de Construção.

 

CAPÍTULO II

Das Diretrizes

 

Art. 146.  Para conseguir os seus objetivos e compatibilizá-los com outros objetivos da Política Municipal de Desenvolvimento, serão observadas as seguintes diretrizes:

 

I - desestimular a produção habitacional clandestina na cidade, através da criação de condições de acesso múltiplas aos segmentos carentes da população, com um programa especial para a promoção da inclusão;

 

II - propiciar à sociedade civil, a participação nos processos de planejamento, gerenciamento e tomada de decisões da política habitacional do Município;

 

III - basear a ação municipal na diversidade e distribuição geográfica de programas habitacionais, visando a sua integração urbanística, melhoria da qualidade das intervenções, redução de custos e adequação à demanda:

 

IV - integrar as áreas destinadas à moradia, ao trabalho, à educação, à saúde e demais serviços urbanos, de acordo com programas e projetos vinculados ao Sistema Municipal de Habitação; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

V - incentivar a participação da população demandatária na proposição, definição, execução e avaliação de programas e projetos habitacionais;

 

VI - atuar preferencialmente, em modo cooperativo e em associação com a iniciativa privada, para execução de programas e projetos habitacionais de interesse social;

 

VII - promover a captação de recursos financeiros junto a esferas do governo, bem como junto a bancos públicos e privados, cooperativas ou agências internacionais, através de financiamentos ou fundos associados ou não a poupanças; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

VIII - priorizar empreendimentos com gestão vinculada a cooperativas, sindicatos, associações comunitárias, profissionais e de trabalhadores, movimentos de moradia e seus assemelhados;

 

IX - incentivar a utilização de tecnologias construtivas alternativas que viabilizem menor custo, sem prejuízo da qualidade, em programas e projetos de construção de novas moradias e/ou melhoria das já existentes;

 

X - garantir, através destas diretrizes, o acesso  à qualidade de vida e à cidadania.

 

CAPÍTULO III

Da Gestão Habitacional

 

Seção I

Do Conselho Municipal de Habitação Popular

 

Art. 147.  Cabe ao Conselho Municipal de Habitação Popular estabelecer as necessidades consolidadas de habitação em perspectiva plurianual, propondo as soluções indicadas com as alternativas técnicas e tecnológicas que mais se adeqüem à situação do Município, adrede preparadas pela Secretaria Municipal de Planejamento.

 

Art. 148.  O Conselho Municipal da Habitação Popular é o instituído pela Lei Municipal nº 2.120, de 30 de Maio de 1.997.

 

Parágrafo único.  O Decreto nº 2965, de 24 de Junho de 1.997, regulamentou o Conselho Municipal de Habitação Popular.

 

Seção II

Dos Organismos Públicos Envolvidos e suas Atribuições

 

Art. 149.  A gestão habitacional, no âmbito do poder público municipal, será da Secretaria Municipal de Planejamento, que exercerá as seguintes atribuições no que se refere a esse assunto:

 

I - promover a integração entre os órgãos públicos municipais e a sociedade civil na elaboração, acompanhamento e avaliação dos programas ou projetos vinculados ao Sistema Municipal de Habitação; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

II - operacionalizar o Fundo Municipal de Habitação e coordenar o Conselho Municipal de Habitação Popular;

 

III - integrar a política de atuação do Sistema Municipal de Habitação com as políticas municipais de desenvolvimento urbano, sócio-econômico e tecnológico;

 

IV - arregimentar e gerenciar, permanentemente, recursos financeiros e materiais que atendam aos programas e projetos vinculados ao Sistema Municipal de Habitação;

 

V - organizar e manter os arquivos de informações/banco de dados especializados sobre habitação e sistemas correlatos.

 

Art. 150.  Para a realização de suas atribuições, a Secretaria Municipal de Planejamento deverá:

 

I - elaborar estudos e projetos que objetivem a atualização da legislação fundiária e urbanística no Município; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

II - compatibilizar a política de atuação do Sistema Municipal de Habitação com as diretrizes urbanísticas previstas no âmbito deste Plano Diretor de Desenvolvimento de Itajubá; (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

III - analisar os empreendimentos realizados nas áreas ou zonas especiais de interesse social ou tecnológico, dar parecer sobre a sua adequação e autorizar a construção, baseando-se rigorosamente na sua exequibilidade. (Vide Lei Complementar nº 73, de 2013)

 

Art. 151.  Serão executores dos projetos provenientes do Sistema Municipal de Habitação, quaisquer organismos da Administração Municipal, bem como sindicatos, associações comunitárias, cooperativas ou equivalente, a iniciativa privada, as quais terão que:

 

I - conduzir os trabalhos de gestão dos recursos materiais e humanos no desenvolvimento de programas ou projetos vinculados ao Sistema Municipal de Habitação, com ou sem financiamento do Fundo Municipal de Habitação;

 

II - elaborar prestação de contas dos projetos para apreciação e aprovação do Conselho Municipal de Habitação;

 

III - prestar orientação técnica à auto-construção, mutirão ou melhoria de habitações, quando previstas pelo projeto;

 

IV - promover e coordenar a capacitação e re-qualificação da mão-de-obra, através da captação recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador, FAT, para possibilitar a auto-construção por meio do sistema de mutirão ou equivalente.

 

Art. 152.  O Conselho Municipal de Habitação Popular é o organismo responsável pelo controle do Fundo Municipal de Habitação e a Secretaria Municipal de Planejamento é o órgão responsável pela gestão da execução dos programas habitacionais do Município de Itajubá.

 

CAPÍTULO IV

Dos instrumentos de apoio

 

Art. 153.  São instrumentos de apoio ao Sistema Municipal de Habitação:

 

I - Banco Municipal de Materiais de Construção;

 

II - o Banco Municipal de Terrenos;

 

III - o Programa Permanente de Habitação Popular;

 

IV - o Fundo Municipal de Habitação;

 

V - Bancos de Dados contendo:

 

- cadastramento das necessidades de moradias por faixa de renda familiar;

 

- cadastramento dos órgãos públicos e entidades privadas com os seus respectivos programas de financiamento;

 

- cadastramento dos beneficiados com o Programa Municipal de Habitação;

 

- acompanhamento e avaliação das metas de gestão do Programa e do Fundo Municipal de Habitação;

 

- projetos e listagem de materiais padronizados destinados à população de baixa renda;

 

VI - Áreas Especiais de Interesse Social e, eventualmente, Zonas Especiais de Interesse Social.

 

Seção I

Do Programa Permanente de Habitação Popular

 

Art. 154.  O Programa Permanente de Habitação Popular visa suprir a demanda de:

 

I - urbanização e regularização fundiária associadas ao desenvolvimento da moradia popular;

 

II - melhoria da qualidade de vida mediante criar-se condições de moradia adequada aos segmentos necessitados da população;

 

III - novas moradias em bairros existentes com disponibilidade de terrenos (lotes) vagos;

 

IV - novas unidades de terrenos (lotes) urbanizados e/ou moradias.

 

Parágrafo único.  O Programa Permanente de Habitação Popular será constituído de:

 

I - Plano Plurianual de Empreendimentos, elaborado pela Secretaria Municipal de Planejamento, ouvido o Conselho Municipal de Habitação, e por este acompanhado e avaliado periodicamente, e que comporá, no que for pertinente, o orçamento municipal. Integram o Plano Plurianual de Empreendimentos:

 

II - urbanização e regularização fundiária de núcleos de posse com recuperação de áreas degradadas;

 

III - plano de recuperação e monitoramento de áreas de risco;

 

IV - produção de moradias ou lotes urbanizados e consecução de programas habitacionais através de cooperativas, associações comunitárias, sindicatos e seus assemelhados por autogestão ou co-gestão popular;

 

V - capacitação e re-qualificação da mão de obra;

 

VI - apoio e orientação técnica à auto-construção;

 

VI - pesquisa e desenvolvimento permanente visando a identificação de novas tecnologias, racionalização dos processos construtivos, redução do desperdício e, conseqüentemente, redução de custos das habitações;

 

VII - intervenções combinadas como aquelas que envolvem ações inter-setoriais e/ou aquelas que estão associadas a mais de um dos programas, vinculados ao Programa Permanente de Habitação Popular;

 

VIII - Programas de Ação específicos, subsidiários à realização do Plano Plurianual.

 

Seção II

Do Fundo Municipal de Habitação

 

Art. 155.  Fica instituído um fundo especial, denominado Fundo Municipal de Habitação, vinculado a Secretaria Municipal de Planejamento, destinado a propiciar apoio e suporte financeiro à consecução dos objetivos do Sistema Municipal de Habitação voltado à população com renda familiar de até 7 (sete) salários mínimos e, prioritariamente, 3 (três) salários mínimos.

 

Subseção I

Dos Recursos

 

Art. 156.  Constituirão recursos do Fundo Municipal de Habitação:

 

I - repasses, aportes financeiros, transferências de recursos orçamentários originários de programas habitacionais dos governos federal e estadual;

 

II - dotações orçamentárias próprias;

 

III - créditos suplementares a ele destinados;

 

IV - poupanças, prestações e restituições associadas a empréstimos, financiamentos e outros, inclusive cobranças judiciais;

 

V - multas, atualização monetária e juros devidos, em decorrência de suas operações;

 

VI - rendas provenientes da aplicação de seus recursos no mercado de capitais;

 

VII - contribuições ou doações de pessoas jurídicas, públicas, de capitais privados e de organismos internacionais;

 

VIII - empréstimos;

 

IX - auxílios, subvenções, transferência e resultados de convênios e programas de cooperação, nacionais ou internacionais;

 

X - quaisquer outros recursos destinados a programas habitacionais.

 

Parágrafo único.  Os recursos recebidos sob a forma de empréstimos ingressarão no Fundo Municipal de Habitação com a obrigação de retorno.

 

Subseção II

Das Finalidades e Diretrizes de Utilização

 

Art. 157.  A utilização dos recursos do Fundo Municipal de Habitação se destina à oferta e à melhoria das condições de habitabilidade da população de baixa renda devendo ser aplicados para:

 

I - financiar, produzir ou comercializar unidades habitacionais;

 

II - financiar, produzir ou comercializar terrenos (lotes) urbanizados com a sua respectiva infra-estrutura;

 

III - promover a recuperação de áreas degradadas e urbanização de terrenos (lotes) de posse;

 

IV - executar infra-estrutura básica e construir equipamentos comunitários;

 

V - propiciar, facilitar ou financiar a aquisição de materiais de construção básicos para a produção ou melhoria habitacional, limitados a quem possui renda familiar de até 3 (três) salários mínimos;

 

VI - propiciar a aquisição de imóveis para implementação de programas habitacionais;

 

VII - remunerar direta ou indiretamente, organizações ou empresas de assistência técnica habilitadas a assessorar a implementação de projetos e programas habitacionais;

 

Parágrafo único.  Esse processo habitacional deverá ser, preferencialmente, conduzido através de associações comunitárias de profissionais ou trabalhadores, sindicatos, cooperativas ou seus assemelhados, através de mutirão e/ou autogestão popular.

 

Art. 158.  Na formulação, financiamento ou custeio de programas e projetos habitacionais, com recursos provenientes do Fundo Municipal de Habitação deverão ser observadas as seguintes diretrizes gerais;

 

I - atendimento prioritário à população com renda familiar de até 3 (três) salários mínimos;

 

II - preservação do meio ambiente;

 

III - integração destes com as políticas de desenvolvimento urbano, sócio-econômico e tecnológico;

 

IV - promoção de ação integrada com outros órgãos e instituições da Administração Municipal de modo a assegurar a coexistência de serviços e mobiliário urbano adequados a uma condição de vida qualificada;

 

V - participação da população envolvida na elaboração e condução dos projetos;

 

VI - adoção de prazos e carências, limites de financiamento de juros e encargos diferenciados, em função de condição sócio-econômica da população a ser beneficiada;

 

VII - aplicação de recursos para produção de unidades habitacionais e de terrenos (lotes) urbanizados como retorno parcial ou total dos investimentos desse Fundo.

 

Art. 159.  Excepcionalmente, atendendo à recomendação da Secretaria Municipal de Planejamento, tendo a aprovação prévia do Conselho Municipal de Habitação, no âmbito de sua atuação e obedecida a legislação vigente, os recursos desse Fundo poderão vir a ser utilizados para a recuperação e a reconstrução habitacional, em situações especiais de emergência ou calamidade pública.

 

Parágrafo único.  As aplicações, de que trata este Artigo, poderão vir a ser efetuadas a fundo perdido, desde que aprovadas, por unanimidade, pelo Conselho Municipal de Habitação, e desde que correspondam a um comprometimento parcial de até, no máximo, 33 (trinta e três) por cento dos recursos orçamentários do exercício em que vierem a ocorrer.

 

Subseção II
Da Operacionalização e Controle

 

Art. 160.  Os recursos do Fundo Municipal de Habitação serão depositados em conta especial a ser aberta e mantida em instituição financeira.

 

§ 1º  As importâncias liberadas pela Prefeitura Municipal à conta dos recursos orçamentários, serão depositados na conta especial de que trata este Artigo.

 

§ 2º  À Secretaria Municipal de Finanças e Administração ou órgão que a venha substituir, caberá a movimentação da conta especial referida neste Artigo.

 

§ 3º  O Fundo Municipal de Habitação, através da Secretaria Municipal de Finanças e Administração ou órgão que a venha substituir, no sentido de alcançar os seus objetivos, poderá celebrar com pessoas físicas ou jurídicas, contratos de financiamento ativo e passivo, bem como convênios e acordos que tenham por objetivo as suas finalidades.

 

Subseção III

 Das Disposições Gerais sobre o Fundo

 

Art. 161.  As operações realizadas com os recursos do Fundo Municipal de Habitação gozarão de isenção de taxas e/ou impostos públicos municipais relativos à aprovação de projetos habitacionais.

 

Art. 162.  Fica isenta do imposto de transmissão inter-vivos de bens imóveis municipais a qualquer título, o ato de transmissão relativo à primeira aquisição de unidades habitacionais, financiadas de conformidade com o disposto nessa lei.

 

Seção III

Do Banco Municipal de Terrenos

 

Art. 163.  O Banco Municipal de Terrenos tem os seguintes objetivos:

 

I - garantir estoque de terra para atendimento da demanda habitacional prioritária;

 

II - manter um subsistema atualizado de informações e cadastramento do Patrimônio Público Imobiliário para uso e destinado ao Programa Habitacional;

 

III - auxiliar a regularização fundiária das áreas ocupadas por posseiros.

 

TÍTULO VII

Das Políticas Sociais

 

SUBTÍTULO I

Da Política Municipal de educação

 

CAPÍTULO I

Dos Processos Gerais

 

Art. 164.  A educação no seu sentido mais abrangente, direito de todos e dever da Municipalidade, da família, e de toda a comunidade, constitui a atividade primordial, permanente, para o desenvolvimento das pessoas, para a constituição dos sistemas de relações entre elas e delas com o meio ambiente em que vivem e com quem convivem, para o desenvolvimento de sua cidadania e para a sua qualificação para o trabalho.

 

§ 1º  A educação assimila duas classes distintas de fenômenos: a formação humana e a capacitação:

 

I - a formação humana tem a ver com o desenvolvimento da criança como pessoa capaz de ser co-criadora com os outros de um espaço humano de convivência social desejável. Assim, a educação constitui em criar as condições que guiem e apóiem as crianças, em seu crescimento, como um ser capaz de viver no auto-respeito e no respeito pelo outro, que possa dizer não ou sim desde si mesmo, e cuja individualidade, identidade e confiança em si mesmo, não se fundamenta na sua oposição ou diferença em relação aos outros mas, essencialmente, no respeito que nutre por si mesmo, de modo que pode colaborar precisamente porque não teme desaparecer na relação;

 

II - a capacitação tem a ver com a aquisição de habilidades e capacidades de ação no mundo em que se vive, como recursos operacionais que a pessoa possui/adquire para realizar o que quiser viver. Assim, a capacitação como manifestação educacional, consiste na criação de espaços de ação onde se exercitam as habilidades que se deseja desenvolver, criando um ambiente de ampliação das capacidade de fazer, na reflexão sobre esse fazer como parte do viver que se vive e se deseja viver.

 

§ 2º  A educação da Itajubá “Tecnópolis” deverá estar centrada sobretudo na formação humana sem contudo excluir o aspecto técnico necessário.

 

§ 3º  Para que o Município alcance a formação humana de todas as suas crianças, os docentes devem ter uma capacitação suficientemente abrangente apta para tratar as temáticas que ensinam, de modo atualizado, significativo, contextualizado, criativo e útil..

 

§ 4º  O Município atuará prioritariamente no ensino fundamental, garantindo esta educação obrigatória a todas as crianças, ao longo dos oito anos de sua duração, considerando:

 

I - igualdade e condições de acesso e permanência nas escolas;

 

II - liberdade de aprender, ensinar, investigar e divulgar o pensamento, o conhecimento, as manifestações culturais e artísticas e o saber;

 

III - pluralismo de idéias e concepções pedagógicas, e a coexistência harmônica entre instituições públicas e privadas e não governamentais de ensino;

 

IV - gratuidade do ensino fundamental em toda a rede pública de educação, inclusive para aqueles que a ele não tiveram acesso, na idade própria;

 

V - valorização dos profissionais de ensino através, de processos de reconhecimento do mérito, do desempenho e dedicação, remuneração condignas e ingresso e progressão exclusivamente por sistemas públicos e transparentes da avaliação da qualificação;

 

VI - gestão democrática da educação fundamental, em associação com a comunidade e a participação de especialistas e colaboradores externos, numa ampla rede de conhecimento e experiência;

 

VII - qualidade permeando a educação e a gestão do ensino fundamental;

 

VIII - atendimento educacional especializado – em escolas ou classes de educação especializada – ao portador de deficiência, sem limite de idade, assegurando-se-lhes profissionais capacitados e material e equipamentos adequados, além das facilidades que lhes permitam e lhes facilitem a freqüência às escolas.

 

§ 5º  O Município poderá estender sua atuação educacional ao ensino médio, profissionalizante, de terceiro grau e à pós-graduação, em caráter de complementaridade, e sempre que sua participação minoritária se fizer necessária para a viabilização de condições desejadas de atendimento à população, desde que essa intervenção não prejudique ou iniba o atendimento prioritário da educação fundamental.

 

§ 6º  Cabe à Municipalidade estruturar um sistema de censos dos educandos em idade de escolarização obrigatória, no sentido de desenvolver as alternativas mais indicadas para atende-los, todos eles.

 

Art. 165.  A política Municipal de Educação se fundamenta nos princípios gerais da educação nacional e, especificamente, nos seguintes:

 

I - educação de excelência para todos;

 

II - valorização do ser humano e do meio ambiente;

 

III - desenvolvimento da cidadania, como fruto da presença de uma sociedade organizada e participativa;

 

IV - ambiente propício à criatividade, à inovação e ao empreendedorismo;

 

V - capacidade de gerir, transmitir e aplicar conhecimento;

 

VI - inserção do município nas redes regional, estadual, nacional e internacional de fluxos informacionais, educacionais e empresariais;

 

VII - preservação dos valores culturais locais e regionais.

 

Parágrafo único.  As instituições educacionais da Itajubá “Tecnópolis” devem formar pessoas capazes de imaginar possibilidades distantes, resistir às opiniões presentes, através do desenvolver a criança, o jovem oferecendo-se-lhes os meios para pensar diferentemente de suas famílias, sua classe, seu país e sua época.

 

Art. 166.  Para a concretização dos seus princípios, o município deve:

 

I - elaborar e fazer aprovar, em consonância com os planos nacional e estadual, o Programa Decenal Municipal de Educação, que deverá ser revisto e detalhado a cada dois anos;

 

II - apoiar o Conselho Municipal de Educação com o objetivo de incentivar e viabilizar a participação da sociedade na discussão das questões e temas da educação e do ensino relevantes para o projeto de desenvolvimento do município;

 

III - contribuir para a expansão do ensino médio, da educação profissional, do ensino superior e para o fortalecimento dos Fórum das Instituições de Ensino Superior e Profissionalizante da Itajubá “Tecnópolis”;

 

IV - consolidar, no prazo de dois anos, o Sistema Municipal de Educação e viabilizar os mecanismos técnicos, financeiros e administrativos destinados ao seu funcionamento sustentável;

 

V - promover o desenvolvimento harmônico do sistema educacional do município em todos os seus níveis, mediante a integração dos trabalhos e propostas de entidades e organismos tais como o Conselho Municipal de Educação e o Fórum das Instituições de Ensino Superior e Profissionalizante.

 

Art. 167.  O aperfeiçoamento do sistema Educacional do município e da sua gestão democrática deve ser uma preocupação contínua da Municipalidade, no sentido de alcançar os seguintes objetivos:

 

I - a universalização do ensino fundamental e da pré-escola;

 

II - a erradicação do analfabetismo e a redução da repetência e da evasão escolares;

 

III - a criação de condições de atendimento aos egressos da 4a série e o aumento de turmas de 5a a 8a séries, para atendimento à demanda;

 

IV - a garantia do serviço de creche para crianças de 0 a 3 anos, em horário integral, buscando alternativa para sua manutenção e a qualidade crescente dos serviços por elas prestados através de equipes de profissionais multidisciplinares (nutricionista, médico, dentista, enfermeiro, outros) e de trabalhadores e voluntários qualificados e requalificados;

 

V - a progressiva universalização do ensino médio e profissionalizante gratuitos;

 

VI - a ampliação de oportunidades, no ensino regular noturno, procurando superar os problemas inerentes a adolescentes e adultos que não tiveram acesso ao ensino na idade própria, com baixa produtividade e alta evasão;

 

VII - a criação de oportunidades educacionais para toda a população, desenvolvendo projeto de escolarização para adolescentes e adultos evadidos da escola com a implantação do ensino por módulos, tornando a escola pública flexível, oferecendo condições para que nela permaneçam;

 

VIII - a implantação de equipes multidisciplinares nas creches, nas unidades de pré-escola e nas escolas especializadas no atendimento aos portadores de deficiência com a finalidade de potencializar a capacidades dessas unidades de atender às especificidades de sua clientela, principalmente no que concerne aos aspectos que une educação e saúde;

 

IX - a integração, nas escolas de ensino regular, de portadores de necessidades educativas especiais;

 

X - a consolidação, em todos os níveis e modalidades de ensino, no âmbito de sua competência, de um processo educacional comprometido com o desenvolvimento do senso crítico, do empreendedorismo e da construção da cidadania;

 

XI - a democratização da gestão escolar com a participação da comunidade, especialmente dos pais, para fortalecê-la como centro das decisões, através do Conselho Comunitário Escolar;

 

XII - a valorização do profissional da educação, assegurando seu status e permitindo sua habilitação, profissionalização e capacitação permanente;

 

XIII - a criação de um sistema permanente de avaliação e gestão do desempenho dos educandos, dos docentes e das próprias escolas, de modo a acompanhar a sua performance, detectar necessidades de formação, aperfeiçoamento e apoio técnico as equipes, visando o melhor desempenho dos profissionais e a melhoria continua da qualidade do ensino;

 

XIV - o cuidado com a preparação de jovens e adultos para o trabalho, incluindo a sua formação para a cidadania. Esta orientação pode levar os educandos das últimas séries do ensino fundamental a desenvolver uma qualificação profissional inicial;

 

XV - a busca contínua da qualidade na educação compreendendo os seguintes aspectos:

 

- espaço físico, interno e externo, adequado e aprazível, que concorra para o desenvolvimento da estética e da sensibilidade;

 

- material didático adequado e suficiente e biblioteca atualizada, acessível, permitindo o uso de equipamentos modernos e incentivando a pesquisa;

 

- currículo contextualizado, moderno, diversificado significativo e útil para os alunos;

 

- metodologias atualizadas que exijam a utilização de novas tecnologias em vista da formação do cidadão do futuro;

 

- preparação, atualização e aperfeiçoamento da prática educativa dos docentes em relação ao uso das novas tecnologias e que manifeste o empenho no desenvolvimento, nos alunos, de competências e habilidades;

 

- o estabelecimento de relações que favoreçam a política da igualdade, eqüidade, a ética e a identidade.

 

Parágrafo único.  Entende-se por erradicação do analfabetismo, o processo pelo qual se promove a inserção das pessoas na sociedade em etapas, que começam por se lhes permitir aprender a ler e a escrever, prosseguindo até que elas alcancem a condição de cidadania, no seu contexto sócio-econômico ambiental.

 

Art. 168.  Para realizar a sua política municipal de educação, a Municipalidade deverá valer-se dos seguintes procedimentos:

 

I - cooperação com o setor privado e não governamental, no sentido de aumentar a oferta de creches e/ou equipamentos de educação para a população do município;

 

II - cooperação com as instituições governamentais e não governamentais, no sentido de assegurar a todas as faixas etárias o aumento das oportunidades de formação e o acesso a uma educação de qualidade.

 

CAPITULO II

Do Sistema Municipal de Educação

 

Art. 169.  O Sistema Municipal de Educação será constituído por:

 

I - Conselho Municipal de Educação;

 

II - Secretaria Municipal de Educação;

 

III - tendo como organismos de apoio:

 

a) biblioteca (Midioteca) Pública municipal e suas unidades distribuídas móveis integradas à REMAVI - Rede Metropolitana de Informação de Alta Velocidade;

 

b) centros de referência da educação fundamental, unidades escolares operando na rede Metropolitana de Informação de Alta Velocidade sendo pelo menos um deles dedicado à educação especial, e estando todos eles aptos a operar como plataformas de educação experimental e à distância;

 

c) espaços de educação, Ciência e Tecnologia, Academias e Museus;

 

d) sistemas de apoio à educação;

 

e) unidades de formação Profissionalizante, inclusive móveis;

 

f) laboratórios, incubadoras e demais instalações e sistemas similares, televisão educativa e Comunitária;

 

g) instituições estaduais e federais, privadas e não governamentais de educação, no Município.

 

Parágrafo único.  A Municipalidade constituirá uma rede de conhecimentos entre as suas diversas unidades locais de educação, aberta à participação de quaisquer outras instituições educacionais, integrando-as em um processo de aprendizado inovador e criativo, como um espaço de convivência cooperativo, coeso, de qualidade superior e alta efetividade nos resultados.

 

CAPITULO III

Da Aplicação dos Recursos em Educação

 

Art. 170.  A Municipalidade aplicará, anualmente, em educação pública municipal, pelo menos 25 (vinte e cinco) por cento da sua receita anual bruta.

 

§ 1º  Os recursos destinados à educação serão aplicados para suprir as necessidades das unidades escolares e na implantação de projetos e programas e outros empreendimentos destinados a favorecer o desenvolvimento do Sistema Municipal de Educação, de forma democrática e com alta transparência para a comunidade.

 

§ 2º  As unidades distribuídas e central que constituem a Biblioteca Municipal devem ser estruturadas como centros culturais de informação e conveniência abertos à comunidade, com programação e horários de funcionamento condizentes ao desenvolvimento dessa sua função sócio-cultural. Para cumprir essa finalidade, as unidades poderão incluir acesso à REMAVI, espaços para palestras, exibições e exposições, bem como abrigar pequenos museus que retratem a cultura e os valores locais.

 

CAPITULO IV

Das Disposições Especiais

 

Art. 171.  A Educação fundamental do Município passará a contar, no prazo máximo de um ano da aprovação dessa lei, com uma nova disciplina curricular regular, voltada para o desenvolvimento da cidadania, presente em todos os anos (oito) da duração desse ensino, abrangendo um conjunto de matérias tais como:

 

I - constituição da visão, dos valores e da compreensão e percepção, englobando o conhecimento da cultura local, regional e universal, através do aprendizado das diversas manifestações culturais tais como mídia, artes, artesanato, folclore, dança, cinema, teatro, narração, civismo, criatividade e outros;

 

II - desenvolvimento do conhecimento ambiental através da conceituação do meio ambiente, das leis da natureza, observações, visitas, excursões, acampamentos, viagens no município e região, e outras manifestações análogas;

 

III - constituição do saber atuar em grupo através do conhecimento de lógica e linguagem, leitura dinâmica, ética, cidadania, teoria do aprendizado, liderança, capacidade empreendedora, jogos de organizações, testes, laboratórios e oficinas, resolução de problemas, modelagens e simulações, etc;

 

IV - desenvolvimento de habilidades – trabalhos manuais, montagens, projetos e outros;

 

V - constituição de conhecimento em conteúdos sociais especiais tais como drogas, sexo, fluxos, e trânsito, reaproveitamento de materiais, lazer, acidentes.

 

Art. 172.  A Educação fundamental do município incluirá o fornecimento a todas as crianças de uma assistência completa, complementar, que lhes assegure o pleno aproveitamento do processo educacional, envolvendo nutrição, atendimento médico-dentário-psicológico, entretenimento e esporte, convivência social, procurando-se ampliar o tempo de permanência diária, nos educandários e sistemas associados, até que, gradualmente, se alcance para o horário integral.

 

Art. 173.  A Municipalidade deve estabelecer uma sólida rede de alianças e formar associações ativas com a comunidade com o objetivo de implantar e manter em funcionamento os Centros de Referência da Educação Fundamental, o Núcleo de Excelência e Qualidade de sua educação Fundamental, que deverá procurar transformar-se em um padrão de comportamento educacional internacional, pelos resultados produzidos.

 

SUBTÍTULO II

Da Política Municipal de Cultura e do Patrimônio Histórico

 

CAPÍTULO V

Das Diretrizes

 

Art. 174.  Todo cidadão é um agente cultural e a Municipalidade preservará, em cooperação com a comunidade, o acervo das manifestações mais legítimas, representativas da cultura do Município.

 

Parágrafo único.  Entende-se por cultura ao conjunto de valores, idéias e mitos inserido em um modelo de orientação e em um modo de socialização, na presença de uma simbologia comum, que a comunidade construiu na história de seu aprendizado através de acoplamentos estruturais coerentes com o meio ambiente e com outras comunidades.

 

Art. 175.  Integram o patrimônio cultural do Município os bens de natureza material ou intelectual, tomados individualmente ou em conjunto, que constituam referência à identidade, ao sistema simbólico reconhecido pela sociedade, à ação e à memória dos mitos, líderes, indivíduos ou grupos formadores de opinião da população de Itajubá, entre os quais se incluem:

 

I - as formas de expressão;

 

II - os modos de criar, descobrir, reconhecer, fazer e viver;

 

III - as criações de todas as naturezas sejam elas, tecnológicas, científicas e artísticas;

 

IV - as obras, objetos, documentos, empreendimentos, edificações e demais espaços ou realizações físicas e intelectuais, que traduzam a expressão e a manifestação humana;

 

V - os sítios de valor geo-histórico, arquitetônico, paisagístico, arqueológico e ambiental.

 

Art. 176.  A Municipalidade deverá assegurar o direito de acesso da população às obras culturais, produzidas pela comunidade, ou por ela incorporadas, particularmente o direito de produzi-las e o direito de participar das decisões sobre a política cultural a ser adotada, em um desenvolvimento conjunto, envolvendo todos os agentes que atuem, tenham interesse ou queiram dele participar.

 

Art. 177.  A Municipalidade, com a participação da comunidade, promoverá e protegerá, através do Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico de Itajubá, o seu patrimônio histórico e cultural, por meio de inventários, pesquisas, registros, vigilância, tombamento, desapropriação e outras formas de acautelamento e preservação definidas em lei.

 

Art. 178.  São diretrizes de proteção da memória e do patrimônio edificado cultural:

 

I - priorizar a preservação de conjuntos e ambiências em relação a edificações isoladas;

 

II - proteger os elementos paisagísticos, permitindo a visualização do panorama e a manutenção da paisagem em que estão inseridos;

 

III - promover a desobstrução visual da paisagem e dos conjuntos de elementos de interesse histórico e arquitetônico;

 

IV - estimular ações que visem à recuperação de edifícios e conjuntos arquitetônicos, conservando as características que os particularizam;

 

V - compensar os proprietários de bens imóveis protegidos, através de instrumentos tais como:

 

- isenção de impostos municipais;

 

- transferência do direito de construção;

 

- outras formas compensatórias definidas em lei específica;

 

VI - disciplinar o uso da comunicação visual para a melhoria da qualidade da paisagem urbana;

 

VII - definir o mapeamento cultural para áreas e manifestações geo-históricas, zôo-botânicas e todas as outras de interesse de preservação da paisagem e do ambiente municipal, assim como a pesquisa e o mapeamento dos sítios arqueológicos e outros elementos relativos à historia e pré-história do município, adotando critérios específicos de parcelamento, ocupação e uso do solo, considerando a harmonização das novas edificações e usos com os do conjunto da área em seu entorno.

 

Parágrafo único.  Essas diretrizes devem ser aplicadas, sistemática e progressivamente, a partir do patrimônio cultural reconhecido, localizado em ou correspondente a:

 

I - Praça D. Amélia Braga;

 

II - Praça Teodomiro Santiago;

 

III - Praça Getúlio Vargas;

 

IV - Praça Padre Paulo Hartgers;

 

V - Rua Cel. Rennó;

 

VI - Praça Adolfo Olinto;

 

VII - Rua Cel. Francisco Brás;

 

VIII - Rua Silvestre Ferraz;

 

IX - Rua Dr. João Azevedo;

 

X - Rua Dr. Américo de Oliveira;

 

XI - Rua Dr. Pereira Cabral;

 

XII - Praça Wenceslau Braz;

 

XIII - Rua Cel. Carneiro Júnior;

 

XIV - Praça Pereira dos Santos;

 

XV - Avenida dos Ferroviários;

 

XVI - Praça Dr. José Braz;

 

XVII - Conjunto da Cia. Têxtil Oliveira Industrial;

 

XVIII - Conjunto da Santa Casa de Misericórdia e Convento;

 

XIX - Conjunto arquitetônico e paisagístico da Escola Estadual Wenceslau Brás;

 

XX - Conjunto arquitetônico da IMBEL e do 4o Batalhão de Engenharia de Combate;

 

XXI - Reservas naturais e sítios arqueológicos qualificados, na zona rural do Município.

 

Art. 179.  À Municipalidade, em conjunto com a participação direta de instituições representativas da comunidade, caberá estruturar, manter e modernizar a rede de cultura municipal constituída por teatros, salas de apresentação, museus e espaços ou áreas reservadas para oferecer opções culturais à população, incluindo, o Museu Histórico Municipal, o Arquivo Público Municipal, um Centro de Estudos Avançados e de Informação da Cultura e outros que venham a ser constituídos, garantindo-lhes todas as condições de instalação adequada e funcional, mobiliário apropriado e suficiente, atualização e ampliação dos acervos e pessoal habilitado.

 

CAPÍTULO VI

Da Gestão da Política Municipal de Cultura

 

Art. 180.  A Política Municipal de Desenvolvimento da  Cultura deverá estabelecer, para médio e longo prazo, as orientações e estratégias com as respectivas alternativas de viabilidade de desenvolvimento das atividades culturais do Município, devendo ser elaborada e acompanhada, na sua execução, pelo Conselho de Patrimônio Histórico,  Cultural e Artístico de Itajubá.

 

Parágrafo único.  A Política de Desenvolvimento da Cultura expressa uma das manifestações indispensáveis ao sucesso do desenvolvimento da participação social e a capacidade crítica das pessoas. Para  tal, ela deve contemplar intensa e extensivamente a difusão das habilidades genéricas: o aprender a aprender de modo continuado, o relacionar e combinar ou re-combinar os elementos e percepções, sobre várias realidades vivenciadas pela população.

 

Art. 181.  Caberá ao organismo municipal responsável pela condução dos assuntos culturais, preparar e implementar, com a ampla participação da comunidade os planos e programas culturais nos quais devem estar incluídas:

 

I - as propostas de como viabilizá-los;

 

II - a identificação das alternativas de fontes e usos dos recursos financeiros para cada um e todos os projetos e programas;

 

III - aos requisitos de qualificação de pessoas e sistemas ou processos;

 

IV - a distribuição e acesso socializado das atividades culturais à toda a população.

 

§ 1º  A Municipalidade deverá, no prazo de 90 (noventa) dias da aprovação dessa lei, regulamentar em lei municipal, a política e as condições de concessão de incentivos fiscais municipais à cultura, em correspondência e congruente com a legislação federal e estadual vigentes.

 

§ 2º  Os planos e programas de cultura devem ser considerados como instrumentos subsidiários relevantes, propulsores das atividades do turismo e do lazer e entretenimento da cidade.

 

§ 3º  A implementação da Política, Planos e Programas Culturais deve estimular a participação e contribuição da iniciativa privada, das cooperativas e associações, das fundações e instituições não governamentais,  na promoção de empreendimentos e eventos culturais, bem como na manutenção, restauração e ampliação da oferta de equipamentos e sistemas públicos culturais.

 

Art. 182.  As atividades de Cultura do Município deverão ser conduzidas por um organismo especificamente constituído para esta finalidade, da qual participem o poder público e a comunidade.

 

§ 1º  A criação, organização e estruturação operacional do organismo que cuidará das atividades culturais do Município deverá ocorrer 60 (sessenta) dias, após a aprovação dessa lei.

 

§ 2º  Este organismo de cultura deverá constituir-se, preferencialmente, como uma organização social nos termos da legislação vigente.

 

§ 3º  O Conselho de Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico de Itajubá, composto por igual número de representantes da comunidade e da administração pública, como responsável por supervisionar e acompanhar o desempenho das atividades de Cultura do Município e, conseqüentemente, pela atuação do organismo responsável pela Cultura, deverá contar com um regimento interno, aprovado pela maioria absoluta de seus membros, o qual deve estar operacional em 30 (trinta) dias da instalação do organismo que cuidará da cultura em Itajubá.

 

Art. 183.  O organismo responsável pela condução das atividades culturais de Itajubá deverá prover seus serviços e produtos para todos os demais organismos do Município e da Região, em especial à educação, atendendo às suas demandas e assegurando a universalização das manifestações culturais para toda a população alvo.

 

Art. 184.  A comunidade deve desenvolver o sistema simbólico da cidade, resguardando e valorizando a sua memória e o patrimônio existente, multiplicando a instalação de elementos que retratem o seu sonho e ideário, criando padrões especiais que lhe confiram uma identidade visual, dentre outras.

 

Art. 185.  Dentre os Planos e Programas Culturais deverá figurar o tratamento da Programação Visual do Município compreendendo:

 

I - sistema de sinalização e informação urbana, de visualização diurna e noturna;

 

II - a edificação dos portais de acolhida à cidade;

 

III - a instalação, nos bairros, de painéis de informação dos programas de atividades, avisos e mensagens;

 

IV - a identificação de edificações e logradouros inclusive sítios arqueológicos, históricos e destinados ao eco-turismo;

 

V - os painéis mapas de localização da área central comercial e histórica da cidade, áreas educacionais, tecnológica, parques e distritos industriais;

 

VI - a disseminação de símbolos representados pela logomarca da Tecnópolis;

 

VII - as marcas dos centros sociais de referência da cidadania;

 

VIII - a coletânea normativa e procedimentos permanentes.

 

SUBTÍTULO III

Da Política Municipal de Esporte, Lazer e Entretenimento

 

CAPÍTULO VII

Dos Objetivos

 

Art. 186.  O Município deverá contar com um Plano Municipal de Esporte, Lazer e Entretenimento, de atuação eficaz e dinâmica, elaborado em conjunto com grupos e entidades da área esportiva, atletas e esportistas, associações de moradores de bairros, clubes e outras instituições devotadas a essas atividades, e com ampla participação comunitária, observando-se as seguintes diretrizes e objetivos:

 

I - alocação de recursos públicos e atração de investimentos da iniciativa privada para a área esportiva, de lazer e entretenimento;

 

II - descentralização das atividades de esporte, lazer e entretenimento a fim de que seja garantido o acesso, com proximidade, da população, e, também, para os bairros periféricos e rurais;

 

III - desenvolvimento de novas áreas para a prática de esportes e educação física nos bairros, sempre que possível integradas aos centros sociais de referência da cidadania;

 

IV - manutenção e re-equipamento das existentes;

 

V - co-gestão e as parcerias com as associações comunitárias de bairros e núcleos residenciais ou de atividades comerciais, industriais ou rurais;

 

VI - prover novas instalações de lazer comunitário, em parceria com outros organismos e entidades competentes, priorizando:

 

a) os parques municipais, os parques de vales e de topos, as áreas de preservação ambiental, plataforma para vôos tripulados (asa delta, pára-quedas, etc), complexo para competições olímpicas, local para reuniões cívicas e outros, dotando-os de mobiliário e condições para sua utilização pela população e para o atendimento do turismo;

 

b) os espaços para a realização de feiras e mostras, apresentações artísticas e espetáculos, conchas acústicas, teatros ao ar livre, teleférico, ginásios, quadras e campos esportivos e outros;

 

c) “Estação Ciência” e outros museus, preferencialmente ativos, endereçados principalmente ao público jovem, acesso à Internet para idosos e deficientes, inclusive visuais; espaços e mesas para jogos como o xadrez, dama, gamão, tênis de mesa, midiotecas (inclusive móveis) e outros;

 

d) painéis públicos aptos a sinalizar informação dinâmica, distribuídos estrategicamente pela cidade, para permitir a comunicação regular e sistemática com a população;

 

VII - desenvolver uma programação básica das atividades regulares de esporte, lazer e entretenimento que incluam competições internas e externas, concursos, festivais (exemplo, O Festival de Inverno de Educação de Itajubá), exibições artísticas públicas, desfiles e paradas, torneios, tertúlias, congressos, feiras e mostras, festas populares, folclóricas e cívicas, exposições e outras, no sentido de preencher e satisfazer as demandas da população em uma variedade de manifestações e com condições de acesso a mais democrática e universal;

 

VIII - elaborar, anualmente, em parceria com a Comunicação Social, o Calendário de Eventos Programados de esporte, lazer e entretenimento, incentivando as iniciativas que resultem na promoção de outros eventos da mesma natureza, ampliando sua oferta, com qualidade, para a população e vizinhanças;

 

IX - estimular a participação de empresas privadas em empreendimentos, no fornecimento e manutenção (adoção), na promoção de eventos voltados para o esporte, o lazer e o entretenimento.

 

§ 1º  Para viabilizar a expansão de áreas para atender ao esporte, lazer e entretenimento, a Municipalidade deve utilizar-se de terreno próprio, cedido ou desapropriado, ou objeto de permuta com destinação específica.

 

§ 2º  As atividades de educação física, constantes do ensino público, serão, preferencialmente, exercidas por equipes de profissionais da área de esporte, equipe esta que poderá estender sua atuação também para outros estabelecimentos escolares, mediante convênios de cooperação.

 

§ 3º  A Municipalidade, no seu apoio às atividades esportivas, distinguirá com atenção especial o esporte amador, não profissional.

 

§ 4º  A participação financeira de instituições privadas pode vir a ser feita também através de mecanismos de compensação fiscal, previamente acordados com a Municipalidade, observada a legislação pertinente.

 

Art. 187.  A Municipalidade deve incluir em seus projetos e exigir de projetos da iniciativa privada e de instituições não governamentais relativos à edificação de unidades de educação, parques industriais, tecnológicos ou equivalentes, conjuntos habitacionais ou novos bairros, a reserva de área ou construção de um conjunto para a prática do esporte, lazer e entretenimento.

 

Parágrafo único.  A definição quanto às dimensões das áreas a serem reservadas, ou quanto às dimensões, tipo e caracterização das instalações a serem construídas será definida por regulamentação específica em função da classificação da edificação ou do aproveitamento do terreno proposto.

 

Art. 188.  Compete à Municipalidade, observada a legislação vigente, regulamentar, supervisionar a realização e fiscalizar os jogos esportivos, os espetáculos e exibições públicas e todas as demais manifestações relacionadas às atividades de esporte, lazer e entretenimento no Município.

 

Art. 189.  Para conferir viabilidade à execução do Plano Municipal de Esporte, Lazer e Entretenimento, na sua elaboração e gerenciamento devem ser consideradas as condições adequadas de geração de recursos próprios, a partir da comercialização de direitos de prestação de serviços, exploração de espaços publicitários, patrocínios e promoções, dentre outras, além da cobrança de ingressos e serviços a preços razoáveis, módicos, compatíveis ao poder aquisitivo dos públicos alvo a serem atendidos.

 

SUBTÍTULO IV

Da Política Municipal de Saúde

 

CAPÍTULO VIII

Dos Princípios e Objetivos

 

Art. 190.  A Política Municipal de Saúde tem por objetivo fazer de Itajubá uma cidade saudável segundo o paradigma de promover e melhorar  a saúde da população, e, em complementariedade e simultaneidade, prevenir doenças e buscar o prolongamento da vida do seus cidadãos, criando-se as condições essenciais à co-existência da qualidade de vida em harmonia e em equilíbrio com o meio ambiente e tendo como contribuintes decisivos para sua realização, o acesso de toda a comunidade à educação, alimentação nutritiva e saudável, água potável e saneamento, habitação, trabalho, esporte, lazer e entretenimento, dentre outros.

 

Parágrafo único.  Toda política de saúde obedecerá a Lei – especialmente a Constituição Federal e as Leis Federais 8.080 e 8.142 –, tendo como critérios de sistematização da saúde o controle social, o modelo assistencial e gerencial, o financiamento e os recursos humanos

 

Art. 191.  A Política Municipal de Saúde deve se orientar de acordo com os seguintes princípios:

 

I - obediência às normas do Sistema Único de Saúde, baseadas na sua universalização, eqüidade, integralidade e descentralização no atendimento à população;

 

II - obediência à estrutura hierarquizada de atendimento, em parceria com as instituições hospitalares e de ensino, associando tanto instituições públicas e privadas, contando-se com os Níveis de Atenção à Saúde - Primário, Secundário, Terciário e Quaternário, crescentes de acordo com o grau de complexidade dos procedimentos efetuados. Este sistema de ações visa alcançar uma maior efetividade e ampliação das possibilidades de promoção de saúde, através de profissionais que trabalhem nas Unidades Básicas de Saúde ou, em Programas Comunitários;

 

III - através do Conselho Municipal de Saúde, garantir a ampla participação da sociedade civil nos diversos segmentos sociais e dos diversos trabalhadores de saúde na elaboração da política, na definição de estratégias e no controle de atividades de saúde;

 

IV - garantir a melhoria e a qualidade das ações da saúde através da  educação em saúde, incorporando as tecnologias necessárias e instruindo os profissionais de saúde na prevenção, humanização e ética no processo de atendimento ao usuário, com o objetivo  de alcançar uma condição de atuação mais  preditiva ou preventiva do que curativa;

 

V - priorizar o atendimento aos grupos mais necessitados ou ainda não incluídos parcial ou, integralmente, no sistema social.

 

§ 1º  A Atenção Primária constitui a função central e o foco principal do Sistema de Saúde Municipal, desenvolvendo atividades de promoção, proteção, diagnóstico e tratamentos precoces e reabilitação em regime ambulatorial, ou seja, sua atuação acontece nas chamadas Unidades Básicas de Saúde, UBS, organizadas em dois níveis hierárquicos, designados como 1a e 1b, definidos pelo grau de complexidade do atendimento oferecido à população e, por via de conseqüência, do requisito do quadro de profissionais que nelas exercem a saúde.

 

§ 2º  A Atenção Secundária e a Atenção Terciária realizam-se em níveis superiores, correspondendo a intervenções nas policlínicas e hospitais, particularmente os conveniados com o Sistema Único de Saúde, SUS.

 

§ 3º  A Atenção Quaternária existirá em Itajubá, em um futuro mais distante. O objetivo maior agora e no transcorrer do curto e médio prazo é a transformação e consolidação dos três níveis existentes em sistemas de referência entre seus pares, pela excelência dos serviços prestados e pela qualidade da saúde da população atendida.

 

Art. 192.  A Política Municipal de Saúde tem como objetivos prioritários:

 

I - organizar os serviços de saúde de forma a garantir a democratização e auto-suficiência relativa dos serviços públicos, a hierarquização do seu sistema e a complementaridade dos sistemas público e privado no sentido de assegurar co-operativamente, o mais amplo e extensivo atendimento às necessidades de saúde da população;

 

II - orientar de modo integrado as diversas organizações, instituições educacionais e empresas em benefício da saúde, com vistas a otimizar o atendimento e reduzir custos institucionais e operacionais;

 

III - obter um grau de resolutibilidade nos serviços que considere a racionalização dos serviços com custos otimizados, assim como a efetividade e qualidade na resposta terapêutica, incluindo o livre acesso à diversas alternativas de tratamento existentes e à reversão do modelo centralizado em hospitais;

 

IV - ampliar a capacidade de atendimento das unidades básicas de saúde, ubs, já existentes, trabalhando com equipes multidisciplinares de elevada capacitação;

 

V - apoiar a instalação de novas unidades básicas de saúde distribuindo-as estratégica e logisticamente entre os bairros, integrando novas equipes de trabalho aos programas comunitários já atuantes, inclusive nas áreas rurais;

 

VI - assegurar serviços clínicos essenciais como laboratórios, fisioterapia, transporte e outros, como auxiliares na obtenção da efetividade crescente do sistema;

 

VII - apoiar e investir em programas de ação comunitários, como o programa de medicina da família, programa de saúde bucal, de assistência a famílias de baixa renda, consórcios intermunicipais de saúde e outros, implementados de acordo com a demanda e através de equipes multiprofissionais, para a promoção, educação e prevenção da saúde;

 

VIII - formar e capacitar agentes comunitários que transmitam programas de orientação e educação à população quanto a seus hábitos de saúde, de higiene, sanitários e quanto ao uso da água, alimentares, de convivência em sociedade e outros;

 

IX - sistematizar programas regulares de imunizações, através da vacinação eficaz, inclusive com a introdução de vacinas necessárias, que não constam do programa nacional de imunizações;

 

X - possibilitar tratamentos e prevenção adequados aos portadores de doenças crônicas;

 

XI - informatizar os serviços de saúde, interligando-os progressivamente em um conjunto de redes, internas ou externas;

 

XII - formular as condições indicadas pela saúde para a política municipal de saneamento básico, administrando a vigilância epidemiológica e sanitária e erradicação de endemias locais, prevenindo e administrando a profilaxia de novas endemias;

 

XIII - estabelecer os princípios e as condições de atuação das atividades correspondentes à vigilância sanitária;

 

XIV - desenvolver um programa específico para a prevenção das doenças crônico-degenerativas e traumáticas, para quaisquer faixas etárias;

 

XV - programar e exercer o controle da zoonose, através de centro especializado;

 

XVI - disponibilizar o acesso das populações de baixa renda a serviços odontológicos e a medicamentos genéricos, fitoterápicos, convencionais e outros, em correspondência às necessidades e assistência indicados pelo sistema de saúde municipal;

 

XVII - modernizar o sistema de saúde municipal, dotando-o de competências profissionais, sistemas, equipamentos, laboratórios e centros de alta tecnologia na prestação de serviços de saúde, na pesquisa e desenvolvimento tecnológico atualizados às realidades locais e regionais;

 

XVIII - investir na formação e capacitação profissional da área médica, através da promoção de cursos e eventos educativos e da implementação de novos cursos ou especialidades nas unidades educacionais profissionalizantes e universitárias.

 

CAPÍTULO IX

Da Gestão

 

Art. 193.  A formulação da Política Municipal de Saúde está a cargo dos seguintes organismos:

 

I - Conferência de Saúde;

 

II - Conselho Municipal de Saúde;

 

III - Secretaria Municipal de Saúde.

 

§ 1º  A representação dos usuários na Conferência de Saúde e no Conselho Municipal de Saúde será paritária em relação ao conjunto dos demais segmentos.

 

§ 2º  A Conferência de Saúde e o Conselho Municipal de Saúde terão sua organização e modos de funcionamento estabelecidos em regimentos próprios a serem elaborados e aprovados por, respectivamente, cada um deles.

 

Art. 194.  A Conferência de Saúde é o fórum habilitado por avaliar, periodicamente, a cada 4 (quatro) anos, o estado e as condições do sistema municipal de  saúde em sua resposta às demandas da sociedade por ele atendida, e eventualmente, por atender, e propor as diretrizes para a formulação da Política de Saúde a ser adotada pelo  Município, no(s) período(s) subseqüente(s).

 

Parágrafo único. A Conferência de Saúde reunir-se-á regularmente, por convocação do Executivo Municipal e, extraordinariamente, por solicitação do Conselho Municipal de Saúde.

 

Art. 195.  O Conselho Municipal de Saúde é o órgão responsável pela formulação de estratégias, acompanhamento e controle da execução da Política Municipal de Saúde, consubstanciada no Plano Municipal de Saúde.

 

Parágrafo único.  O Conselho Municipal de Saúde será composto por representantes da comunidade atendida, profissionais de saúde, instituições prestadoras de serviço, entidades de assistência social e usuários, e por representantes da Municipalidade.

 

Art. 196.  A Secretaria Municipal de Saúde é o organismo municipal responsável pelo planejamento e operacionalização da Política Municipal de Saúde, baseando-se nas orientações e propostas da Conferência de Saúde e nas estratégias recomendadas pelo Conselho Municipal de Saúde, no acompanhamento das ações e necessidades do dia a dia, dos recursos disponíveis, da tecnologia e do conhecimento, da pesquisa e desenvolvimento nas áreas da promoção da saúde, da prevenção da doença e na constituição e preservação de um meio ambiente adequado ao desenvolvimento de uma qualidade de vida saudável.

 

Art. 197.  A Secretária Municipal de Saúde, juntamente com os órgãos municipais afins, deverá gerenciar ao execução do Plano Municipal de Saúde.

 

Art. 198.  A Secretaria Municipal de Saúde administrará o Fundo Municipal de Saúde e a preparação da proposta orçamentária correspondente à saúde.

 

Art. 199.  A Secretaria Municipal de Saúde deverá se articular e estabelecer parcerias com entidades governamentais, não governamentais e outras, que prestem serviços ou apóiem iniciativas na área da saúde, no sentido de manter continuamente atualizada e, em aprimoramento, a efetividade do Sistema Municipal de Saúde.

 

Art. 200.  A Secretaria Municipal de Saúde deverá implementar um sistema de informações que acompanhe e controle a qualidade dos serviços públicos e privados, de forma a criar um sistema de realimentação que propicie o acompanhar e fiscalizar o desempenho da saúde.

 

Parágrafo único.  Esse sistema de informações deve programar a instituição dos cartões eletrônicos de informações da saúde individualizados, para a população coberta sob sua responsabilidade, atribuindo-se-lhes uma nova condição de cidadania igualitária no tocante à saúde.

 

CAPÍTULO X

Dos Instrumentos

 

Art. 201.  Constituem instrumentos da Política Municipal de Saúde:

 

I - Plano Municipal de Saúde;

 

II - o Sistema Municipal de Saúde;

 

III - o Sistema Único de Saúde, SUS, no âmbito da atuação do Município;

 

IV - Fundo Municipal de Saúde reunindo os recursos financeiros vinculados e dedicados exclusivamente às ações da saúde;

 

V - Ações do Plano Municipal de Saúde referentes ao saneamento básico, educação, habitação, trabalho, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, esporte, lazer e entretenimento, assistência social e demais as propostas assuntos correlatos.

 

Parágrafo único.  O não atendimento pelo Município na constituição destes instrumentos levará à administração dos recursos para o Estado ou União.

 

Art. 202.  O Plano Municipal de Saúde constitui, para um horizonte igual ou superior a 4 (quatro) anos à frente, o conjunto de todas as iniciativas propostas para se desenvolver e cumprir, em relação à população, as orientações, diretrizes e estratégias indicadas para a promoção da saúde, a prevenção da doença e a harmonização ambiental pelo Município.

 

Art. 203.  O Plano Municipal de Saúde deve observar como princípios básicos:

 

I - universalidade e equanimidade na oferta de serviços de saúde à sociedade, entendida como a abordagem dos indivíduos cidadãos, inseridos no coletivo social e num ecossistema, expressando, então, um sistema articulado de ações e relações de promoção, prevenção, recuperação, reabilitação e expansão do conceito da saúde abrangendo a idéia do indivíduo como uma unidade relacionada integral;

 

II - gratuidade pela prestação de serviços essenciais de saúde;

 

III - estruturação distribuída das ações, serviços e recursos, o que corresponde a uma organização descentralizada cobrindo toda a sua área de abrangência, viabilizando o acesso com proximidade à população;

 

IV - manutenção de um processo permanente de desenvolvimento profissional, científico-tecnológico em sistemas, equipamentos, instalações, redes, técnicas, métodos e demais aspectos que proporcionem a condição mais adequada e atualizada de atendimento à população, enquanto otimiza a utilização e aplicação dos recursos limitados;

 

V - incorporação de um sistema de gestão avançado, flexível e ágil, ao sistema municipal de saúde, incluindo um módulo de prospecção de mudanças ambientais e de construção de cenários de evolução.

 

Art. 204.  O Sistema Municipal de Saúde compreende as estruturas física, humana, tecnológica, de recursos financeiros e materiais, os programas, a inteligência e outros componentes direta ou indiretamente ligados à promoção da saúde.

 

Art. 205.  O Sistema Único de Saúde se integra ao Plano Municipal de Saúde, nos termos da legislação federal e dos seus dispositivos regulamentares, inclusive através do aporte de recursos financeiros explicitados regularmente, nos orçamentos da União e do Estado de Minas Gerais.

 

Art. 206.  O Município de Itajubá disporá de um Fundo Municipal de Saúde constituído pela aplicação anual do correspondente a 14% (catorze por cento) de sua arrecadação na execução da Política e Plano Municipal de Saúde, valor este que incorpora as transferências dos Ministérios, do Estado, outros recursos externos captados e a contrapartida própria do Município que se compõe de receitas advindas da saúde (taxas, multas, contribuições geradas através de projetos voltados para a saúde como, por exemplo, o Município contar com uma unidade de produção de medicamentos destinados, preferencialmente, à população de baixa renda, doações e outras fontes semelhantes) e de dotação orçamentária.

 

CAPÍTULO XI

Da Vigilância Sanitária

 

Art. 207.  A Secretaria Municipal de Saúde exercerá, observando o dispositivo no Plano Municipal de Saúde, a vigilância sanitária abrangendo, dentre outras:

 

I - atividades de prescrição referentes à coordenação, controle e vigilância do meio ambiente e do ambiente de trabalho, incluindo a inspeção sistêmica de instalações industriais, comerciais, processamento agrícola e animal, de serviços e locais de trabalho, lazer e entretenimento, esporte,  educação  e de reunião ou manifestações coletivas sociais em geral;

 

II - atividades de saúde pública associadas à higiene e qualidade para consumo de alimentos, uso de substancias tóxicas, poluentes e contaminantes, e todos os elementos químicos, físicos, biológicos e outros, capazes de provocar ou induzir danos à saúde ou de produzir doenças, direta ou indiretamente;

 

III - vigilância e coordenação do uso de medicamentos e outras substâncias e materiais de consumo médico-odontológico-sanitário;

 

IV - vigilância quanto ao transporte de cargas especiais (tóxicas, radioativas, químicas, etc), quanto ao uso (produção, armazenamento, distribuição) de substâncias, equipamentos e sistemas que exijam manipulação especial ou que apresentem risco à saúde, quanto ao processamento ou re-processamento de refugos, dejetos e materiais descartados, quanto a condições a serem seguidas em saneamento;

 

V - atividades de saúde pública que assegurem a qualidade da água, do ar e da terra para a população;

 

VI - atividades de licenciamento e avaliação das condições de atendimento à legislação vigente e às posturas municipais de adequação sanitária;

 

VII - vigilância e combate a endemias e epidemias;

 

VIII - monitoramento das condições ambientais que possam afetar a saúde e produzir doenças.

 

Art. 208.  O Município disporá de um Código de Vigilância Sanitária no qual constaram inclusive as penalidades referentes às infrações ou não atendimento do que nele estiver disposto, bem como as intervenções para a preservação da condição sanitária mínima.

 

Parágrafo único.  Baseando-se neste Código, a Secretária Municipal de Saúde deverá agir para que pessoas e instituições, quaisquer que sejam, cumpram com o interesse maior e a segurança sanitária requerida pela coletividade.

 

CAPÍTULO XII
Das Disposições Gerais sobre a Saúde

 

Art. 209.  A execução do Plano Municipal de Saúde pode contratar, no modo mais conveniente, instituições privadas para complementar ou prestar serviços ao sistema público, sempre que houver necessidade para assegurar a cobertura assistencial programada para a população, seja em função de insuficiência, grau de complexidade ou outra razão prevalente, observados os procedimentos legais, regulamentares e técnicos vigentes.

 

§ 1º  Terão prioridade para contratação as instituições de prestação de serviços sem fins lucrativos.

 

§ 2º  Fica assegurado o direito de intervenção em quaisquer serviços contratados, sempre que ocorrer a infringência das condições contratuais, de normas e posturas regulamentares ou de qualquer outra quebra de procedimento que disponha de amparo legal ou ético.

 

§ 3º  Em situação extrema, caso a intervenção não restabeleça a normalidade na prestação de serviços essenciais de saúde, a Municipalidade poderá recorrer ao instituto da desapropriação  da unidade transgressora, para o restabelecimento e continuidade da oferta dos serviços em questão.

 

Art. 210.  A Municipalidade deve garantir a existência e o efetivo funcionamento dos serviços auxiliares indispensáveis à saúde, quais sejam, abastecimento de água tratada, coleta seletiva e processamento do lixo, resíduos e esgoto urbanos, reciclagem de materiais re-aproveitáveis, matadouro(s) municipal(is), gerenciamento de poluentes, substâncias tóxicas, radioativas e que possam representar riscos à saúde da população, abastecimento de alimentos, esgotos e saneamento, gestão da condição ambiental.

 

Parágrafo único.  Estes serviços poderão ser prestados diretamente, ou em regime de concessão de serviço público a título oneroso ou, sem ônus, dependendo da avaliação de sua atratividade, permitindo-se à Municipalidade, quando necessário, propiciar garantias, compatíveis às condições que delimitam as necessidades financeiras atuais e projetadas do Município.

 

SUBTÍTULO V
Da Política Municipal de Assistência Social

 

CAPÍTULO XIII
Dos Princípios e Objetivos

 

Art. 211.  A Política Municipal de Assistência Social atenderá aos princípios, diretrizes e metas da Lei Orgânica da Assistência Social, “LOAS”, ao Estatuto da Criança e do Adolescente, “ECA”, a Política Nacional do Idoso e do Portador de Deficiência, garantindo o atendimento social a todos e priorizando as famílias, a criança incluindo os menores carentes, os desabrigados, os idosos e aqueles desassistidos de rendimentos ou portadores de uma condição física desfavorável.

 

Parágrafo único.  A Política Municipal de Assistência Social se desenvolve sobre o Plano de Desenvolvimento Sócio-econômico e Tecnológico, da Itajubá “Tecnópolis”, que assume a “aliança social ao longo do tempo, como parte central de seu esforço de desenvolvimento”.

 

Art. 212.  Constituem princípios básicos da Política Municipal de Assistência Social:

 

§ 1º  a mais alta prioridade na promoção de um processo continuado de inclusão social com a mobilização da poupança para  investimentos públicos e privados associados, voltados para o desenvolvimento dos segmentos sociais do Município que se situam na retaguarda, fazendo uso de programas institucionais inovadores e da cidadania participativa, que aumentem as oportunidades de investimento direcionados ao atendimento das necessidades básicas essenciais da população e à criação de condições que proporcionem o crescimento da igualdade relativa de oportunidades, complementada, sempre que necessário, pela intervenção assistencial direta junto às comunidades necessitadas;

 

§ 2º  no que concerne aos grupos sociais menos favorecidos ou excluídos, consiste em resgatar pessoas do extremo da incapacidade de cuidar de si mesmas, formar e executar seus próprios planos de vida e participar da disputa a respeito dos futuros alternativos do país. Este resgate constitui portanto, em dar a tais pessoas meios práticos para modificar a si mesmas e à suas sociedades;

 

§ 3º  estruturação de subprojeto específico para o enfrentamento da pobreza, visando a erradicação da miséria, prevenção à situações de risco pessoal e social e assistência em situações emergenciais;

 

§ 4º  a atenção, às famílias, às crianças e aos adolescentes,  os deficientes, os idosos, as gestantes e também a população de rua e migrantes desprovidos de um mínimo social para uma sobrevivência digna;

 

§ 5º  a descentralização do atendimento, para a universalização da assistência e a participação da população na formulação das políticas e programas sociais, incluindo o acompanhamento da implantação e fiscalização da sua execução;

 

§ 6º  o processo participativo paritário da população, na concepção da Política Municipal de Assistência Social, , assegurando, portanto, uma verdadeira co-gestão e auto - organização para a Assistência Social;

 

§ 7º  buscar atuar em caráter preventivo permanente, em relação às políticas e questões sociais do Município;

 

§ 8º  a consolidação de um subprojeto voltado ao esclarecimento, educação e prevenção do uso de substâncias químicas, drogas e álcool que levam à dependência, desenvolvendo programas e ações próprias para dependentes, suas famílias e a comunidade, inclusive quanto à recuperação e reintegração social, bem como apoiando as entidades assistenciais que atuem nesta área.

 

§ 9º  a articulação das Associações Assistenciais existentes em parcerias mais próximas, através da atuação compartilhada em programas para o desenvolvimento social e troca de saberes, juntamente com o Conselho Municipal de Assistência Social e a Municipalidade, no sentido de obter uma otimização integradora de seus trabalhos;

 

§ 10.  o desenvolver a rede para o atendimento à população do Conselho Municipal de Assistência Social, através da qualificação e re-qualificação permanente dos profissionais, da organização e implantação de uma estrutura operacional em rede entre agentes e a comunidade e os Centros Sociais de Referência da Cidadania, da implantação e funcionamento da Bolsa de Trabalho, dentre outros;

 

§ 11.  a introdução, disseminação e multiplicação das organizações e sistemas na modalidade cooperativa, envolvendo trabalhadores empregados e não empregados.

 

§ 11.  Centros Sociais de Referência da Cidadania são espaços comunitários construídos ou reaproveitados para propiciar a convivência social e o exercício da cidadania devendo, portanto se localizar geograficamente distribuídos, de modo a cobrir cada bairro ou grupos de bairros, incluindo a zona rural. Na diversidade dos Serviços Sociais que oferecem às comunidades estão a creche, o posto de saúde, os núcleos da terceira idade, salas de leitura e de educação assistida a estudantes para a realização de estudos, exercícios e tarefas do dia-a-dia e para cursos profissionalizantes móveis, salas multiuso, salão social, centro de serviços essenciais, terminal de transporte coletivo urbano e/ou rural, posto policial, bolsa de trabalho, terminais de atendimento ao público, painéis dinâmicos de informação e comunicação comunitária, devendo ter, sempre que possível, áreas externas, contíguas ou associadas, para o esporte, lazer e entretenimento, para manifestações culturais, constando de campos, quadras poliesportivas, palcos, parques para crianças, salão de jogos, televisão e vídeo comunitário, hortas e jardins comunitários, dentre várias outras opções úteis à sociedade local.

 

§ 12.  Os Centros Sociais de Referência da Cidadania irão operar criando um circuito ou uma rede social, com uma ampla interação e multiplicação de oportunidades para a constituição do tecido humano e cultural, expressão da cidadania do Município.

 

§ 13.  A mais alta prioridade da Política Municipal de Assistência Social deve ser dada as crianças: nutrição, saúde, educação, cultura, segurança, harmonia emocional e o encontro com a natureza.

 

CAPÍTULO XIV

Da Gestão

 

Art. 213.  A Política Municipal de Assistência Social está a cargo dos seguintes organismos:

 

I - Conferência Municipal de Assistência Social;

 

II - Conselho Municipal de Assistência Social;

 

III - Secretaria Municipal de Assistência Social.

 

Parágrafo único.  Os programas sociais públicos, na busca constante de uma eficácia maior, devem privilegiar as parcerias com as comunidades, estimulando sua auto-organização, e as famílias. O acesso a determinados níveis de benefícios deverá estar condicionado ao engajamento e participações das associações comunitárias.

 

Art. 214.  A Secretária Municipal de Assistência Social, em cooperação com os órgãos municipais afins, deverá elaborar e gerenciar um Plano Municipal de Assistência Social.

 

Art. 215.  A definição das diretrizes e orientações, de médio e longo prazo, que devem ser observadas na preparação do Plano Municipal de Assistência Social ficará a cargo da Conferência Municipal de Assistência Social, instituída pela Lei Orgânica da Assistência Social.

 

Art. 216.  Caberá ao Conselho Municipal de Assistência Social, levando em conta as proposições da Conferência Municipal de Assistência Social, estabelecer as estratégias e o acompanhamento da execução, inclusive suportando a Secretaria Municipal de Assistência Social nas articulações entre as diversas organizações envolvidas com as ações da implementação do Plano Municipal de Assistência Social.

 

Art. 217.  O Plano Municipal será formulado a partir do diagnóstico das questões sociais do Município, elaborado pelo Conselho Municipal de Assistência Social, incluindo o levantamento das ações e metas prioritárias.

 

Art. 218.  A Secretaria Municipal de Assistência Social deverá firmar parcerias e articular-se com organizações não governamentais assistenciais e entidades beneficentes de Assistência Social, a fim de fazer cumprir os programas e estratégias de promoção social, estabelecidos no Plano Municipal de Assistência Social.

 

CAPÍTULO XV

Dos Instrumentos da Política Municipal de Assistência Social

 

Art. 219.  Serão instrumentos da Política:

 

I - Plano Municipal de Assistência Social;

 

II - O Fundo Municipal de Assistência Social.

 

Parágrafo único.  O Fundo Municipal de Assistência Social será constituído do repasse de recursos federais e estaduais, de doações e contribuições, bem como das dotações orçamentárias do próprio Município.

 

CAPÍTULO XVI

Dos Direitos da Criança e do Adolescente

 

Art. 220.  O Conselho da Criança e do Adolescente, juntamente com o Conselho Municipal de Assistência Social são responsáveis pela formulação e implementação das políticas de assistência às crianças e adolescentes, devendo ser fundamentadas no Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº 8069/90, e na Lei Municipal nº 2.677/91.

 

Art. 221.  O Executivo Municipal deverá manter uma permanente adaptação dos organismos, projetos e programas municipais às diretrizes e políticas de assistência à criança e adolescente afim de:

 

I - assistir a infância e a adolescência garantindo-lhes o direito à vida, à saúde, à educação, ao lazer e à cultura, tanto através de investimentos prioritários, como na formação e preservação de um quadro de pessoal, qualificado profissionalmente, na área social e nas áreas afins;

 

II - defender o respeito, a dignidade, a liberdade e a convivência em família e comunitária de crianças e adolescentes;

 

III - manter espaços e instalações comunitárias distribuídas na mancha urbana e áreas rurais, os centros sociais de referência da cidadania, no qual subsistam condições que favoreçam e estimulem a convivência social de crianças, adolescentes e adultos através da prática coletiva e individual, num contexto coletivo, de atividades cívicas, esportivas, artísticas, de entretenimento e culturais; com orientação e coordenação de pessoal qualificado;

 

IV - possibilitar a educação àqueles fora da escola regular, através da escola aberta ou de cursos de alfabetização para jovens e adultos, adaptados às capacidades do aluno e à suas realidades, bem como a assistência educacional em período complementar à escola;

 

V - promover programas e campanhas sócio-educativas de esclarecimento e prevenção ao uso de drogas, álcool e outros vícios, gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis e outros temas fundamentais para a formação dos adolescentes, através de meios de comunicação, educação nas escolas e profissionais de saúde;

 

VI - oferecer a primazia da proteção às crianças e adolescentes, especialmente aqueles vitimados e abandonados, através de abrigos distribuídos geograficamente;

 

VII - incentivar e apoiar as diversas instituições assistenciais que se dediquem e desenvolvam trabalhos para e junto às crianças e adolescentes, buscando a integração entre elas no sentido de se alcançar uma sinergia dos resultados individualizados;

 

VIII - apoiar técnica e financeiramente as creches, ampliando sua capacidade de atendimento em correspondência com as necessidades das comunidades, seja do ponto de vista das demandas, seja do ponto de vista da sua localização ou período de atendimento;

 

IX - criar e manter programas municipais permanentes de erradicação do trabalho infantil, sobretudo na zona rural.

 

Art. 222.  O Município deverá estabelecer e manter parcerias com entidades não governamentais que prestem serviços na área da criança e do adolescente para implementar projetos que contemplem as necessidades existentes, tanto em relação ao seu  atendimento, quanto em relação ao aperfeiçoamento do sistema existente.

 

Art. 223.  O Conselho Tutelar deve receber o apoio e atenção contínuos dos organismos assistenciais públicos, privados e não governamentais.

 

CAPÍTULO XVII

Dos Direitos da Família

 

Art. 224.  As instituições assistenciais, sob a coordenação do Conselho Municipal de Assistência Social devem, no que diz respeito aos direitos da família:

 

I - desenvolver projetos voltados para a família que visem o seu fortalecimento como unidade básica da sociedade, a melhoria de sua qualidade de vida nos seus aspectos fundamentais e a inserção social daquelas famílias mais carentes (ainda não incluídas) do Município;

 

II - distribuir cestas básicas para aquelas famílias em situação social de risco, sempre, no entanto, perseguindo como objetivo maior criar as condições para a inclusão dessas famílias no sistema social comunitário;

 

III - ampliar o número de cursos profissionalizantes que facultem o acesso social, ao se habilitar os membros de uma família, a produzir trabalho útil aos mercados atuais e projetados;

 

IV - incentivar o cultivo de hortas comunitárias, a propagação da atividade agrícola de micro e pequenas propriedades do Município, criando parcerias com esses produtores para sua auto-sustentação alimentar e para a comercialização dos eventuais excedentes de sua produção para suprir as necessidades dos programas assistenciais comunitários e para, quando for preciso, a montagem de cestas alimentares para famílias carentes;

 

V - compartilhar, em complementariedade com as famílias menos favorecidas, algumas de suas responsabilidades por meio das creches de bairro e das associações comunitárias que administrem alianças entre escolas, famílias e trabalhadores sociais.

 

CAPÍTULO XVIII

Dos Direitos da Mulher

 

Art. 225.  A Municipalidade, no caso particular dos direitos da mulher, deverá:

 

I - garantir os seus direitos, apoiando e planejando ações, programas e projetos que considerem a questão do gênero feminino e os obstáculos que, objetivos ou subjetivos, se colocam no seu cotidiano;

 

II - elaborar o código municipal dos direitos da mulher, baseado em:

 

- difundir conceitos que se contraponham à visão de submissão da mulher ou outros preconceitos que sugiram inferioridade ou incapacidade para desempenhar quaisquer funções;

 

- oferecer às mulheres oportunidades de emprego no mercado de trabalho local, através de programas de capacitação relacionados ao desenvolvimento econômico do município;

 

- possibilitar às mulheres, acesso direto a organismos de apoio e de auxílio ao exercício de sua cidadania, como programa de aleitamento, creches, postos de saúde, delegacia especializada e outros;

 

III - criar condições físicas e psicológicas de acolhimento às mulheres vítimas de violência ou ameaçadas, que não possam retornar às suas casas.

 

CAPÍTULO XIX

Dos Direitos dos Idosos

 

Art. 226.  A Política Municipal deverá incentivar e desenvolver programas que incentivem uma imagem positiva em benefício do idoso, valorizando a sua vivência e experiências, com o objetivo de promover a sua integração social, protegendo-o de  qualquer forma de isolamento, discriminação ou tratamento diferenciado que represente qualquer tipo de inibição ao desempenho social de sua cidadania.

 

Art. 227.  A Política de Atenção à Terceira Idade, parte constituinte da Política Municipal Social, deverá estar voltada para a integração plena dos idosos à comunidade, através da criação e ampliação de projetos que lhes garantam o direito à subsistência, ao deslocamento e acesso a logradouros públicos, à assistência médica, à cultura e lazer e ao direito do conviver com pessoas de outras faixas etárias, respeitando-se-lhes a dignidade e o bem estar.

 

§1º  As condições dos asilos e outros espaços destinados à terceira idade devem ser objeto de melhorias contínuas, com a introdução de novos programas de atividades e de facilidades que permitam expandir a sua ocupação, a sua interação e o seu acesso e comunicação com o ambiente, aproveitando-se as capacidades e as experiências que eles são portadores.

 

§ 2º A Política Municipal de Assistência Social garantirá a precedência de atendimento aos idosos em todos os serviços públicos ou órgãos públicos, propondo a sua adoção por toda a sociedade.

 

CAPÍTULO XX

Dos Direitos dos Portadores de Deficiência

 

Art. 228.  A Política Municipal de Assistência Social articulará mecanismos e políticas que propiciem a habilitação e integração das pessoas portadoras de deficiência na vida comunitária, incluindo o mercado de trabalho, através de:

 

I - desenvolver ações educativas e medidas que visem a construção de uma nova imagem que valorize a sua dignidade e seus valores humanos e a cidadania do portador de deficiência, substituindo as visões sociais deformadas e preconceituosas;

 

II - promover cursos de capacitação e desenvolvimento para os portadores de deficiência e as pessoas que os assistem, garantindo-lhes a orientação profissional especializada de que necessitam;

 

III - apoiar as entidades beneficentes no sentido de contribuir para que elas realizem trabalhos em prol dos portadores de deficiência, nas mais variadas áreas.

 

Art. 229.  Deverá ser propiciado, baseado numa legislação municipal que discipline o processo construtivo e as edificações, que os portadores de deficiência tenham acesso a equipamentos públicos e privados e possam exercer uma livre circulação e locomoção na cidade, incluindo a adequação dos meios de transporte públicos, observando normas técnicas e a legislação federal vigente aplicada.

 

Art. 230.  Deverá ser estimulado o investimento de pessoas físicas e jurídicas, nos setores públicos e privados na contratação, como profissional e trabalhador, de portadores de deficiência, assistindo-os para que possam exercer suas atividades.

 

Art. 231.  No atendimento às pessoas portadoras de deficiência, no que diz respeito à educação, deverá ser observada particularmente:

 

I - a inclusão, no sistema educacional, da educação especial como modalidade educativa que abranja a educação precoce, a pré-escolar, as de primeiro grau, a supletiva, a habilitação e reabilitação profissionais, com currículos, etapas e exigências de diplomação próprios;

 

II - a oferta mandatória e gratuita, da educação especial em estabelecimento público de ensino;

 

III - a matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de se integrarem no sistema regular de ensino;

 

IV - o acesso de alunos portadores de deficiência aos benefícios conferidos aos demais educandos, inclusive material escolar, merenda escolar e bolsas de estudo;

 

V - o apoio governamental à formação e orientação aos portadores de deficiência e a garantia de acesso aos serviços concernentes, inclusive aos cursos regulares voltados à formação profissional.

 

Art. 232.  No atendimento às pessoas portadoras de deficiência, no que diz respeito à saúde, deverá ser observado, particularmente:

 

I - a promoção de ações preventivas, como as referentes ao planejamento familiar, ao aconselhamento genérico, ao acompanhamento da gravidez, do parto e do puerpério, à nutrição da mulher e da criança, à identificação e ao controle da gestante e do feto de alto risco, à imunização, as doenças do metabolismo e seu diagnóstico e ao encaminhamento precoce de outras doenças causadoras de deficiência;

 

II - a garantia de acesso das pessoas portadoras de deficiência aos estabelecimentos de saúde públicos e privados, e de seu adequado tratamento, sob normas técnicas e padrões de conduta apropriados;

 

III - o desenvolvimento de ações de prevenção de acidentes no trabalho e no trânsito e outras, aliado ao tratamento adequado de suas vitimas;

 

IV - atendimento referencial domiciliar de saúde ao deficiente grave não internado;

 

V - a formação e qualificação de profissionais especializados que, nas diversas áreas de conhecimento, inclusive de nível superior, atendam às demandas e às necessidades reais dos deficientes e assistência aos portadores de deficiência.

 

CAPÍTULO XXI
Dos Direitos da População Migrante e de Rua

 

Art. 233.  A Municipalidade deverá manter e aprimorar continuamente as condições do Albergue Municipal, através de suporte financeiro, designação de pessoal qualificado, garantindo a população migrante, um local de permanência transitório dotado de condições adequadas para pernoite, higiene pessoal, alimentação e orientação especializada.

 

Art. 234.  Deverão ser implantados programas direcionados ao resgate da cidadania da população de rua, considerando a especificidade das situações em que estas pessoas ou grupos se encontram.

 

TÍTULO VIII

Da Política Municipal de Desenvolvimento Econômico

 

CAPÍTULO I

Das Diretrizes

 

Art. 235.  O Município, em articulação com os contextos regional, estadual e federal, orientará e promoverá sua economia de modo a assegurar o desenvolvimento social e ambiental com alta efetividade, igualdade e sustentabilidade.

 

Art. 236.  A Política Municipal de Desenvolvimento Econômico tem como objetivos fundamentais:

 

I - estabelecer programas e ações que resultem na modernização e na dinamização da economia municipal, na melhoria da qualidade de vida e da cidadania, garantida a qualidade ambiental;

 

II - buscar a ampliação da oferta de trabalho, com um requisito crescente da qualificação educacional e profissional, e a criação de mecanismos inovadores e de empreendimentos que proporcionem o aumento e a distribuição da renda, em benefício de segmentos sociais de sua população que se situam na retaguarda do sistema econômico.

 

CAPÍTULO II
Da Política Municipal de Desenvolvimento Econômico

 

Art. 237.  A Política Municipal de Desenvolvimento Econômico deve desenvolver a economia do Município, observando uma ordem lógica de grupos de prioridades, de modo que:

 

I - eleve o nível de riqueza e a distribuição de renda, buscando basear-se em negócios e empreendimentos auto-sustentáveis, incluindo atividades que figurem e constituam a Cadeia-Alvo do Município, conforme Anexo I.IX, a qual retrata o núcleo integrado de atividades com maior propensão ao desenvolvimento de seu sistema econômico;

 

II - mostre alto valor agregado em relação aos seus produtos e serviços, priorizando atividades que utilizem alto conteúdo tecnológico como diferencial de compatibilidade, capazes de produzir lucros expressivos sobre receitas expressivas que apresentem um elevado potencial de crescimento e que melhorem continuamente, a qualidade de vida;

 

III - empregue mão-de-obra de qualificação baixa e média em quantidade expressiva ou de forma intensiva objetivando a atração de novos grupos empresariais e empreendimentos saudáveis, de reconhecida competência e sucesso negocial e em suas realizações que contribuam para a inserção crescente do Município no sistema econômico nacional como um de seus nódulos, criando novas e múltiplas oportunidades de trabalho;

Faça crescer o sistema econômico em quantidade e qualidade.

 

Art. 238.  A Política Municipal de Desenvolvimento Econômico orienta o Programa Municipal de Desenvolvimento Econômico para o qual subsistem orientações permanentes, quais sejam:

 

I - formação de um sistema de fontes para investimentos composto por uma geração própria, interna, de recursos provenientes do saldo entre receita próprias, transferidas ou repassadas e outras e as despesas, recursos de financiamento e de capitais de risco;

 

II - estabelecimento de diretrizes específicas para cada setor econômico, visando a sua diversificação, revitalização e incremento, valorizando o potencial e a vocação locais e a integração regional;

 

III - a atividade industrial deve procurar a expansão, a verticalização e a “clusterização” das indústrias existentes, em simultaneidade à implementação dos novos projetos do Pólo de Tecnologias da Informação e de Telecomunicações, do “Cluster” de Tecnologia da Informação da Rota Tecnológica 459, das Plataformas de Serviços à Distância da Rota Tecnológica 459, acelerar o processo de incubação de empreendimentos de base tecnológica e de conhecimento;

 

IV - promover ações que desenvolvam o turismo;

 

V - a comunicação como uma atividade econômica escrita, falada, visual, eletrônica deve se desenvolver consistente e integrada aos componentes da cadeia econômica, atingindo cada vez mais os mercados externos.

 

Art. 239.  São partes integrantes da Política Municipal de Desenvolvimento Econômico:

 

I - a definição de programas e estratégias globais para o desenvolvimento local sustentável, observando as tendências do desenvolvimento econômico regional;

 

II - a definição de programas que busquem o desenvolvimento das micro, pequenas, médias e empresas âncora;

 

III - A priorização de planos, programas e projetos que visem à geração de emprego e renda;

 

IV - a elevação do nível agregado da arrecadação planejada, com o aumento da receita tributária construída através da tributação sobre as transações de consumo;

 

V - a elevação do nível de poupança pública e privada e a criação de mecanismos institucionais para direcioná-la para investimentos produtivos, através de um programa que promova a identificação das oportunidades de empreendimentos e negócios, criando os meios e condições para a sua viabilização, no Município;

 

VI - a produção como aprendizado;

 

VII - o fomento à organização e à promoção de iniciativas empreendedoras;

 

VIII - o incentivo à produção e à socialização do conhecimento tecnológico;

 

IX - o estímulo às iniciativas de produção cooperativa, atuando como incubadoras, inclusive com relação às atividades agrícolas, rurais, ao artesanato e em empresas e/ou atividades desenvolvidas por meio de micro e pequenas empresas ou de estruturas familiares de produção;

 

X - a regulação e supervisão das atividades econômicas, de forma a evitar prejuízos à qualidade de vida da população, ao ordenamento urbano e à integridade física da infra-estrutura urbana;

 

XI - o estimulo à mobilidade do capital e do trabalho;

 

XII - o desenvolvimento de infra-estrutura e a capacitação profissional para atividades destinadas à produção artística, da educação e cultural e à promoção do esporte, lazer e entretenimento como fontes geradoras de emprego, renda e qualidade de vida, além dos setores tradicionais da economia;

 

XIII - a priorização, na instalação de incubadoras de empreendimentos inovadores e de alta tecnologia, com a sua localização próxima às universidades, aos centros de pesquisa, e ao parque tecnológico;

 

XIV - a implementação de uma política de turismo de negócios, eco-turismo e turismo educacional e científico-tecnológico, com a integração do Município às cidades próximas a fim de atrair público para os empreendimentos desse setor, atribuindo-se-lhes viabilidade e atratividade;

 

XV - a implementação de uma política rural que dissemine culturas e técnicas adequadas ao aumento da produtividade e ao atendimento de nichos de mercado, identificados como os mais indicados e/ou promissores para esta atividade, fortalecendo o agro-negócio;

 

XVI - a promoção de parcerias e outras formas associativas com a iniciativa e capital privados, para melhorar e expandir as oportunidades de formação qualificada de mão-de-obra;

 

Art. 240.  A operacionalização da Política Municipal de Desenvolvimento Econômico ficará a cargo da Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis, que coordenará as participações pública, privada e não governamental.

 

CAPÍTULO III

Dos Instrumentos da Política Municipal de Desenvolvimento Econômico

 

Art. 241.  Constituem os instrumentos mais abrangentes e universais da Política Municipal de Desenvolvimento Econômico:

 

I - Programa de Desenvolvimento Integrado do Município;

 

II - o Conselho de Desenvolvimento da Itajubá “Tecnópolis” - CODIT.

 

CAPÍTULO IV

Do Desenvolvimento da Agricultura e da Criação de Animais

 

Art. 242.  As ações de promoção da atividade agrícola, criação de animais (pecuária, avicultura, piscicultura, etc) e agroindustrial, no Município, estarão sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura ou órgão que a vier substituir, a qual atuará em conjunto com o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável de Itajubá e de outros organismos e instituições, e com a participação da população, perseguindo os seguintes objetivos:

 

I - elaborar e garantir a execução do Plano Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável do Município de Itajubá;

 

II - promover o fortalecimento da agricultura familiar;

 

III - promover a integração entre os setores agrícolas municipal e regional e a agroindústria, a verticalização para agregar-se valor através do processamento de alimentos, entrepostos de beneficiamento regionais, centrais de comercialização e distribuição, buscando-se a consolidação de um complexo agroindustrial no Município;

 

IV - aumentar a produção e produtividade, da qualidade de produtos, da perenidade das culturas, visando alcançar viabilidades econômicas duradouras;

 

V - melhorar as condições dos canais de escoamento e circuitos de comercialização da produção agropecuária e agroindustrial do Município e regional;

 

VI - elevar o bem-estar e da fixação da população rural;

 

VII - diversificar a produção agrícola, com incentivos especiais;

 

VIII - estimular a substituição das culturas de baixo valor comercial por culturas mais rentáveis, visando elevar a renda do produtor;

 

IX - compatibilizar as atividades agropecuárias com a utilização racional dos recursos naturais e com a preservação do meio ambiente, evitando a destruição da fauna e da flora locais, bem com a poluição dos mananciais e cursos d’água;

 

X - capacitar o produtor rural visando um aumento da qualidade dos produto e a obtenção das certificações necessárias à sua inserção e penetração nos mercados alvo;

 

XI - promover e incentivar a produção, comercialização e distribuição dos produtos agrícolas e animais denominados “orgânicos” ou “naturais”.

 

Parágrafo único.  Para dar suporte à execução adequada das atividades ambientais, a Municipalidade deverá atuar na promoção da formação e capacitação profissionalizante, bem como manter um programa de convênios com centros e unidades de pesquisa ambiental, agrícola, criação de animal e com empresas públicas e privadas.

 

Art. 243.  Constituem as principais políticas de desenvolvimento da agricultura e da criação de animais do Município:

 

I - cultivar produtos típicos de vales, com disponibilidade abundante de água, voltados ao atendimento do mercado de consumo de alimentos diário;

 

II - desenvolver as culturas atuais bem sucedidas ou aquelas que o foram em passado recente e que podem ser resgatadas, mediante a agregação tecnológica, qualidade e a observância rigorosa da preservação do ecossistema;

 

III - selecionar atividades que possam ser executadas em áreas pouco extensas, com absorção de mão-de-obra e valor significativo de mercado, ou que detenham um potencial de comercialização e/ou industrialização relevantes;

 

IV - explorar os recursos naturais existentes sem qualquer efeito predador;

 

V - valorizar, pela melhoria do desempenho, a economia da Região, o seu nível de oferta de trabalho e o acesso ao conhecimento, formando um tecido fortalecido de transações mercantis intra-região;

 

VI - assegurar a subsistência localizada;

 

VII - fornecer matérias primas às pequenas indústrias de transformação local;

 

VIII - desenvolver tecnologias de fácil assimilação e continuidade;

 

IX - desenvolver a comercialização voltada para a produção agrícola, de animais e da agroindústria do Município e da Região;

 

X - praticar uma agricultura e criação de animais com a aplicação e uso intensivo de tecnologia e conhecimento, obtidos através de convênios e acordos de cooperação com instituições reconhecidas como EMATER, EPAMIG, IEF, IMA, SEBRAE e SENAR, Universidades, Sindicato Rural e outras;

 

XI - incentivar a instalação de um centro técnico e científico da qualidade das águas;

 

XII - atrair empreendimentos industriais que verticalizem a produção agrícola, animal e associada;

 

XIII - estruturar uma rede de propriedades e locais para o atendimento ao turismo rural, ecológico e de esportes na natureza;

 

XIV - administrar e prevenir a qualidade do meio ambiente, particularmente, no que diz respeito ao uso de defensivos e outros produtos químicos, poluentes e contaminantes.

 

XV - proibir atividades que utilizem produtos e sistemas de alto risco ambiental;

 

XVI - promover a implantação de um Fundo Municipal da Agricultura para o financiamento do pequeno produtor rural.

 

CAPÍTULO V

Do Desenvolvimento Industrial

 

Art. 244.  As ações de promoção da atividade industrial estarão sob a responsabilidade da Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis, em conjunto com o Conselho de Desenvolvimento da Itajubá “Tecnópolis”, que atuará para realizar os seguintes objetivos:

 

I - estimular a implantação e expansão de empreendimentos industriais aderentes à Cadeia Alvo e à Política e Programa de Desenvolvimento do Município, especial e preferencialmente, os que atendam ao disposto quanto aos grupos de prioridade;

 

II - desenvolver a infra-estrutura para o exercício de atividades industriais, em harmonia e em correspondência com as diretrizes para a ocupação urbana preestabelecida;

 

III - apoiar o empresariado e as associações de trabalhadores, na área de capacitação, qualificação e requalificação do conhecimento visando a geração de novos produtos, processos e serviços, a modernização das plantas industriais e de seus portfólios, a elevação da produtividade, a redução de custos e a sua sustentabilidade;

 

IV - promover as micro e pequenas empresas visando a multiplicação e diversificação industrial;

 

V - adequar o desenvolvimento industrial às normas de preservação ambiental e às características ecológicas do Município e da Região;

 

Art. 245.  Constituem as principais políticas de/para a atividade industrial do Município, desenvolver indústrias que:

 

I - apresentem um alto valor agregado de seus produtos e serviços;

 

II - contenham um alto conteúdo tecnológico, de preferência alinhado à competência universitária, profissionalizante, técnica e de empreendedorismo do Município e Região;

 

III - se encontrem ainda em período de vida de juventude e crescimento quanto à sua linha de produtos e soluções, bem como em relação à sua diversificação;

 

IV - requeiram menos áreas para sua instalação e se caracterizem como indústrias leves quanto aos materiais e produtos que manuseiam;

 

V - atraiam outras indústrias para o seu suprimento ou para o consumo ou comercialização de sua produção, configurando um encadeamento ou constelação produtiva, de marketing ou tecnológica própria ou articulada com a concentração ou no mesmo domínio das atividades industriais do município ou regional;

 

VI - empreguem mão-de-obra de qualificação média expressiva ou intensiva;

 

VII - representem conglomerados de reconhecida solidez, postura e competência para a obtenção de resultados empresariais;

 

VIII - possuam mercados em que a distância se revela como fator diferencial;

 

IX - destinem parcela significativa de sua produção à exportação, em proporção expressiva, se comparada àquela do mercado interno;

 

X - transformem em produtos, insumos regionais;

 

XI - atendam ao consumo de demandas locais e regionais, rotineira e habitualmente;

 

XII - evitar e recusar indústrias de bens intermediários, de transformação de matérias primas, poluidoras, que requeiram grandes/enormes áreas, de baixo valor agregado e também aquelas que produzam produtos não aceitos ou rejeitados pela sociedade.

 

§ 1º  A Política de Desenvolvimento Industrial assumirá uma estratégia de expansão industrial, permanente, pela qual devem estar sempre ocorrendo três grandes movimentos para o desenvolvimento industrial do Município: um dedutivo, exógeno, de atração e procura de novos empreendimentos para virem nele operar, o segundo, indutivo, endógeno, a partir da incubação de novas empresas, ou da multiplicação das existentes, emancipação de empresas juniores e, finalmente, o terceiro, voltado para o crescimento e a qualificação inovadora e criativa do parque industrial existente, garantindo-lhe escala, escopo, atualidade, desempenho correspondentes às exigências do mercado cliente.

 

§ 2º  Atenção especial, continuada, deve ser tomada em relação às condições de oferta de mão-de-obra – quantidade disponível e qualificação, principalmente – requerida para a expansão do mercado de trabalho industrial, no sentido de se prevenir o aparecimento de fluxos migratórios indesejados.

 

CAPÍTULO VI
Do Desenvolvimento do Comércio e dos Serviços

 

Art. 246.  As ações de promoção da atividade de comércio e de serviços, no Município, estarão sob a responsabilidade da Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis, em conjunto com outras instituições públicas ou privadas cujas atividades sejam pertinentes ao setor de comércio e de serviços, com os seguintes objetivos:

 

I - fazer crescer, implementar novas soluções e incentivar a diversificação do comércio nos bairros de acordo com uma estratégia de descentralização, formulada a partir do reconhecimento de sua representação e dos padrões de comportamento de consumo do mercado e da manifestação natural da atividade comercial neles já existentes;

 

II - estimular a modernização, regulamentação, qualificação, adequação e agregação do pequeno comércio de forma a aumentar a sua qualidade;

 

III - incentivar a participação das entidades de classe e sociedade civil, na fiscalização da qualidade dos serviços prestados no Município;

 

IV - incentivar a ação reguladora e fiscalizadora do poder público na prestação de serviços públicos em concessão à iniciativa privada.

 

Art. 247.  Constituem as principais políticas de desenvolvimento do comércio e dos serviços do Município:

 

I - modernizar as instalações e a área do centro comercial–cultural existente, adequando-as à atualidade requerida pelo mercado consumidor e potencial, incorporando-lhe a cultura, artes, exibições e feiras, valorizando a sua condição de convergência e o seu poder concorrencial e de atendimento à sociedade;

 

II - constituir atividades comerciais de suprimento e de representação de fornecedores de insumos e serviços para atendimento aos mercados indústria, agricultura e criação de animais, serviços, turismo, educação e outros;

 

III - descentralizar-se, criando em cada bairro ou grupo de bairros a ocupação territorial seletiva de mercado, com um núcleo comercial para atendimento às necessidades básicas e conveniência da sua população, incluindo entretenimento e lazer;

 

IV - incentivar a instalação de centros comerciais temáticos dando preferência àquelas atividades de maior significado econômico para a cidade  e sua vizinhança;

 

V - incentivar o planejamento de um de um grande centro comercial e de serviços para atender a capacidade e demanda da cidade e de sua zona de influência;

 

VI - promover a expansão comercial dos negócios ligados à tecnologia e conhecimento, à comercialização do lazer e entretenimento;

 

VII - constituir unidades comerciais da agricultura regional – entrepostos, processamento e transporte, bolsa de mercadorias, beneficiando-se da sua centralidade geográfica regional e da sua condição de nó de confluência viária inter-regional;

 

VIII - desenvolver as condições para a importação e exportação através da instalação ou parceria com uma estação aduaneira de interior;

 

IX - avaliar a opção da exploração do comércio atacadista regional;

 

X - priorizar atividades comerciais e de serviços que utilizem mão-de-obra de qualificação média expressiva ou intensiva, inclusive artesanais e artísticas;

 

XI - atrair novos empreendimentos, que representem novos grupos empresariais, que agreguem valor, atuando em atividades mercantis não existentes ou com poucas opções no Município e estruturar o comércio e os serviços locais para concorrer regionalmente, ampliando a área de influência e de polarização do Município;

 

XII - desenvolver mercados em que a distância se mostra como fator diferencial;

 

XIII - comercializar produtos locais, micro-regionais e regionais;

 

XIV - atender aos consumidores nas suas demandas rotineiras e habituais;

 

XV - organizar, através de uma parceria com associações de classe, uma estrutura de comunicação e mobilização comunitária promocional, montar um calendário de eventos anual, feiras e festivais, liquidações e promoções periódicas (entressafra), e estruturar projeto de implementação de um centro empresarial de feiras, mostras e convenções/congressos;

 

XVI - estruturar o comércio eletrônico e os serviços à distância usando a Rede Metropolitana de Informações de Alta Velocidade, suas conexões com outras redes, a rede regional da Rota Tecnológica 459, a rede de televisão por assinatura, e outras redes no sentido de multiplicar as ações e o alcance das transações comerciais e de serviços, atribuindo-se, num primeiro momento, prioridade para o atendimento regional para, em seguida, caminhar para o nódulo do espaço de fluxos da economia nacional e global.

 

§ 1º  A Política de Desenvolvimento de Comércio e de Serviços assumirá uma estratégia de expansão das atividades também, em três movimentos constituídos pela revitalização do centro de comércio, um segundo orientado para uma organização e estruturação da atividade de comércio e serviços nos bairros e, o terceiro, voltado para a expansão pela inovação e modernização do comércio atual e a atração de novos empreendimentos, reunidos para expandirem a área de abrangência e a densidade/volume de operações de seus negócios.

 

§ 2º  Atenção especial deve ser dada à conciliação da inovação representada pelo tele-comércio ou comércio à distância com os demais movimentos, de tal maneira que se procure e se mantenha uma solução de equilíbrio que resulte no desenvolvimento de todas as manifestações enunciadas e, ao mesmo tempo, se construam as bases de atuação do comércio e dos serviços do Município, no tempo certo, para a conquista imprescindível do nicho de mercado e a inserção de Itajubá no novo ambiente sem fronteiras geográficas e espaciais das redes.

 

CAPÍTULO VII

Do Desenvolvimento do Turismo

 

Art. 248.  As ações de promoção da atividade de turismo deverão ser desenvolvidas sob responsabilidade da Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis, em conjunto com outras instituições públicas ou privadas cujas atividades sejam pertinentes ao setor de turismo e de serviços associados, com os seguintes objetivos:

 

I - promover a atividade turística do Município, explorando o seu potencial e as suas conectividades com as demais atividades nele desenvolvidas, transformando-a num instrumento de impulsão da atividade econômica, de geração de trabalho e de complementariedade com as demais, atribuindo-se-lhes valor e significado, além de aumentar e disponibilizar bem estar para toda a sua população;

 

II - associar a atividade turística à convivência e ao desfrutar com a natureza privilegiada que abriga o Município, à condição escolhida por sua comunidade para o seu desenvolver, às condições que regem a sua atividade econômica, em especial no tocante ao segmento serviços e, igualmente, à constituição de um sistema que crie para a população, alternativas ímpares de qualidade de vida;

 

III - regular e supervisionar a atividade de turismo, protegendo os sistemas naturais, edificados e os clientes usuários, cuidando da imagem e da identidade da cidade, particularmente porque a maior parte dos turistas serão visitantes para os quais o atendimento e aquilo que receberam na sua estada no Município, expressará a apreciação do produto turístico que Itajubá estará comercializando no mercado brasileiro;

 

IV - capacitar os grupos funcionais que estarão encarregados de exercer o trabalho que permitirá ao Município oferecer os serviços de turismo à sua população e a terceiros;

 

V - organizar os serviços de turismo para administrar suas atividades, promover sua divulgação e pensar, continuamente, na criação de novas formas de satisfação da clientela, na inovação e no zelar pelo patrimônio turístico do Município.

 

Art. 249.  Constituem as principais políticas de desenvolvimento do turismo do Município:

 

I - estruturar o Circuito Turístico do Município, com as vertentes em que se reconhecem as suas condições de realização diferenciais a saber, eco-turismo, turismo de negócios ou executivo e turismo educacional, cultural e científico-tecnológico;

 

II - ampliar e consolidar a rede receptiva de turismo do Município tanto na área urbana como rural, envolvendo hotéis, apart-hotéis, pousadas, hotéis-fazenda e fazendas-hotel, restaurantes, pontos de apoio, sanitários públicos, programação visual e sinalização, e demais aspectos correlatos;

 

III - organizar, com uma participação aberta e ativa de todos os setores da sociedade organizada, a seqüência de atividades de turismo identificadas às aptidões do Município, com as condições correspondentes para sua viabilização, a priorização para sua implementação, incluindo o modo de desenvolvimento para cada uma delas, as etapas graduais de sua execução, assim como a coordenação que conduzirá esse processo, certamente uma forma associativa da Municipalidade com a iniciativa privada e as organizações não governamentais.

 

IV - promover a realização de alguns projetos pioneiros, dentre o levantamento já efetuado, que inclui os projetos da Estação Ciência e do Museu da Flora da Mantiqueira, a disponibilização dos sítios arqueológicos e de fazendas-hotel, os parques, o Parque Tecnológico, as ciclovias, os mirantes, o morro da Pedra Aguda, a usina de Luiz Dias e o rio Lourenço Velho, os parques ecológicos do ribeirão Piranguçu e da Pedra Vermelha (“Berta”), a Serra dos Toledos, os pesqueiros, o complexo esportivo olímpico, as cachoeiras Ano Bom, Paredão, São Jorge, o rio Sapucaí, dentre outras alternativas, sendo que todos esses sítios deverão ser inventariados, estudados e avaliados e projetados, quando justificado, para utilização turística.

 

V - estabelecer as relações entre o turismo e o esporte, lazer e entretenimento, a educação e a cultura, no sentido de se determinar as soluções e programas ótimos que harmonizem os interesses e o atendimento aos objetivos comuns a todas essas atividades;

 

VI - considerar a prática do turismo em Itajubá no contexto regional e também em rotas turísticas nas quais as cidades se inserem como um ponto intermediário, capitalizando a condição do chamado “turismo de passagem”;

 

VII - planejar a introdução progressiva de intervenções e mobiliário/equipamento municipal para ser levado a efeito, na medida em que a economia do turismo avançar, apresentando resultados sustentados;

 

VIII - desenvolver a atração de investidores e auxiliar empreendedores a acessar as linhas de financiamento disponíveis no país, destinadas ao turismo;

 

IX - estabelecer quaisquer modos de parceria e convênios que propiciem a formação e preparação das pessoas que prestarão os serviços de turismo no Município e, também, da população na sua educação para conviver com o turista;

 

X - implantar um sistema de segurança, com múltiplas manifestações, para garantir o funcionamento, o patrimônio e a qualidade do turismo no Município.

 

Parágrafo único.  A Política de Desenvolvimento do Turismo assumirá uma estratégia de constituição e transformação, passo a passo, em uma atividade sócio-econômica permanente, consolidando-a na prática e sobre os resultados, com o envolvimento e o usufruir da comunidade, nos segmentos turismo de negócio, eco-turismo, turismo educacional, e científico-tecnológico.

 

CAPÍTULO VIII

Do Desenvolvimento da Educação

 

Art. 250.   A educação, ao mesmo tempo em que se constitui no componente maior de construção do sistema sócio-econômico da Itajubá “Tecnópolis”, se apresenta como a sua principal atividade econômica do setor serviços e tem os seguintes objetivos:

 

I - criar estruturas integradas, economicamente viáveis, financeiramente auto-sustentáveis enquanto agrupadas em escolas, centros, faculdades, institutos, universidades ou outra forma equivalente;

 

II - atuar cooperativamente, criando sinergias e se organizando para operar em redes que formem plataformas, ou nódulos de conhecimento que lhes permitam atuarem à distância, prestarem e multiplicarem os serviços ofertados, integrando-se a comunidades clientes onde quer que estejam e a outras instituições educacionais com quem estarão relacionadas, em empreendimentos de interesse comum;

 

III - constituir sistemas articulados de produção tecnológica, laboratórios, incubadoras, simuladores, unidades experimentais, sistemas reais, projetos e intercâmbios, pesquisa e desenvolvimento e diversas outras ações e programas consorciados;

 

IV - dispor de um Fundo de Sustentação, multi-acessável por instituições, projetos, docentes, discentes e comunidade;

 

V - contratar prestação de serviços tais como suporte, assistência e desenvolvimento científico-tecnológico e de inovações, com os segmentos econômicos do Município e região;

 

VI - estruturar-se para atender, rigorosamente, às necessidades antecipadas e presentes da sociedade, eliminando programas e processos sem utilidade, desatualizados, ajustando a sua capacidade de resposta própria ou associativa ao ritmo de inovações que orienta e define as realidades sobre e para as quais atua, preservando ainda a sua condição de criar ou de participar para a criação do futuro;

 

VII - desenvolver estruturas administrativas, similares às empresariais, que detenham competências específicas na gestão de resultados, desempenho, geração de recursos próprios, viabilidade e viabilização, direito e segurança, propriedade intelectual, captação de recursos e aplicações financeiras e outras complementares, preferencialmente via associações.

 

Parágrafo único.  A atuação em associação mantém a identidade, a autonomia e independência de cada uma e de todas as instituições, permitindo-se-lhes enriquecer a sua diversidade, ampliar sua capacidade de prestar serviços educacionais e de produzir resultados que lhes assegure a auto-sustentabilidade.

 

Art. 251.  Constituem as principais políticas dos serviços de educação do Município:

 

I - expandir a oferta da educação até um limite de população estudantil, inclusive a do ensino fundamental, que corresponda a 50% (cinqüenta por cento) da população total do Município, através da expansão da oferta das instituições educacionais existentes e da atração e criação de outras entidades;

 

II - consolidar e operacionalizar o Fórum das Instituições de Ensino Superior, de Pesquisa e Profissionalizante da Itajubá “Tecnópolis”, transformando-o numa instituição permanente dessas corporações, com o papel de coordenar os programas e defender os interesses comuns ao desenvolvimento do sistema educacional do Município;

 

III - estabelecer as condições e dar início ao processo de atração de novos empreendimentos educacionais;

 

IV - identificar e organizar o sistema de captação e gestão dos recursos financeiros e geração de rendas próprias, constituindo o Fundo e sua regulamentação e criando uma carteira de aplicações;

 

V - promover uma aproximação do Fórum com as empresas existentes, visando a contratação de prestações de serviço;

 

VI - identificar e começar a oferecer soluções educacionais em parceria, com a marca do Fórum;

 

VII - diversificar os modos de atuação e as condições do inovar que lhes propicie alcançar condições de mercado diferenciais;

 

VIII - assumir a responsabilidade de co-participar na gestão dos empreendimentos tecnológicos do Município em parceria com a Municipalidade.

 

Parágrafo único.  A Política de Desenvolvimento da Educação, enquanto atividade sócio-econômica, assumirá uma estratégia de consolidação de uma estrutura associativa que passará a conduzir as políticas, programas e ações de interesse comum ao conjunto de instituições de educação do Município, respeitadas as individualidades e distinções de cada uma delas.

 

TÍTULO IX

Da Política Municipal de Desenvolvimento Tecnológico

 

CAPÍTULO I

Da Ciência e Tecnologia

 

Art. 252.  O Município de Itajubá promoverá o desenvolvimento científico e tecnológico continuado observando:

 

I - garantir o seu desenvolvimento sócio-econômico-ambiental sustentável, equilibrado, em harmonia com o meio ambiente;

 

II - propiciar condições que resultem na oferta de trabalho e de empregos, na expansão e distributividade da renda, na eliminação da exclusão social e na promoção do bem estar social que sustentem e melhorem a qualidade de vida da sua população, em consonância com a região em que está inserido e sobre a qual exerce influência;

 

III - ampliar e diversificar as atividades econômicas e ambientais, baseadas na geração e aplicação locais da educação e do conhecimento e do seu fluir em uma rede intra-cidade conectada a redes externas, no sentido de constituir um processo regular de intercâmbio e a viabilização de uma sociedade de serviços, de base na educação e no conhecimento;

 

IV - criar as condições, desenvolver ações e implementar programas que contribuam para a viabilização da Itajubá “Tecnópolis”;

 

V - suportar a atuação dos poderes públicos municipais, particularmente, na sua qualificação para a identificação e o equacionamento das necessidades e questões urbanas e rurais, para o aproveitamento das potencialidades do município, para a sua integração regional, habilitando sua população com educação e meios que transformem a cidade numa cidade nódulo da economia mineira e brasileira.

 

§ 1º  Entende-se por cidade nódulo, uma cidade que se integra e participa de redes onde fluem negócios e empreendimentos nos mercados globais, seja por sua produção, seja por representar um mercado específico, seja pela produção de tecnologia, seja pela produção de cultura e mídia, seja por sua oferta de serviços.

 

§ 2º  Itajubá, por sua tradição e pelas condições diferenciais que exercita e que desenvolve, e pelo reconhecimento e vontade expressa de sua população, tem como proposta ser uma “Tecnópolis”.

 

Art. 253.  Constituir como instrumento do desenvolvimento científico e tecnológico, o Sistema Municipal da Ciência e Tecnologia de Itajubá, composto por:

 

I - Programa Plurianual de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia, gerenciado pela Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis;

 

II - Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia, COMCIT, instituição de assessoramento, com atuação na formulação, aconselhamento e suporte no acompanhamento e fiscalização das atividades municipais de ciência e tecnologia;

 

III - Fundo Municipal de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FUMCIT;

 

IV - Ambiente de Suporte ao desenvolvimento, à inovação, à atualização cientifica, tecnológica e educacional e à criação, consolidação e desenvolvimento de empresas e instituições de base no conhecimento;

 

V - Sistema Municipal destinado à formação de empreendedores, líderes, gerentes e ao desenvolvimento empresarial e de negócios.

 

§ 1º  O Fundo Municipal de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico FUMCIT, será constituído por dotações orçamentárias da municipalidade.

 

§ 2º  O Ambiente de Suporte mencionado no inciso IV, será integrado por:

 

I - Centros de Pesquisa e Desenvolvimento, Centros de Referência para o Desenvolvimento da Educação, Centros de Desenvolvimento de Instituições e de Empresas;

 

II - Espaços Tecnológicos constituídos por um Parque Tecnológico, Vilas e Condomínios de Empresas de Base Tecnológica, Núcleos de Empresas Juniores, Consórcios de Projetos e Programas, etc, Museus Tecnológicos, Centro Empresarial de Convenções e Feiras e outros;

 

III - Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica e de Projetos de Avanço Tecnológico;

 

IV - Redes de Informações de Alta Velocidade;

 

V - Sistemas de Informações (“Midiotecas”) de Suporte às atividades de desenvolvimento científico e tecnológico;

 

VI - Estruturas Educacionais voltadas ao desenvolvimento e à viabilização – produção, qualificação e re-qualificação profissional;

 

VII - Redes de Educação Integrada em todos os níveis, de alto desempenho e excelência, em todos os campos do conhecimento nelas existentes;

 

VIII - Programa de Promoção e de Reconhecimento – premiação – da produção de tecnologia no Município.

 

§ 3º  Cabe aos Poderes Públicos Municipais viabilizar o Sistema Municipal de Ciência e Tecnologia, com a participação da comunidade, através de iniciativas próprias, delegadas, em parcerias, estimulando a iniciativa privada e organizações não governamentais, formando ou estando presente em redes, estabelecendo convênios, intercâmbios e contratos, e cumprindo outras ações que resultem no atendimento dos objetivos e metas programados.

 

§ 4º  O Parque Tecnológico será instalado numa Área Especial de Interesse Tecnológico, Educacional e Cultural definida ao longo do ribeirão José Pereira, no trecho compreendido entre a rodovia Itajubá – Maria da Fé e Bairro do Pinheirinho, sendo que a sua ocupação e delimitação espacial obedecerá ao disposto especificamente no Título “Da Política Urbana”, Capítulo IV “Do Ordenamento do Território”, Seção II – “Do Zoneamento”.

 

§ 5º  A regulamentação necessária ao funcionamento e operacionalização do Sistema Municipal de Ciência e Tecnologia deverá ser reeditada, de forma consolidada, 90 (noventa) dias, após à aprovação desta lei.

 

CAPÍTULO II

Da Pesquisa

 

Art. 254.  O Município de Itajubá oferecerá em caráter permanente, o mais amplo espectro de condições para que nele se instalem empresas, instituições e projetos voltados à realização de pesquisa básica e aplicada e à produção de tecnologia.

 

Parágrafo único.  As empresas ou instituições, cujo objeto social seja a pesquisa e produção de tecnologia contarão com a incentivos públicos municipais enquanto e durante exercerem e comercializarem tais atividades, no Município.

 

Art. 255.  Para a constituição de um Ambiente de Pesquisa, o Município estimulará a expansão das atividades da educação universitária visando alcançar uma população estudantil, tendo como alvo elevar essa participação para se alcançar uma alta densidade de suas atividades. Neste contexto deve ser incentivada a expansão da pós-graduação e das unidades de pesquisa e de produção de ciência e tecnologia, seja nas entidades universitárias e de profissionalização, seja na indústria, comércio, agricultura e meio ambiente, empreendedorismo ou em outros segmentos do sistema sócio-econômico.

 

Art. 256.  Para viabilizar a pesquisa no Município, os Poderes Públicos devem empreender, através do Programa Plurianual de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia, a constituição e atração de novas unidades universitárias e profissionalizantes, de Centros ou Unidades de Pesquisa de grandes empresas, de consórcios de pesquisa das empresas que se organizam como “clusters” horizontalizados nas suas demandas tecnológicas, bem como criar e administrar o ciclo seqüencial da educação, conhecimento, pesquisa, ciência e tecnologia, produção e serviços, gestão, mercado com uma alça de realimentação natural de renovação e inovação.

 

Concomitantemente, deve-se empreender a conexão do Município às redes de pesquisa nacional e internacional, transformando-o num nó de produção, transferência e assimilação dos trabalhos de pesquisa, ciência e tecnologia.

 

Art. 257.  O Município de Itajubá deve preparar-se e empreender a criação do Teleporto da Itajubá Tecnópolis, ou seja, a constituição da plataforma de informações e comunicação que assegurará a inserção da cidade na comunidade global de conhecimento e do comércio eletrônico. Neste projeto se incluem:

 

I - a constituição e operação da Rede Metropolitana de Informações de Alta Velocidade de Itajubá – “REMAVI”;

 

II - a instalação, na cidade, de sistema de televisão por assinatura, televisão educativa e comunitária, a participação na Rede Nacional de Pesquisa – “RNP”, do Ministério da Ciência e Tecnologia, e a sua incorporação ao projeto “Internet 2”.

 

III - o desenvolvimento da educação, ciência e tecnologia, artes e cidadania, como atividades que se transformem em centros de geração da excelência e de competências, de conhecimentos exportáveis;

 

IV - a convergência das atividades econômicas baseada em algumas, poucas, áreas de negócios, em consonância com a sua Cadeia Alvo, com uma densidade crescente, que se lhes atribua condições diferenciais de concorrência;

 

V - a construção e operação da Rede Regional de Alta Velocidade e sua integração às redes nacionais e internacionais;

 

VI - a integração estratégica com outros Municípios-pólo, baseada nas atividades econômicas diferenciais, para o exercício conjunto da comercialização no mercado global;

 

VII - a constituição dos centros de serviços à distância de Itajubá Tecnópolis (“e-comércio”);

 

VIII - aeródromo e heliportos distribuídos.

 

Art. 258.  O Município promoverá a difusão e a capacitação em tecnologias, de forma distributiva, em rede, facultando o seu acesso e a sua utilização efetiva por todos os estratos da população, tornando-a um instrumento de desenvolvimento comunitário e de qualificação institucional dos próprios serviços municipais oferecidos à sua população e a todos quantos deles necessitarem.

 

TÍTULO X
Da Política Municipal do Trabalho

 

CAPÍTULO I

Da sua Constituição

 

Art. 259.  A Política de Trabalho do Município, será formulada sob coordenação da Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis com participação de setores da administração pública e da comunidade, e terá por diretrizes:

 

I - desenvolver programas educacionais permanentes que habilitem toda a população para o exercício do trabalho, atribuindo-se-lhe formação, qualificação e re-qualificação profissional, preferencialmente direcionada para os segmentos em que o Município e a Região detenham vantagens diferenciais, naquelas em que exista ou se antecipe venham a existir demandas de mercado ou, ainda, em domínios que facilitem às pessoas atuarem como autônomas, em geral, no segmento serviços;

 

II - propor e incentivar a realização e promover a capacitação empreendedora de profissionais, empresários, líderes comunitários e da população trabalhadora;

 

III - liderar a atração e fomento de novos empreendimentos (no qual se incluem as incubadoras para a criação de empresas) e projetos, e a expansão dos empreendimentos existentes que resultem na criação da oportunidade de trabalho para o Município e Região, aderente aos programas educacionais voltados para a trabalhabilidade e/ou empregabilidade;

 

IV - promover e estimular a formação da solidariedade laboral de cooperativas e sistemas cooperativos, associativos que proporcionem a ampliação da oferta de trabalho e a melhoria das condições para a satisfação das necessidades das pessoas que trabalham;

 

V - estabelecer mecanismos de regulação da economia do Município que orientem os investimentos para cobrir e favorecer a absorção pelo trabalho, dos segmentos sociais de retaguarda e os investimentos ainda intensivos de mão-de-obra, com igual oportunidade e igual condição de trabalho para homens e mulheres;

 

VI - garantir o direito ao trabalho aos menos favorecidos em particular, aos portadores de deficiência;

 

VII - auxiliar, através da Bolsa de Trabalho, os jovens das classes de renda menores na busca do primeiro emprego e atrair os adultos, sem trabalho, com baixo grau de escolaridade, para a sua qualificação ou re-qualificação profissional, oferecer estágios a educandos e educadores que contribuam para a sua formação e capacitação;

 

VIII - distribuir as atividades que geram o trabalho ao longo de todo o tecido territorial minimizando os fluxos e desdobramentos e os inconvenientes de áreas concentradas;

 

IX - coibir, com o apoio decisivo da comunidade, o trabalho que prejudique ou iniba, em qualquer forma, o desenvolvimento e o regime da educação dos jovens e crianças, em todo o território do Município (zonas urbanas e rurais);

 

X - incluir no modelo de desenvolvimento econômico, instrumentos que propiciem um equilíbrio, estrategicamente assumido para o Município e a Região, entre os segmentos da sua economia diversificando-a e qualificando-a para administrar os riscos de crises e ampliando a sua condição terciária, ou seja a prevalência crescente do segmento serviços;

 

XI - estruturar o seu processo de desenvolvimento contemplando, concomitantemente, o da Região, prevenindo fluxos migratórios aleatórios que comprometam e desequilibrem a oferta de trabalho no Município.

 

Art. 260.  A Política de Trabalho deverá ser considerada e instruir os planos e programas de todas as áreas da Municipalidade e a comunidade, no sentido de, uma vez incorporada, produzir a oportunidade e o acesso, a ascensão profissional pela qualificação e a manutenção dos níveis de trabalho compatíveis com a população e com a distribuição de renda desejada.

 

Parágrafo único.  A Agência de Desenvolvimento de Itajubá Tecnópolis manterá um sistema de acompanhamento da situação do trabalho, no Município, o qual incluirá indicadores tanto de oferta e demanda, quanto da inclusão social, e das mudanças de patamares ou de características de qualificação que exigem programas educacionais próprios para atendê-las.

 

Art. 261.  A área de Assistência Social deverá assegurar a existência de uma Bolsa de Trabalho a qual terá como objetivo a administração da oferta e demandas diárias de trabalho, o cadastramento de interessados na educação profissional, a organização de cursos, a identificação de condições que requeiram regulamentação, o apoio e sustentação de grupos interessados em atuar cooperativamente, e outras.

 

TÍTULO XI

Da Política Municipal de Integração Regional e Global

 

CAPÍTULO I

Da Integração Regional

 

Art. 262.  O Município de Itajubá, na sua trajetória para constituir-se como uma "Tecnópolis" desenvolverá conexões com toda a sua vizinhança e com todas as localidades que compartilhem as mesmas idéias, que consumam suas inovações, produtos, serviços, que lhe forneçam insumos e conhecimentos ou que atuem como parceiras.

 

Parágrafo único.  Nesta rede de conectividades, a cidade deverá multiplicar os elos de ligação, expandindo a sua vizinhança, com o objetivo de transformar-se em um nódulo do espaço de fluxos da economia internacional.

 

Art. 263.  A integração é uma condição essencial para que o Município de Itajubá valorize como deve, o intangível, e disponha de uma velocidade associada aos negócios que lhe confira a consciência de como as coisas estão mudando e de como posicionar-se, diante dessa dinâmica de realidades mutantes.

 

Parágrafo único.  O conceito de integração tanto traduz a dimensão regional, quanto a condição global: nesse espaço de convivências, as comunidades, consideradas integradas,  participam onde quer que elas estejam fisicamente ou seja, qualquer que seja a sua localização virtual.

 

Art. 264.  A integração regional e as condições para produzi-la contribuirão para o pleno desenvolvimento do Município de Itajubá, seja pelos fluxos econômicos, seja pelos fluxos e intercâmbios sociais e de capital intelectual, seja na exploração de complementaridades, obtenção de escalas ou viabilização de programas, projetos e empreendimentos conjuntos ou encadeados, seja na preservação e gestão de recursos e questões do meio ambiente, seja na formação de redes de alianças, seja na promoção do desenvolvimento distribuído, distributivo e equilibrado, enquanto sustentável.

 

Parágrafo único.  Na integração regional destacam-se como objetivos perenes:

 

I - a bacia do Rio Sapucaí;

 

II - o sistema viário intercidades;

 

III - atividades econômicas;

 

IV - os serviços sociais, da saúde pública, a utilização sustentável do meio ambiente, dentre outros.

 

Art. 265.  O Município de Itajubá desenvolverá políticas de integração regional que respeitem as condições diferenciais dos demais Municípios, área de influência e a polarização da Itajubá Tecnópolis, com benefícios recíprocos, os projetos pactuados de desenvolvimento regional, a busca das soluções a questões comuns abrangendo outros Municípios, as soluções que geram uma agregação de valor aos produtos e serviços que possam vir a ser compartilhados com outros Municípios, ou que tenham um efeito multiplicador na economia e na qualidade de vida e bem estar das comunidades, ou que façam crescer e/ou verticalizar a economia regional, integrando-se a economia global.

 

Art. 266.  A integração regional do Município de Itajubá far-se-á:

 

I - na disseminação de serviços para a população ou populações, inclusive, naturalmente, em redes;

 

II - em programas especiais de preservação e/ou formação de equilíbrio e proteção em termos de representação, tanto institucionalmente através da associação micro-regional de municípios pólos, da associação mineira de municípios e outras, quanto através de projetos ou programas de interesse comum, como é o caso do pólo de tecnologias da informação e de telecomunicações de minas gerais – Itajubá e Santa Rita do Sapucaí, a Rota Tecnológica 459 com as suas Plataformas de Serviços à Distância, o “Cluster” da Rota Tecnológica 459, a Agenda 21 e outros;

 

III - em termos de planos e ações, através da sua consideração no planejamento municipal e em todas as manifestações diretivas do município, incluídas dentro de cada uma delas. E ainda, comparecendo com intensidade, na vertente dos programas e projetos do município, aprovados para implantação;

 

IV - nas avaliações de benefícios, oportunidades, criação de significados dos novos empreendimentos e programas da Itajubá “Tecnópolis”, em domínios de atividade de interesse regional das minorias sociais/regionais;

 

V - no tratamento das questões ambientais e de infra-estrutura ou serviços essenciais e no uso e ocupação das áreas rurais com os municípios limítrofes;

 

VI - na proteção regional contra efeitos indesejados, predadores ou que comprometam a qualidade e a segurança da vida e a estabilidade dos sistemas institucionais;

 

VII - em programas de marketing e promoção das marcas regionais, no mercado concorrencial global.

 

Art. 267.  A integração regional deverá constar, sistemática e regularmente, do planejamento municipal, o qual deve conter políticas, programas e ações preferenciais a ela aplicáveis, num horizonte plurianual, tendo a sua implementação e o acompanhamento da realização de suas propostas a cargo do Executivo Municipal e das Secretarias Municipais.

 

Art. 268.  Os Poderes Públicos Municipais de Itajubá atuarão e se orientarão para o exercício da integração regional, promovendo os interesses e o desenvolvimento das atividades e fluxos do e para o Município, tendo as diretrizes e definições desse Plano Diretor de Desenvolvimento e os programas dele decorrentes, como meios de apoio às suas ações e decisões.

 

Art. 269.  A integração regional, como instrumento de promoção e de sustentação do processo de desenvolvimento somente ocorre, se coincidir com o desenvolvimento e preservação do ecossistema. A isto chama-se praticar uma economia ecológica, ou seja, uma economia onde subsiste e persiste uma preocupação com a restituição ou compensação pelo que se consome ou se usa do sistema ambiental, evitando-se continuamente a sua degradação .

 

TÍTULO XII
Das Políticas Gerais, da Regulamentação e da Implantação do Plano Diretor de Desenvolvimento

 

CAPÍTULO I
Da Qualificação Municipal

 

Art. 270.  A Municipalidade, em função de estudos realizados pelo Projeto Itajubá, "Tecnópolis", e das soluções apresentadas por esse Plano Diretor de Desenvolvimento, deverá estabelecer políticas e mecanismos que permitam à cidade observar e manter sua população até o limite máximo recomendado, qual seja, 130 (cento e trinta) mil habitantes, limite este definido pelas condições de ocupação horizontal e vertical de seu território associada a condições referenciais de qualidade vida, da preservação de uma área rural e do meio ambiente e da viabilidade e sustentação sócio-econômica adequada para sua população.

 

§ 1º  Fica definido como patamar de referência mínima da qualidade de vida, o Indicadores de Condições de Vida – ICV = 0,811, estabelecido pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, IPEA, e Fundação João Pinheiro, FJP, e o Indicador de Desenvolvimento Humano, IDH = 0,805, das Nações Unidas, que a cidade apresentou no ano de 1.997.

 

§ 2º  O zoneamento estabelece as áreas de ocupação, preservação e de interesse especial referente a todo o território do Município, numa perspectiva de longo prazo, permanente, na medida em que se alcançam os limites adequados de ocupação para as condições referenciais consideradas.

 

§ 3º  A taxa de urbanização do Município, deverá ser trabalhada no sentido da re-distribuição da população entre as áreas urbana e rural, fixando-se famílias no campo ao se lhes assegurar uma qualidade de vida condizente às suas necessidades.

 

§ 4º  Entende-se por viabilidade e sustentabilidade sócio-econômica adequada, à existência da universalização da riqueza através de uma geração e distribuição de renda justa e equilibrada para sua população em que não exista qualquer pessoa ou família numa condição de exclusão e em que as estruturas e sistemas sociais e de serviços públicos e essenciais, acessíveis a todos, mostrem um equilíbrio e oportunidades para melhoria ainda maior, todo o conjunto convivendo em harmonia com a Região circunvizinha, num ambiente de democracia aprofundada em termos da liberdade, participação, solidariedade, respeito e responsabilidade.

 

Art. 271.  A Política de Desenvolvimento Institucional do Município estabelece as diretrizes e orientações para que o seu processo de governo deliberado, planejado, estratégico e sistemático  se capacite para uma atuação efetiva como agente de desenvolvimento, em adição ao de executor eficaz de políticas públicas, através de suas organizações constitucionais: a Prefeitura e a Câmara Municipal.

 

Art. 272.  Constituem diretrizes permanentes da Política de Desenvolvimento Institucional o desenvolvimento das funções de regência quais sejam:

 

I - a regulação, catalisação, articulação, coordenação, supervisão e fiscalização;

 

II - a democratização da gestão municipal pela incorporação das demandas, expectativas e interesses dos excluídos, marginalizados ou menos favorecidos, pela criação da transparência da administração municipal a todos os cidadãos, inclusive no tocante às fontes e usos e pela socialização das informações municipais;

 

III - o ajuste fiscal representado pelo aumento da receita municipal própria, de repasses ou transferidas, de terceiros; incluindo a prospecção e exploração de fontes alternativas de recursos; as iniciativas de controle de custos e combate a todas as formas de desperdício, a gestão da produtividade e da economicidade de seu próprio desempenho e do Município; as parcerias, condições associativas com instituições públicas, do mercado e a sociedade, a concessão do direito de exploração à iniciativa privada e outras formas de cooperação inter ou trans-governamental;

 

IV - a desburocratização da administração municipal com a gestão dos processos e soluções, a simplificação e racionalização dos processos de trabalho, a incorporação e uso de sistemas de alta capacidade de resposta para colaboradores e cidadãos, a implantação e gestão por resultados para a população de sua atuação, e a qualidade de produtos e serviços prestados para o público interno e externo;

 

V - a profissionalização e valorização do servidor-colaborador público municipal;

 

VI - a informatização em rede da Municipalidade, visando oferecer a maior parte de seus serviços através do atendimento automático via comunicação, através de bases de dados digitalizados, através da implantação dos cartões eletrônicos individualizados para acesso aos serviços permanentes, através da disponibilização de seus serviços em rede (educação, saúde, etc) para toda a comunidade.

 

Art. 273.  A Política de Desenvolvimento Institucional será revista a cada quatro anos, até o mês de março da posse da nova administração municipal eleita, com a participação de representantes do Legislativo Municipal e de instituições convidadas, representantes da sociedade, e será aprovada pelo Executivo Municipal.

 

Parágrafo único.  O processo da Política de Desenvolvimento Institucional do Município será regulamentado, 90 (noventa) dias após a aprovação dessa lei.

 

Art. 274.  As diretrizes e orientações da Política de Desenvolvimento Institucional devem ser adotadas para atualizar o Programa de Qualificação Institucional do Município.

 

Art. 275.  A qualificação institucional do Executivo Municipal assimilando a Política de Desenvolvimento Institucional constitui uma condição essencial para a viabilização e implantação do Plano Diretor de Desenvolvimento.

 

Parágrafo único.  Deveram fazer parte da qualificação de que trata o “caput” deste artigo:

 

I - uma estrutura operacional orgânica, flexível, simples, pouco fragmentada ou subdividida, horizontalizada e descentralizada, orientada para os processos que a Municipalidade tem responsabilidade de desenvolver para sua população;

 

II - um quadro de pessoal próprio dotado de alta qualificação profissional, com perspectivas evolutivas baseada em desempenho e capacitação, dimensionado para atender à execução das atividades essenciais dos processos públicos do Município, se possível em nível de dispêndio inferior aos fixados pela legislação vigente;

 

III - disciplinamento e incentivo aos prestadores de serviços nas áreas terceirizáveis e delegadas, no sentido de se organizarem e manterem uma contínua qualificação técnico-gerencial e profissional de suas empresas e de quadros e, conseqüentemente, indicadores de desempenho de realização situados nas primeiras classes da ordenação de performance;

 

IV - a estruturação e/ou consolidação de uma legislação de regulação e de fiscalização de serviços públicos, garantindo suas características de qualidade, adequação, segurança e confiabilidade para a população;

 

V - desenvolvimento de diversas formas associativas indicadas com a sociedade, iniciativas pública e privada e organizações não governamentais, tanto para prestação dos seus serviços públicos como para a execução de empreendimentos, para projetos e programas de desenvolvimento para o Município;

 

VI - a estruturação e operacionalização dos sistemas de informação, comunicação, desempenho, atendimento e outros que criem a condição e suportem as suas relações com as comunidades local e externa;

 

VII - desenvolvimento e disponibilização da rede de informação interna e da metropolitana de alta velocidade para viabilizar o alto desempenho de suas operações, e as facilidades para a interação com os públicos clientes e entre os integrantes da comunidade;

 

VIII - a estruturação das bases de dados de gestão municipal compreendendo o arquivo técnico multiuso com base no sistema de informações geográficas produzida pelo geoprocessamento, os arquivos sócio-econômicos, os arquivos de gestão dos serviços públicos e diversos outros, bem como dos sistemas que processem tais arquivos e apóiem os processos de decisão, de atendimento aos cidadãos, de suporte a empreendedores e investidores, base para as funções de planejamento urbano, desenvolvimento, serviços e todas as outras, de responsabilidade da Municipalidade;

 

IX - as organizações municipais depositárias da cultura, da história, da inteligência em registros permanentes que retratem a vida da cidade através de fatos, documentos, eventos e demais manifestações de sua sociedade e de seus sistemas;

 

X - um conjunto de sistemas adequados físicos, construído e ambiental, sócio-econômico, de serviços, interligado a redes e a fluxos que viabilizem suas operações em benefício da sociedade e que se lhe ofereça espaços e condições propícias para o exercício de sua cidadania;

 

XI - o condicionamento pleno das pessoas para a prática da cortesia, da gentileza e da atenção nas relações com os cidadãos, da razoabilidade, da equanimidade e isonomia, do respeito absoluto nas relações com a sociedade;

 

XII - a capacitação para atuar no âmbito global, tendo a cidade como um nódulo do espaço de fluxos da economia brasileira.

 

Parágrafo único.  Para assegurar as condições requeridas para a participação da Municipalidade nestas associações, ela poderá fazer uso da reserva do direito de voto de qualidade, o que deverá constar dos termos de constituição e regulamentos de cada uma das instituições, em que esta solução se mostrar necessária;

 

Art. 276.  A Municipalidade deverá consolidar e utilizar, em caráter permanente, na alavancagem do seu processo de desenvolvimento, a disseminação dos símbolos que constituem a sua marca, símbolos estes que resultem do referendum de toda a sua população além dos já reconhecidos na trajetória de sua história, não se permitindo o uso de símbolos transitórios ou que não tenham sido objeto de processos legitimados e autenticados pela comunidade do Município.

 

CAPÍTULO II

Dos Atos e Regulamentação para a Implementação

 

Art. 277.  No sentido de garantir a implementação desse Plano Diretor de Desenvolvimento, nas condições e observando o que ele dispõe, fica o Executivo Municipal encarregado de, num prazo de 180 (cento e oitenta) dias ou inferior quando citado explicitamente:

 

I - elaborar toda a sua regulamentação de acordo com o indicado nesse Plano Diretor de Desenvolvimento;

 

II - estabelecer regulamentação especifica criando um serviço municipal permanente de regulação e fiscalização da prestação de serviços públicos delegados, concedidos nos termos da legislação vigente e contratados juntos a terceiros;

 

III - uniformizar e racionalizar todos os Conselhos Municipais no sentido de lhes dar uma estrutura e dinâmica correspondentes dos papéis que desempenham, no contexto desse Plano Diretor de Desenvolvimento;

 

IV - desenvolver uma reestruturação de toda a organização do Executivo Municipal, no sentido de adequá-la ao disposto nesse Plano Diretor de Desenvolvimento e habilitá-la para sua aplicação e/para a sua execução na sua totalidade;

 

V - definir as constituições organizacionais das diversas entidades da administração direta podendo para isso, adotar formas associativas com outras instituições públicas, privadas e não governamentais que lhes pareçam mais adequadas em função da natureza de sua atividade e dos resultados a que se destinam, em benefício da comunidade;

 

VI - delegar, mediante acordos contratuais, a execução de algumas prestações de serviços públicos a entidades sem fins lucrativos cujo objeto e finalidade estatutários correspondam em propósito à natureza da prestação de serviço ou para isto venham a ser constituídas, cuja qualificação técnica e econômica-financeira se comprove ser suficiente ou se lhes atribua em caso de criação, para o exercício delegado da prestação de serviço e também, que aceite submeter-se integralmente à regulamentação municipal, respeitada à legislação vigente;

 

VII - estabelecer um programa intensivo de parcerias que contribuam e resultem no desenvolvimento do Município;

 

Parágrafo único.  Cabe à Câmara dos Vereadores, no mesmo prazo, proceder às adequações e ajustes na sua organização e estrutura operacional, que lhe permita, no exercício de suas atribuições, contribuir para a implementação desse Plano Diretor de Desenvolvimento.

 

Art. 278.  Ficam o Executivo e Legislativo Municipal, à luz da legislação federal e estadual existente e das avaliações prospectivas das realidade atuais, concitados a preparar, no mesmo período, uma revisão e consolidação das políticas tributárias, fiscal e compensatória e, em seguida, da legislação e processo municipais que disciplinam a matéria, no sentido de estabelecer a sua participação adequada dessas políticas para a promoção do desenvolvimento sustentável do Município.

 

CAPÍTULO III

Das Disposições Transitórias e Finais

 

Art. 279.  A observância a todas as disposições constantes desse Plano Diretor de Desenvolvimento deve constar, especificamente, dos contratos de prestação de serviços, concessões e delegações da Municipalidade.

 

Art. 280.  Todos os prazos constantes do texto desta lei, no primeiro ano de sua aplicação, serão contados da data de sua entrada em vigor.

 

Art. 281.  Fazem parte integrante desta lei os seguintes anexos:

 

Anexo I

 

Volume I

 

Anexo I.I - Descrições Indicativas

 

Anexo I.II - Ocupação e Uso do Solo

 

Anexo I.III - Parâmetros Urbanísticos

 

Anexo I.IV - Vagas de Estacionamento

 

Anexo I.V - Faixa de Acumulação de Veículos

 

Anexo I.VI - Recuos Laterais e de Fundos

 

Anexo I.VII - Caracterização Geométrica das Vias Lotes

 

Anexo I.IX - Cadeia - Alvo do Município

 

Anexo I.X - Glossário

 

Anexo II

 

Volume II

 

Anexo II.I - Compartimentação do Município

 

Anexo II.II - Macrozoneamento do Município

 

Anexo II.III - Perímetro Urbano

 

Anexo II.IV - Zoneamento Urbano

 

Anexo II.V - Parque Tecnológico

 

Anexo II.VI - Sistema Viário do Município

 

Art. 282.  Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário,

 

Itajubá, Palácio 26 de Fevereiro, em 30 de dezembro de 2.003

 

José Francisco Marques Ribeiro

Prefeito Municipal

 

Registre-se e publique-se

 

André Marins Júnior

Secretário Municipal de Governo


I.I – Descrições Indicativas

 

Perímetro Urbano

 

O perímetro urbano de Itajubá acompanha, pelo sentido horário, ao sul e a leste a divisa municipal; ao norte acompanha os divisores de águas dos contribuintes do Rio Sapucaí e a Rodovia de Contorno Perimetral Norte, na cota aproximada de 950 m; e a oeste desce ainda pelos divisores de águas, corta o Rio Sapucaí, contorna a área ocupada pela encosta próxima à cota 950 m, e desce sempre acompanhando a cota 950 m, até encontrar o limite municipal.

 

APA SUL

 

O perímetro da APA Sul acompanha a cota 1.150 m, o perímetro urbano e o limite sul do Município.

 

APA Lourenço Velho

 

O perímetro da APA Lourenço Velho acompanha a divisa municipal ao norte, descendo no sentido horário o até o Rio Lourenço Velho, por onde volta até a Usina Hidrelétrica Luiz Dias, subindo para encontrar novamente a divisa municipal.

 

Reserva Biológica Serra dos Toledos

 

O perímetro da Reserva Biológica da Serra dos Toledos engloba as terras de propriedade da Prefeitura Municipal, acompanhando as cotas acima de 1.250 m, na Serra dos Toledos, e a divisa municipal.

 

I.II – Ocupação e uso do solo

 

Zona ou Área

Residencial

Comercial e Serviços

Institucional

Industrial

Misto

Unifamiliar

Multifamiliar

Local

Geral

Local

Geral

Médio

Grande

ZCE

A

A

A

A

A

A

NA

NA

A

ZAD

A

A

A

A

A

A

NA

NA

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ZAE

A

A

A

A

AC

AC

AC

AC

A

ZPR

A

A

A

A

AC

AC

NA

NA

A

ZRU

A

NA

A

NA

AC

AC

NA

NA

NA

ZEI

NA

NA

AC

AC

AC

AC

A

A

AC

ZEU I, II, III

A

A

A

A

A

A

AC

NA

A

AIS I, II

A

A

A

AC

A

AC

NA

NA

AC

AIU I, II

A

A

A

A

NA

A

NA

NA

A

AIU III

NA

NA

AC

A

NA

AC

AC

NA

A

AIC I

A

A

A

A

A

A

NA

NA

A

 

Legenda: A - Admitido; NA - Não Admitido; AC - Admitido sob Condições

 

I.III - Parâmetros urbanísticos

 

Zonas

Tamanho mínimo do lote
(m2)

Quota mínima de área do terreno por unidade habitacional
(m2)

Taxa de Ocupação máxima (%)

Coeficiente de
Aproveitamento
máximo

Quantidade  máxima de pavimentos (exclusive subsolo, garagem e pilotis)

ZCE

450

30

60

6,0

10

ZAD

200

30

60

2,0

3

ZAE

360

30

60

2,0

3

ZPR

200

30

70

1,4

2

ZRU

360

---

60

1,2

---

ZEI

500

---

50

1,5

---

ZEU I, II, III

A serem definidos pelo Poder Público Municipal segundo legislação específica, com exceção dos módulos mínimos, já definidos.

AIS I

200

---

70

1,4

3

AIS II

 

AIU I, II, III

 

AIC

 

 

Zonas

Tamanho mínimo do lote
(m2)

Quota mínima de área do terreno por unidade habitacional
(m2)

Taxa de Ocupação máxima (%)

Coeficiente de
Aproveitamento máximo

Quantidade máxima de pavimentos (exclusive subsolo, garagem e pilotis)

ZCE

450

30

60

6,0

10

ZAD

200

30

70

2,8

4

ZAE

360

30

60

1,8

3

ZPR

200

30

70

2,8

4

ZRU

360

---

60

1,2

---

ZEI

500

---

50

1,5

---

ZEU I

200

---

70

1,4

2

ZEU II

360

---

70

1,4

2

ZEU III

1000

---

70

1,4

2

AIS I

200

---

70

2,1

3

AIS II

 

 

AIU I, II, III

 

 

AIC

360

---

70

2,8

4

(Redação dada pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

I.IV – Vagas de estacionamento

 

Categoria de Uso

Classificação da Via

Número Mínimo de Vagas

Residencial

Ligação Regional / Arterial

1 vaga por unidade

Multifamiliar

Coletora / Local

1 vaga para cada 40 m²de área líquida construída

Não Residencial

Ligação Regional / Arterial / Coletora

1 vaga para cada 25 m² de área líquida construída

Residencial

Local

1 vaga para cada 50 m² de área líquida construída

 

Categoria de Uso

Classificação da Via

Número Mínimo de Vagas

Residencial Uni e Multifamiliar

Ligação Regional/Arterial

1 vaga para cada 60 m² de área líquida construída

Coletora/Local

1 vaga para cada 60 m² de área líquida construída

Não Residencial (Comércio/ Serviços/Institucional)

Ligação Regional/Arterial/Coletora

1 vaga para cada 60 m² de área líquida construída

Local

1 vaga para cada 120 m² de área líquida construída

(Redação dada pela Lei Complementar nº 74, de 2013)

 

Obs: No caso de uso misto, o cálculo do número mínimo de vagas seguirá as regras:

 

da categoria de uso residencial multifamiliar para a parte residencial;

 

da categoria de uso não residencial para a parte não residencial;

 

da categoria não residencial não se aplica nas ZEIs.

 

I.V – Faixa de acumulação de veículos

 

Área de estacionamento (m²)

Comprimento da faixa de acumulação (m)

Número de faixas

Até 1.000

5

1

de 1.001 a 2.000

10

1

de 2.001 a 5.000

20

1

de 5.001 a 10.000

20

2

Mais de 10.000

25

2

 

I.VI – Recuos laterais e de fundos

 

Números de pavimentos (inclusive pilotis)

Recuos laterais e de fundos mínimos (m)

> 4 £ 6

2,50

> 6 £ 8

3,00

> 8 £10

3,80

> 10 £ 15

4,80

 

I.VII – Caracterização geométrica das vias

 

Características das Vias

Arteriais

Coletoras

Locais

Ciclovias

Velocidade Diretriz (km/h)

60

50

40

20

Velocidade de Operação (km/h)

54

45

30

15

Distância de Visibilidade Parada (m)

70

40

30

30

Raio Mínimo Curvatura Horizontal (m)

125

50

25

25

Rampa Máxima (%)

10

18

30

10

Rampa Mínima (%)

0,5

0,5

0,5

0,5

Comprimento Mínimo de Concordância Vertical (m)

40

30

30

30

Comprimento Crítico de Rampa (m)

120

100

60

60

Largura Mínima da Via (m)

30

18

12

5

 

I.VIII – Áreas mínimas de lotes

 

Declividade Natural (%)

Área Mínima (m²)

Testada Mínima (m)

0 a 20

200

10

21 a 30

360

12

31 a 35

450

15

 

I.IX - Cadeia-alvo do município

 

 

I.X - Glossário

 

I - Técnico

 

Adensamento   – Intensificação de uso do solo.

 

Afastamento Frontal Mínimo ou Recuo Frontal – Menor distância entre a edificação e o alinhamento, medida deste.

 

Afastamento Lateral ou Recuo Lateral e de Fundos Mínimos – Menor distância entre qualquer elemento construtivo da edificação e as divisas laterais e de fundos, medidas das mesmas.

 

Alinhamento – Limite entre o lote e o logradouro público.

 

Altura Máxima na Divisa – Distância máxima vertical, medida do ponto mais alto da edificação até a cota de nível de referência estabelecida de acordo com o relevo do terreno.

 

Área de Carga e Descarga – Área destinada a carregar e descarregar mercadorias.

 

Área de Embarque e Desembarque – Área destinada a embarque e desembarque de pessoas.

 

Área de Estacionamento – Área destinada a estacionamento ou guarda de veículos.

 

Biota – O conjuntos dos seres animais e vegetais de uma dada região.

 

Circulação Horizontal Coletiva – Espaço de uso comum necessário ao deslocamento em um mesmo pavimento e ao acesso às unidades privativas.

 

Circulação Vertical Coletiva – Espaço de uso comum necessário ao deslocamento de um pavimento para o outro em uma edificação, como caixas de escadas e de elevadores.

 

Condomínio Vertical – Edifício com mais de dois pavimentos.

 

Faixa de Acumulação – espaço dentro dos limites do próprio terreno e adjacente à via pública, destinado à movimentação de veículos atraídos pela atividade nele implantada.

 

Gleba – Terreno que não foi objeto de parcelamento.

 

Guarita – Compartimento destinado ao uso da vigilância da edificação.

 

Logradouro Público – Área de terreno destinada pela Prefeitura Municipal ao uso e trânsito públicos.

 

Lote – Porção do terreno parcelado, com frente para via pública e destinado a receber edificação.

 

Passeio – Parte do logradouro público reservado ao trânsito de pedestres.

 

Pavimento – Espaço de uma edificação situado no mesmo piso, excetuados o subsolo, o jirau, a sobreloja, o mezanino e o sótão.

 

Pé-Direito – Distância vertical entre o piso e o teto ou forro de um compartimento.

 

Permeabilidade – Porção do terreno que deve permanecer sem qualquer tipo de cobertura, para permitir o escoamento e/ou percolação das águas.

 

Pilotis – Pavimento com espaço livre destinado a uso comum, podendo ser fechado para instalação de lazer e recreação.

 

Residencial Multifamiliar – Edifício, ou parte dele, destinado a habitações permanentes multifamiliares.

 

Residencial Unifamiliar – Edifício destinado a uma única habitação.

 

Serviço de Uso Coletivo – Espaço e instalações destinados à administração pública e às atividades de educação, cultura, saúde, assistência social, religião e lazer.

 

Testada – Maior extensão possível do alinhamento de um lote ou grupo de lotes voltada para uma mesma via.

 

Uso Misto – Exercício concomitante do uso residencial e do não residencial.

 

Uso Residencial - O exercido em edificações, unifamiliares e multifamiliares, horizontais e verticais, destinadas à habitação permanente.

 

Zeladoria – Conjunto de compartimentos destinados à utilização do serviço de manutenção da edificação.

 

Vetor - Condutor de doenças transmisiveis

 

II – expressões especializadas

 

Atenção Primária - Desenvolvimento de atividades de promoção, proteção, diagnóstico, tratamento precoce e reabilitação da saúde das pessoas em regime ambulatorial. A Atenção Primária inclui, então, a educação da comunidade para a preservação e modos de vida sadia, habilitando o cidadão a conhecer como resolver os agravos à saúde, nutrição apropriada, abastecimento de água potável, tratada e contendo composição adequada à saúde, saneamento básico, assistência materno-infantil, planejamento familiar, prevenção contra doenças endêmicas e epidêmicas, imunizações contra doenças passíveis de controle, atenção odontológica priorizando as ações preventivas, tratamento das doenças e traumatismos comuns, saúde mental, fornecimento de medicamentos essenciais, atendimento a urgências e emergências.

 

Atenção Secundária e Terciária - Corresponde à assistência e promoção da saúde e tratamento das doenças em níveis de atividade de ordem superior, exigindo para a sua realização policlínicas e hospitais.

 

Atenção Quaternária - Envolve a prestação de serviços de saúde, com tecnologia avançada, de ponta, e de alto custo, viabilizando-se tão somente em nós geo-gráficos de alta densidade de atendimento.

 

“Calming Traffic”- constitui a incorporação de soluções que inibem, reduzem ou mitigam o efeito da velocidades dos veículos nas vias públicas. Dentre as alternativas de soluções figuram obras de engenharia, sinalizações visuais e sonoras, ajardinamentos, uso de materiais especiais ou uma combinação delas.

 

“Cluster” ou “Cluster Industrial” – constituem agrupamentos de segmentos industriais que compartilham encadeamentos verticais e horizontais. Por compartilhar, entende-se a formação de uma rede de alianças que propicia o permear da inovação tecnológica, dos fluxos de conhecimentos, habilidades, experiências e serviços entre os seus integrantes, beneficiando a todos e fortalecendo a posição concorrencial do conjunto.

 

Quando se observa uma diversificação ou integração industrial envolvendo as unidades industriais que fornecem ou provêm insumos ou, as unidades que consomem (comercializam) os produtos da industria foco, tal situação determina encadeamentos verticais, retrógrados ou a frente. As indústrias anteriores e posteriores recebem o nome de colaboradoras, de apoio ou elos.

 

Por outro lado, se as indústrias se conectam entre si, em complementariedade ou agregação de valor e significado, sob uma base de tecnologia, de inovação, ou mercadológica, caracterizam-se os encadeamentos horizontais, criando-se as chamadas indústrias relacionadas ou nódulos (de uma rede)

 

“Clusterização” – é o processo pelo qual desenvolve-se um parque industrial sobre uma concepção de um “cluster”

 

Inovação Institucional - é uma reforma que direciona e transforma as estruturas básicas da sociedade.

 

Modernidade Econômica - Entende-se por modernidade econômica ao estado de compromissamento com a vanguarda tecnológica e do conhecimento, altos níveis de densidade econômica, de agilidade e consistência financeira, com a melhoria do bem estar social e da qualidade de vida, fatores estes amalgamados por sistema seletivos de engajamento e agregação sócio-econômica, capazes de gerar relevantes alavancagens operacionais. Na melhoria da qualidade de vida e nos laços seletivos de solidarização, incluem-se os fatores relativos ao lazer e entretenimento e ao processo cultural, compreendidos no seu mais amplo sentido

 

Retaguarda ou Produção de Retaguarda ou Segmentos Produtivos de Retaguarda - Correspondem aos estratos do sistema sócio-econômico em que a forma dominante de produção está associada a uma padronização da produção, a baixos níveis de agregação tecnológica, à baixa intensidade do capital e a forte dependência das escalas, ao trabalho com prévia especialização e baixo nível de qualificação para acesso, voltado para o atendimento de mercados locais ou regionais, delimitados. O gradualismo caracteriza a sua trajetória de evolução e as taxas de mudanças  são pequenas e ocorrem em ciclos muito longos. O alcance produtivo e mercadológico circunscreve a extensão do seu aprendizado, contingenciando seu desenvolvimento.

 

Vanguarda ou Produção Vanguardista ou Segmentos Produtivos de Vanguarda – Correspondem aos estratos do sistema sócio-econômico voltados para uma forma de produção na qual predominam a despadronização da produção, a alta tecnologia, o emprego intensivo de capital, o acesso à larga escala, a dependência do trabalho altamente especializado e a orientação para mercados mundiais e para os padrões de comportamento de outros competidores, fornecedores e clientes avançados, do planeta. Trata-se de um grupamento, portanto, em que subsiste uma combinação de outras características físico-econômicas e espirituais organizativas. Esta última se manifesta na aproximação da produção ao aprendizado contínuo, à conciliação, como um projeto, entre o desenvolvimento de estruturas cooperativas e as restrições à inovação permanente, ao experimentar, instruindo práticas de trabalho associativas a uma base de refinamento tecnológico e investimento  substantivos, à redução  significativa  de  controles substituídos por coordenação, dentre outras

 

III - indicadores

 

Indicador de Condições de Vida – ICV Bloco Renda -  índice criado com vistas a avaliar e comparar as condições regionais de vida. O bloco renda baseia-se nos níveis de renda familiar, no grau de desigualdade na distribuição de renda, na proporção da população pobre e na distância da renda dos pobres à linha de pobreza (½ salário mínimo).

 

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) -  indicador introduzido em 1990 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com o objetivo de medir a qualidade de vida e o progresso humano em âmbito mundial. A composição do índice combina três condições essenciais para o desenvolvimento humano: longevidade, acesso ao conhecimento e aos recursos necessários para um padrão de vida digno, avaliados a partir da apuração dos níveis de esperança de vida ao nascer, de escolaridade e de renda.

 

Grau de Resolutibilidade - expressa a medida de casos de saúde que foram resolvidos isto é, em que se restabelece a condição de normalidade e em que se produziu a cura.

 

Taxa de Urbanização - expressa o quanto da população do Município habitava sua área urbana ou seja, mensura a ocupação (distribuição) e concentração da população em relação ao território Municipal.

 

Plano Diretor de Desenvolvimento de Itajubá.

* Este texto não substitui a publicação oficial.